| Resumo: | Introdução: Os enxertos cutâneos são secções de pele transferidas de uma área do corpo para outra. Representam um método versátil e dinâmico de reconstrução cutânea, aplicado quando outras opções não são adequadas. São amplamente usados e constituem uma das técnicas indispensáveis em Cirurgia Dermatológica. Os defeitos cirúrgicos resultantes da excisão de neoplasias cutâneas são a sua principal indicação. Como se tem assistido a um aumento progressivo de doentes com neoplasias, a compreensão minuciosa e detalhada de cada técnica, bem como o conhecimento das aplicações dos diferentes enxertos, é essencial para uma boa prática cirúrgica. Materiais e Métodos: Foram selecionados artigos científicos relativos a diversas aplicações de enxertos cutâneos em Cirurgia Dermatológica, com recurso às plataformas PubMed, Medscape, SciELO e UpToDate. Foram, ainda, consultados livros de texto que se consideraram relevantes para o tema. A informação foi analisada criticamente, de forma a elaborar uma revisão de artigos. Resultados: Após a recolha de informação, constatou-se que os enxertos de pele total são frequentemente usados para reconstruções de defeitos faciais. Fornecem uma boa concordância na coloração, textura e espessura e a retração é mínima. São especialmente úteis na reparação de defeitos da asa nasal, sendo muito eficazes do ponto de vista funcional e estético. Também podem ser aplicados nas pálpebras com excelentes resultados, devido à menor retração, apesar do risco de discromia estar sempre presente. Os enxertos de pele parcial são preferíveis em áreas de maiores dimensões, por possuírem baixas exigências metabólicas. As úlceras crónicas dos membros inferiores são uma das suas grandes aplicações. Estes enxertos apresentam as vantagens de resistirem a condições em que há compromisso na vascularização e de consistirem numa técnica relativamente fácil. No entanto, apresentam uma alta probabilidade de discromia e, por isso, não são indicados em regiões muito expostas. Os enxertos compostos são uma opção para defeitos com características tridimensionais. Os enxertos condrocutâneos podem ser aplicados em zonas que requerem uma estrutura rígida, como a asa do nariz, e os enxertos compostos por pele e tecido subcutâneo representam uma boa alternativa aos enxertos de pele total em defeitos de pequenas dimensões da face. Os enxertos biológicos têm vindo a ser cada vez mais aplicados na prática clínica e discute-se a importância do seu desenvolvimento no futuro, sobretudo para aplicação em úlceras crónicas. Em muitas situações, o tratamento ideal envolve a combinação de mais do que um método. Conclusão: Apesar das regras básicas de aplicação de enxertos não se terem modificado muito ao longo do tempo, o desenvolvimento de novas técnicas e o estudo de variadas aplicações contribuíram para que esta área expandisse de forma significativa. O número de reconstruções através de enxertos continuará a crescer. Por isso, é necessário que a investigação prossiga, de forma a ultrapassar as atuais limitações e os novos desafios, que vão surgindo. |