| Resumo: | A cultura do castanheiro (Castanea sativa Mill.) apresenta grande importância econômica na região Norte de Portugal. A redução da produção nos principais países produtores, devido a problemas fitossanitários, tem impulsionado os preços da castanha e estimulado os produtores a fertilizarem os seus pomares. Neste cenário, empresas de fertilizantes estão propondo soluções de fertilização aos produtores sem devido respaldo da investigação. O objetivo do estudo foi avaliar o efeito da aplicação de fertilizantes comerciais com mecanismos de liberação gradual de nutrientes propostos por uma empresa para a cultura do castanheiro. Foram conduzidos ensaios em dois locais no distrito de Bragança, com delineamento experimental em blocos casualizados e três repetições. Os tratamentos fertilizantes utilizados foram: orgânico de origem vegetal (13:03:05); organo-mineral de longa duração (06:15:08); organo-mineral com ácidos húmicos e fúlvicos (05:14:07); mineral de liberação controlada (18:05:13); e controle sem fertilização. Foram aplicados 3 kg de fertilizante por árvore nos anos 2015, 2016 e 2017 no mês de fevereiro. Avaliou-se o estado nutricional das árvores (mês de julho) e a produtividade em 2015, 2016 e 2017. As características químicas do solo e a atividade da fosfatase ácida foram avaliadas em amostras de solo coletadas em 3 profundidades (0-10 cm, 10-20 cm, e 20-30 cm) após três anos de aplicação dos fertilizantes. O adubo orgânico de origem vegetal (13:03:05) estimulou a atividade da fosfatase ácida na camada 0-10 cm. O estado nutricional das árvores comparado com o limite inferior do intervalo de suficiência, demonstrou que os elementos N e B foram os mais limitantes à cultura do castanheiro. Em rigor, não houve efeito dos fertilizantes sobre a produção acumulada de castanha, uma vez que as diferenças não tiveram significado estatístico, atribuído a elevada variabilidade experimental. No entanto, todos os fertilizantes começaram a destacar-se do controle sem fertilização. Os resultados das características químicas do solo foram pouco relevantes. O estado nutricional e produtividade das árvores indicam que o fertilizante mineral (18:05:13) de liberação controlada revestido por polímeros apresentou tendência de ser o mais adequado à cultura do castanheiro, possivelmente por ser mais concentrado nos elementos mais limitantes detectados pelas análises foliares. Os mecanismos de liberação gradual dos nutrientes não exerceram um efeito relevante no estado nutricional e na produtividade do castanheiro. |