Publicação
Terá a personalidade relação com o desenvolvimento de doenças? Um estudo exploratório da população portuguesa
| Resumo: | Introdução: São vários os fatores que contribuem para o surgimento de patologias, desde intrínsecos (genéticos, psicológicos) a extrínsecos (ambientais, sociais). A personalidade é reconhecida cada vez mais como um potencial preditor de morbilidade, enquanto fator de risco e fator predisponente. O modelo dos 5 fatores é um sistema que reúne cinco domínios da personalidade - Neuroticismo, Amabilidade, Extroversão, Conscienciosidade e Abertura à experiência. O objetivo deste estudo foi relacionar traços de personalidade, com a presença de determinadas doenças, comportamentos de saúde e hábitos de vida.Material e Métodos: Desenhou-se um estudo observacional, transversal e exploratório. Os participantes, convidados a auto preencher um questionário eletrónico, foram inquiridos sobre comportamentos de saúde, recorrendo a uma versão adaptada do QACS, e sobre antecedentes médicos e psicopatológicos. Aplicou-se o NEO-FFI-20 como método de avaliação de personalidade.Resultados: Totalizou-se uma amostra de 521 (100%) indivíduos, 77,9% do sexo feminino e 22,1% do sexo masculino, com uma média de idades de 35,76±13,02 anos. Registaram-se relações estatisticamente significativas entre traços de personalidade e dor crónica generalizada (p=0,008), púrpura / defeito da coagulação (p=0,010), Síndrome do Intestino Irritável (p=0,003 e p=0,048), nódulo da tiróide (p=0,049 e p=0,045), epilepsia (p=0,026), cefaleia de tensão (p=0,032), rinite alérgica (p=0,001), hipertensão arterial (p=0,021), erro de refração (p=0,028 e p=0,045), perturbação depressiva diagnosticada (p<0,001), ansiedade (p<0,001 e p=0,001 ), fobia/perturbação compulsiva (p=0,030 e p=0,029 ), stress pós-traumático (p=0,025), anorexia nervosa/bulimia (p=0,027), alterações da memória (p=0,021), dermatite de contacto/alérgica (p=0,011), urticária (p=0,007 e p=0,002), consumo de risco de álcool (p=0,002 e p=0,046), distúrbio de personalidade diagnosticado (p=0,44), doença esofágica (p=0,028), síndrome da coluna sem irradiação da dor (p=0,047), obesidade (p=0,004) e diabetes (p=0,021). Foram observadas correlações significativas, embora fracas, entre a pontuação total do QACS e o Neuroticismo (p<0,001), a Extroversão (p=0,001), a Abertura à experiência (p=0,049) e a Conscienciosidade (p<0,001), e entre as subescalas do EADS e o Neuroticismo (p<0,001), a Extroversão (p<0,001), a Amabilidade (p<0,001 e p=0,004) e a Conscienciosidade (p<0,001).Discussão e Conclusão: Foram demonstradas relações entre os traços de personalidade e patologias, comportamentos de saúde e antecedentes psicopatológicos. Estes achados salientam a possível contribuição da personalidade para o desenvolvimento de determinadas patologias, em função dos traços de cada indivíduo. Reforça-se a importância de aprofundar a investigação destas associações, para desenvolver estratégias de prevenção e terapêutica mais centradas na personalidade do doente e melhor adaptadas às suas necessidades.Palavras-chave: personalidade, fatores de risco, doença, morbilidade |
|---|---|
| Autores principais: | Mendes, Joana Margarida Monteiro Viegas |
| Assunto: | personalidade fatores de risco doença morbilidade personality risk factors disease morbidity |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | Introdução: São vários os fatores que contribuem para o surgimento de patologias, desde intrínsecos (genéticos, psicológicos) a extrínsecos (ambientais, sociais). A personalidade é reconhecida cada vez mais como um potencial preditor de morbilidade, enquanto fator de risco e fator predisponente. O modelo dos 5 fatores é um sistema que reúne cinco domínios da personalidade - Neuroticismo, Amabilidade, Extroversão, Conscienciosidade e Abertura à experiência. O objetivo deste estudo foi relacionar traços de personalidade, com a presença de determinadas doenças, comportamentos de saúde e hábitos de vida.Material e Métodos: Desenhou-se um estudo observacional, transversal e exploratório. Os participantes, convidados a auto preencher um questionário eletrónico, foram inquiridos sobre comportamentos de saúde, recorrendo a uma versão adaptada do QACS, e sobre antecedentes médicos e psicopatológicos. Aplicou-se o NEO-FFI-20 como método de avaliação de personalidade.Resultados: Totalizou-se uma amostra de 521 (100%) indivíduos, 77,9% do sexo feminino e 22,1% do sexo masculino, com uma média de idades de 35,76±13,02 anos. Registaram-se relações estatisticamente significativas entre traços de personalidade e dor crónica generalizada (p=0,008), púrpura / defeito da coagulação (p=0,010), Síndrome do Intestino Irritável (p=0,003 e p=0,048), nódulo da tiróide (p=0,049 e p=0,045), epilepsia (p=0,026), cefaleia de tensão (p=0,032), rinite alérgica (p=0,001), hipertensão arterial (p=0,021), erro de refração (p=0,028 e p=0,045), perturbação depressiva diagnosticada (p<0,001), ansiedade (p<0,001 e p=0,001 ), fobia/perturbação compulsiva (p=0,030 e p=0,029 ), stress pós-traumático (p=0,025), anorexia nervosa/bulimia (p=0,027), alterações da memória (p=0,021), dermatite de contacto/alérgica (p=0,011), urticária (p=0,007 e p=0,002), consumo de risco de álcool (p=0,002 e p=0,046), distúrbio de personalidade diagnosticado (p=0,44), doença esofágica (p=0,028), síndrome da coluna sem irradiação da dor (p=0,047), obesidade (p=0,004) e diabetes (p=0,021). Foram observadas correlações significativas, embora fracas, entre a pontuação total do QACS e o Neuroticismo (p<0,001), a Extroversão (p=0,001), a Abertura à experiência (p=0,049) e a Conscienciosidade (p<0,001), e entre as subescalas do EADS e o Neuroticismo (p<0,001), a Extroversão (p<0,001), a Amabilidade (p<0,001 e p=0,004) e a Conscienciosidade (p<0,001).Discussão e Conclusão: Foram demonstradas relações entre os traços de personalidade e patologias, comportamentos de saúde e antecedentes psicopatológicos. Estes achados salientam a possível contribuição da personalidade para o desenvolvimento de determinadas patologias, em função dos traços de cada indivíduo. Reforça-se a importância de aprofundar a investigação destas associações, para desenvolver estratégias de prevenção e terapêutica mais centradas na personalidade do doente e melhor adaptadas às suas necessidades.Palavras-chave: personalidade, fatores de risco, doença, morbilidade |
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