| Resumo: | Dada a tendência global crescente por busca de soluções que garantem o uso racional de recursos e sistemas sustentáveis de produção de alimentos, gerada pelo crescimento acelerado da população e pelas mudanças nos padrões climáticos, dois estudos foram conduzidos na Quinta do Pinheiro Manso da Escola Superior Agrária de Bragança, com vista a fazer face a estes desafios que a humanidade enfrenta. O primeiro estudo foi realizado com o objetivo de avaliar a evolução do crescimento Primaveril e da qualidade das pastagens de sequeiro Mediterrânicas no Nordeste Transmontano de Portugal, concretamente na Quinta do Pinheiro Manso. Para tal, foram efetuados cortes quinzenalmente das amostras de pastagem a uma altura de 2 cm do solo, em quadrícula de 50 cm x 50 cm, ao longo da Estação de crescimento supra referida. A seguir a cada corte, as amostras eram pesadas e desidratadas em uma estufa com ventilação forçada a 65ºC, e depois tirado o peso da matéria seca (MS). A proteína bruta (PB) e Fibra das amostras foram determinadas em amostras desidratadas a 105ºC seguindo-se respetivamente os procedimentos de kjeldahl e Van Soest. As observações da composição florística (CF) foram efetuadas em três momentos, Outono, Inverno e Primavera, pelo método de Pontos Quadrados de Levy. Ainda neste estudo foram ajustados modelos não lineares ao crescimento da pastagem, com recurso ao método de mínimos quadrados não lineares. Os dados foram analisados em R. Do Outono à Primavera foi observada uma variação em termos da CF, onde a fração das leguminosas aumentou (p<0,05) de 12,23 ± 4,38% para 32,70 ± 6,077%, as gramíneas não variaram (p>0,05), a fração de solo nu reduziu (p<0,05) de 19,10 ± 4,081% para 0,52 ± 0,369% e as outras espécies reduziram (p<0,05) de 38,92 ± 5,234% no Inverno para 21,52 ± 5,625% na Primavera. A produção cumulativa da MS durante a Primavera foi de cerca de 6,2t/ha e a média ao longo dos cortes efetuados foi de 1,04t/ha. Ao longo da mesma Estação Primaveril, a PB teve tendência de reduzir com a evolução do tempo e a Fibra aumentou. Os modelos Logístico, de Weibull, de Ratkowsky e de Gompertz ajustaram a curva de crescimento Primavril da pastagem de sequeiro e o modelo de Weibull foi o que ajustou com melhor qualidade. O segundo estudo, foi realizado com o objetivo de avaliar o efeito da adição de uma mistura de algas marinhas no crescimento e nos atributos de qualidade da carcaça e da carne de cordeiros. Este ensaio teve lugar no mesmo espaço referenciado no primeiro estudo, tendo sido para o efeito utilizados 30 cordeiros da raça Bordaleira-de-Entre-Douroe- Minho, divididos em 3 lotes homogéneos de 10, relativamente ao sexo, tipo de parto e peso vivo (PV) no início do ensaio. Os lotes foram aleatoriamente alocados a três tratamentos: alimento concentrado com adição de 5% de mistura de algas (CA), alimento concentrado (CO) e pastoreio (PA). Todos os cordeiros tiveram acesso ad libitum a água e a feno de prado natural, foram pesados quinzenalmente e o PV foi utilizado para calcular o ganho médio diário (GMD). Após 60 dias de experiência, os cordeiros foram abatidos, as carcaças foram refrigeradas a 4ºC durante 24h, após o qual se obteve o peso de carcaça fria (PCF), tendo-se calculado os rendimentos em carcaça (RCF). A gordura pélvica e renal (GPR) foi removida e pesada. O pH, a capacidade de retenção da água (CRA) avaliada pelas perdas por exsudação e por cocção, a cor (CIELAB) e a tenrura (Warner-Bratzler- Shear-Force) da carne foram medidos no músculo Longissimus lumborum, após 7 dias de maturação embalado a vácuo e armazenado a 4ºC. Os dados foram analisados com o software R. Os cordeiros do tratamento PA apresentaram menor (p<0,05) GMD (102±8,750 g/dia) e não se observaram diferenças (p>0,05) entre os tratamentos CA (173±11,396 g/- dia) e CO (157±15,931 g/dia). Ao comparar-se o GMD antes e durante o ensaio, este aumentou (p<0,05) no tratamento CA, manteve-se (p>0,05) no tratamento CO e diminuiu (p<0,05) no tratamento PA. Comparativamente aos cordeiros do tratamento PA, os dos tratamentos CA e CO apresentaram maior (p<0,05) PCF (7,56±0,289 versus 11,02±0,635 e 9,88±0,331 Kg), maior (p<0,05) RCF (40,4±0,774 versus 44,9±0,595 e 45,2±0,515%) e maior (p<0,05) GPR (187,5±18,162 versus 318,8±35,250 e 322,2±36,430 g). Todas as carcaças apresentaram pH inferior a 5,70 e não se observaram diferenças (p>0,05) entre os tratamentos na cor, na tenrura e na CRA. A formulação de alimento concentrado com 5% da mistura de algas mostrou potencial para melhorar a taxa de crescimento dos cordeiros. |