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Morfologia, crescimento pubertário e preparação desportiva : estudo em jovens futebolistas dos 11 aos 15 anos

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Resumo:O presente trabalho assume uma perspectiva auxológica do estudo do jovem futebolista analisando um conjunto de variáveis somáticas, de desempenho funcional e habilidades motoras específicas do futebol. Foram observados 159 futebolistas com idades compreendidas entre os 11.0 e os 15.2 anos, divididos em dois grupos etários de acordo com o regulamento das competições da Federação Portuguesa de Futebol, a saber: infantis (11-12 anos; 11.80.5) e iniciados (13-14 anos; 14.10.6). Foi recolhida a informação somática necessária à determinação do somatótipo e ainda a altura sentado. Na avaliação do desempenho funcional foram utilizados os seguintes testes: Yo-Yo, nível 1, (desempenho aeróbio); prova de 7 sprints (desempenho anaeróbio); 10 x 5 metros (agilidade); squat jump e counter movement jump (impulsão vertical). Na determinação da mestria motora recorreu-se ao seguinte conjunto de provas: controlo da bola; velocidade com bola; passe à parede; remate. O tempo entre as avaliações antropométrica, das capacidades funcionais, das habilidades motoras e a obtenção do filme radiológico, que levou à determinação da idade esquelética, não ultrapassou as duas semanas. Os estádios extremos na distribuição da pilosidade púbica da nossa amostra (estádio 1 e estádio 4) são os que menor concordância evidenciam entre hetero e autoavaliação, desaconselhando a utilização desta última nas fases inicial e final da puberdade. Verificou-se uma similaridade nos resultados da estatura matura predita obtidos através das metodologias Khamis-Guo e Khamis-Roche, confirmando a possibilidade de utilização desta última, mesmo sem recurso à idade esquelética. A estimativa indirecta da idade no pico de velocidade de crescimento, maturity offset, registou valores próximos do relatado para jovens futebolistas (Bell, 1994; Philippaerts et al., 2006). O método Fels inflacionou as idades esqueléticas relativamente ao método TW3, resultando numa maior percentagem de sujeitos adiantados maturacionalmente com a primeira metodologia e uma maior percentagem de sujeitos atrasados com o segundo método. Esta verificação corrobora as preocupações evidenciadas por alguns autores (Malina, 2004b; Malina et al., 2007a) no que se refere à dificuldade de utilização da idade esquelética para determinar o correcto enquadramento de um jogador num dado grupo etário. A divisão da amostra por grupos de maturação esquelética mostrou uma distribuição mais homogénea pelas categorias atrasado, normomaturo e adiantado no escalão de infantis, enquanto que no escalão iniciados se verificou uma depressão do grupo atrasado e com um incremento do número de efectivos considerados adiantados maturacionalmente. Esta tendência está de acordo com o apontado por diversos investigadores no que se refere aos jogadores mais adiantados maturacionalmente dominarem o jogo com o avançar das etapas de formação desportiva (Malina et al., 2000; Malina, 2003). O efeito da maturação sobre as variáveis dependentes em estudo, expurgando a acção da idade cronológica e do tamanho corporal, foi maior também no escalão de iniciados. As capacidades funcionais e habilidades motoras mostraram-se predizíveis a partir de um conjunto de indicadores somáticos e de experiência desportiva, assumindo este último (anos de prática) um maior poder explicativo nos iniciados. Antes de abandonar a prática do futebol, os iniciados apresentavam uma maior discrepância em relação ao grupo que se manteve no processo de treino, sendo estas diferenças mais atenuadas no escalão de infantis.
Autores principais:Figueiredo, António José Barata
Assunto:Futebolista Habilidades motoras Capacidades funcionais
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:O presente trabalho assume uma perspectiva auxológica do estudo do jovem futebolista analisando um conjunto de variáveis somáticas, de desempenho funcional e habilidades motoras específicas do futebol. Foram observados 159 futebolistas com idades compreendidas entre os 11.0 e os 15.2 anos, divididos em dois grupos etários de acordo com o regulamento das competições da Federação Portuguesa de Futebol, a saber: infantis (11-12 anos; 11.80.5) e iniciados (13-14 anos; 14.10.6). Foi recolhida a informação somática necessária à determinação do somatótipo e ainda a altura sentado. Na avaliação do desempenho funcional foram utilizados os seguintes testes: Yo-Yo, nível 1, (desempenho aeróbio); prova de 7 sprints (desempenho anaeróbio); 10 x 5 metros (agilidade); squat jump e counter movement jump (impulsão vertical). Na determinação da mestria motora recorreu-se ao seguinte conjunto de provas: controlo da bola; velocidade com bola; passe à parede; remate. O tempo entre as avaliações antropométrica, das capacidades funcionais, das habilidades motoras e a obtenção do filme radiológico, que levou à determinação da idade esquelética, não ultrapassou as duas semanas. Os estádios extremos na distribuição da pilosidade púbica da nossa amostra (estádio 1 e estádio 4) são os que menor concordância evidenciam entre hetero e autoavaliação, desaconselhando a utilização desta última nas fases inicial e final da puberdade. Verificou-se uma similaridade nos resultados da estatura matura predita obtidos através das metodologias Khamis-Guo e Khamis-Roche, confirmando a possibilidade de utilização desta última, mesmo sem recurso à idade esquelética. A estimativa indirecta da idade no pico de velocidade de crescimento, maturity offset, registou valores próximos do relatado para jovens futebolistas (Bell, 1994; Philippaerts et al., 2006). O método Fels inflacionou as idades esqueléticas relativamente ao método TW3, resultando numa maior percentagem de sujeitos adiantados maturacionalmente com a primeira metodologia e uma maior percentagem de sujeitos atrasados com o segundo método. Esta verificação corrobora as preocupações evidenciadas por alguns autores (Malina, 2004b; Malina et al., 2007a) no que se refere à dificuldade de utilização da idade esquelética para determinar o correcto enquadramento de um jogador num dado grupo etário. A divisão da amostra por grupos de maturação esquelética mostrou uma distribuição mais homogénea pelas categorias atrasado, normomaturo e adiantado no escalão de infantis, enquanto que no escalão iniciados se verificou uma depressão do grupo atrasado e com um incremento do número de efectivos considerados adiantados maturacionalmente. Esta tendência está de acordo com o apontado por diversos investigadores no que se refere aos jogadores mais adiantados maturacionalmente dominarem o jogo com o avançar das etapas de formação desportiva (Malina et al., 2000; Malina, 2003). O efeito da maturação sobre as variáveis dependentes em estudo, expurgando a acção da idade cronológica e do tamanho corporal, foi maior também no escalão de iniciados. As capacidades funcionais e habilidades motoras mostraram-se predizíveis a partir de um conjunto de indicadores somáticos e de experiência desportiva, assumindo este último (anos de prática) um maior poder explicativo nos iniciados. Antes de abandonar a prática do futebol, os iniciados apresentavam uma maior discrepância em relação ao grupo que se manteve no processo de treino, sendo estas diferenças mais atenuadas no escalão de infantis.