Publicação
Sarcomas primários localizados ao ombro
| Resumo: | Introdução: Os sarcomas são neoplasias raras. Contudo, o ombro é o terceiro local mais comum de envolvimento, sendo que actualmente 90-95% destes sarcomas são tratados com cirurgia de salvação de membro. Objectivos: Descrever a casuística de um serviço de referência no tratamento de doentes com sarcomas primários localizados ao ombro e reconhecer factores com impacto estatisticamente significativo no prognóstico destes doentes. Material e Métodos: Este estudo faz uma análise retrospectiva dos processos clínicos de 56 doentes com sarcomas primários localizados ao ombro, com confirmação histológica, tratados na Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor dos HUC, entre Junho de 1993 e Janeiro de 2011. A análise estatística foi realizada recorrendo ao software IBM SPSS® v.19. Resultados: Os sarcomas de tecidos moles foram mais frequentes no sexo masculino, ao contrário dos ósseos. Neste grupo, a idade mediana foi inferior à dos sarcomas de tecidos moles (37 vs. 51 anos). A localização mais frequente nos sarcomas de tecidos moles foi a região escapular e os tipos histológicos predominantes foram o lipossarcoma e o mixofibrossarcoma, embora estes tenham sido muito variados. Os sarcomas ósseos envolveram preferencialmente o úmero proximal, sendo os condrossarcomas e osteossarcomas os diagnósticos mais prevalentes. Os sarcomas apresentaram um tamanho mediano de 8,25 cm em ambos os grupos. O estadio mais frequente no grupo dos sarcomas de tecidos moles foi o III, em oposição ao IA, o mais comum no grupo dos ósseos. No geral, 14% dos doentes tinham sido tratados previamente noutra instituição. Apenas 6% dos doentes foi submetido a desarticulação, todos do grupo dos sarcomas ósseos. A taxa de recorrência dos sarcomas foi de 32%, sendo superior no grupo dos sarcomas de tecidos moles. Contudo, o intervalo livre de doença foi inferior nos sarcomas ósseos (20 vs. 38 meses). A taxa de sobrevivência global aos 10 anos no grupo dos sarcomas de tecidos moles e dos sarcomas ósseos foi de 52% e 51%, respectivamente. Conclusão: Os nossos doentes eram indivíduos jovens, apresentando sobretudo sarcomas ósseos, constituindo os condrossarcomas e osteossarcomas mais de metade dos sarcomas. A grande maioria dos doentes foi submetida a cirurgia de salvação de membro, com a terapêutica adjuvante a variar consoante o tipo histológico. As taxas de Sobrevivência Global e Sobrevivência Livre de Doença aos 10 anos foram de 51% e 56%, respectivamente. O estadiamento e a existência de recorrência da doença eram factores de pior prognóstico. Nos sarcomas ósseos, verificou-se ainda que a existência de metástases, a realização de quimioterapia e o diagnóstico histológico de osteossarcoma (em oposição ao condrossarcoma) diminuíam a sobrevivência. Os sobreviventes sentirão o impacto do tratamento na sua vida por muito tempo pelo que é importante realizar mais estudos que esclareçam o impacto funcional das diferentes cirurgias reconstrutivas. |
|---|---|
| Autores principais: | Santos, Inês Oliveira Pereira |
| Assunto: | Sarcoma Ombro Ortopedia |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: Os sarcomas são neoplasias raras. Contudo, o ombro é o terceiro local mais comum de envolvimento, sendo que actualmente 90-95% destes sarcomas são tratados com cirurgia de salvação de membro. Objectivos: Descrever a casuística de um serviço de referência no tratamento de doentes com sarcomas primários localizados ao ombro e reconhecer factores com impacto estatisticamente significativo no prognóstico destes doentes. Material e Métodos: Este estudo faz uma análise retrospectiva dos processos clínicos de 56 doentes com sarcomas primários localizados ao ombro, com confirmação histológica, tratados na Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor dos HUC, entre Junho de 1993 e Janeiro de 2011. A análise estatística foi realizada recorrendo ao software IBM SPSS® v.19. Resultados: Os sarcomas de tecidos moles foram mais frequentes no sexo masculino, ao contrário dos ósseos. Neste grupo, a idade mediana foi inferior à dos sarcomas de tecidos moles (37 vs. 51 anos). A localização mais frequente nos sarcomas de tecidos moles foi a região escapular e os tipos histológicos predominantes foram o lipossarcoma e o mixofibrossarcoma, embora estes tenham sido muito variados. Os sarcomas ósseos envolveram preferencialmente o úmero proximal, sendo os condrossarcomas e osteossarcomas os diagnósticos mais prevalentes. Os sarcomas apresentaram um tamanho mediano de 8,25 cm em ambos os grupos. O estadio mais frequente no grupo dos sarcomas de tecidos moles foi o III, em oposição ao IA, o mais comum no grupo dos ósseos. No geral, 14% dos doentes tinham sido tratados previamente noutra instituição. Apenas 6% dos doentes foi submetido a desarticulação, todos do grupo dos sarcomas ósseos. A taxa de recorrência dos sarcomas foi de 32%, sendo superior no grupo dos sarcomas de tecidos moles. Contudo, o intervalo livre de doença foi inferior nos sarcomas ósseos (20 vs. 38 meses). A taxa de sobrevivência global aos 10 anos no grupo dos sarcomas de tecidos moles e dos sarcomas ósseos foi de 52% e 51%, respectivamente. Conclusão: Os nossos doentes eram indivíduos jovens, apresentando sobretudo sarcomas ósseos, constituindo os condrossarcomas e osteossarcomas mais de metade dos sarcomas. A grande maioria dos doentes foi submetida a cirurgia de salvação de membro, com a terapêutica adjuvante a variar consoante o tipo histológico. As taxas de Sobrevivência Global e Sobrevivência Livre de Doença aos 10 anos foram de 51% e 56%, respectivamente. O estadiamento e a existência de recorrência da doença eram factores de pior prognóstico. Nos sarcomas ósseos, verificou-se ainda que a existência de metástases, a realização de quimioterapia e o diagnóstico histológico de osteossarcoma (em oposição ao condrossarcoma) diminuíam a sobrevivência. Os sobreviventes sentirão o impacto do tratamento na sua vida por muito tempo pelo que é importante realizar mais estudos que esclareçam o impacto funcional das diferentes cirurgias reconstrutivas. |
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