Publicação
Do consenso à prática: reabilitação da disfagia em doentes críticos pós-extubação
| Resumo: | A disfagia pós-extubação é uma complicação frequente em doentes submetidos a ventilação mecânica invasiva, com incidência estimada em 41%1. Esta condição associa-se a pneumonia por aspiração, prolongamento do internamento, desnutrição e aumento da morbilidade e mortalidade2. A identificação precoce e a implementação de programas de reabilitação são fundamentais para minimizar riscos e otimizar resultados em saúde3. Contudo, a evidência científica na área dos cuidados intensivos é escassa, reforçando a necessidade de consensualizar intervenções aplicáveis à prática clínica. Validar, através de consenso de peritos, um conjunto de intervenções de enfermagem de reabilitação para a pessoa com disfagia pós-extubação, de forma a estruturar um programa de reabilitação passível de futura aplicação clínica. Estudo metodológico, utilizando o método Delphi modificado em três rondas, com um painel de peritos multidisciplinar representativo da realidade nacional (enfermagem de reabilitação, medicina intensiva, terapia da fala, fisiatria e nutrição). Foram definidos critérios a priori: consenso ≥75% de concordância; análise mista (estatística descritiva e análise de conteúdo); priorização final por aplicabilidade clínica. Foram validadas 13 intervenções prioritárias. Destaca-se a necessidade de rastreio sistemático da disfagia a partir de 1 hora pós-extubação (quando clinicamente seguro), avaliação clínica obrigatória perante rastreio positivo e avaliação instrumental sempre que necessária. Recomendam-se programas individualizados que incluam exercícios de fortalecimento e reabilitação respiratória, treino vocal, estimulação sensorial, terapia orofacial e mobilidade cervical. A neuroestimulação deve ser aplicada de forma criteriosa e a telerreabilitação surge como ferramenta emergente para continuidade de cuidados e capacitação da família/cuidadores. Este estudo fornece uma base consensual de intervenções, que poderá orientar investigações futuras quanto à eficácia e segurança clínica, consolidando o papel do enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação na gestão da disfagia em contexto de cuidados intensivos. |
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| Autores principais: | Brandão, Frederico |
| Outros Autores: | Couto, Sandra; Costa, Susana; Oliveira, Isabel; Novo, André |
| Assunto: | Transtornos da deglutição Unidades de terapia intensiva Técnica delphi Enfermagem em reabilitação |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital do IPB |
| Resumo: | A disfagia pós-extubação é uma complicação frequente em doentes submetidos a ventilação mecânica invasiva, com incidência estimada em 41%1. Esta condição associa-se a pneumonia por aspiração, prolongamento do internamento, desnutrição e aumento da morbilidade e mortalidade2. A identificação precoce e a implementação de programas de reabilitação são fundamentais para minimizar riscos e otimizar resultados em saúde3. Contudo, a evidência científica na área dos cuidados intensivos é escassa, reforçando a necessidade de consensualizar intervenções aplicáveis à prática clínica. Validar, através de consenso de peritos, um conjunto de intervenções de enfermagem de reabilitação para a pessoa com disfagia pós-extubação, de forma a estruturar um programa de reabilitação passível de futura aplicação clínica. Estudo metodológico, utilizando o método Delphi modificado em três rondas, com um painel de peritos multidisciplinar representativo da realidade nacional (enfermagem de reabilitação, medicina intensiva, terapia da fala, fisiatria e nutrição). Foram definidos critérios a priori: consenso ≥75% de concordância; análise mista (estatística descritiva e análise de conteúdo); priorização final por aplicabilidade clínica. Foram validadas 13 intervenções prioritárias. Destaca-se a necessidade de rastreio sistemático da disfagia a partir de 1 hora pós-extubação (quando clinicamente seguro), avaliação clínica obrigatória perante rastreio positivo e avaliação instrumental sempre que necessária. Recomendam-se programas individualizados que incluam exercícios de fortalecimento e reabilitação respiratória, treino vocal, estimulação sensorial, terapia orofacial e mobilidade cervical. A neuroestimulação deve ser aplicada de forma criteriosa e a telerreabilitação surge como ferramenta emergente para continuidade de cuidados e capacitação da família/cuidadores. Este estudo fornece uma base consensual de intervenções, que poderá orientar investigações futuras quanto à eficácia e segurança clínica, consolidando o papel do enfermeiro especialista em enfermagem de reabilitação na gestão da disfagia em contexto de cuidados intensivos. |
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