| Resumo: | A maioria da investigação que se encontra sobre a psicopatia diz respeito à etiologia do construto, com o objetivo de tornar a sua definição mais robusta (Hare, 2003; Patrick, Fowles & Krueger, 2009). Parece constante na literatura que a psicopatia é multideterminada, constituída por vários fatores biopsicossociais, tais como influências genéticas (Bezdjian et al., 2011; Viding et al., 2008), fatores ambientais e emocionais (Christian et al., 2016, 2018; Fisher & Brown, 2018; Gao et al., 2010) e facetas da personalidade dita normal (Miller et al., 2001; Vachon et al., 2013). Contudo, os resultados da investigação parecem não ser claros e, por vezes, até se mostram contraditórios acerca dos fenómenos que melhor predizem a psicopatia (Berg et al., 2013). Os traços psicopáticos não são exclusivos das populações clínicas e forenses, sendo por isso importante aceder à sua presença na comunidade (Hare, 2003; Reidy et al., 2015). Nesse seguimento, o objetivo principal deste estudo é perceber em que medida a vinculação e os diversos fatores da personalidade podem influenciar a manifestação de traços psicopáticos nos adultos da população geral. A vinculação insegura tem vindo a ser relacionada com psicopatologia nas suas mais diversas formas (e.g. Bakermans-kranenburg & van IJzendorn, 2009; Lyddon & Sherry, 2001), tendo também evidências da sua influência na psicopatia (Conradi et al., 2015; Mack, Hackney & Pyle, 2011). Por outro lado, a questão da personalidade manifesta-se relacionada com a psicopatia desde as teorias mais clássicas (e.g. Cleckley, 1988; Kraepelin, 1905), até às concetualizações atuais (e.g. Hare & Neumann, 2008), especialmente relacionadas com os cinco grandes fatores fundamentais da teoria dos traços (e.g. Miller & Lynam, 2015). Para concretizar o estudo dessa relação, foram utilizados os seguintes instrumentos de autorresposta: Experiências nas Relações Próximas (ECR), Escala de Vinculação do Adulto (EVA), ambas medidas da vinculação; a Escala de Autoavaliação de Psicopatia (SRP-III), constituindo a medida da psicopatia; e o Inventário dos Cinco Fatores NEO (NEO-FFI), relativamente à personalidade. O protocolo foi colocado online para tornar a amostra aleatória relativamente ao sexo e à idade, duas variáveis que parecem relevantes e influentes na psicopatia (Dolan & Völm, 2009; Gill & Crino, 2012; Wernke & Huss, 2008). Resumidamente, os resultados indicam que as dimensões da vinculação, num modo geral, têm relações pouco intensas com o construto da psicopatia, sendo a personalidade mais determinante, pois assume associações mais detalhadas relativamente aos traços psicopáticos. Além disso, nota-se a influência da variável sexo na interação das dimensões e fatores em relação à psicopatia. No entanto, este estudo apresenta algumas limitações, como por exemplo a anormal distribuição dos sujeitos pela idade e sexo, pelo que se recomenda a consideração de critérios para que seja possível a homogeneidade dos grupos do estudo em investigações futuras. |