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Valor fertilizante de leguminosas herbáceas nos ecossistemas agrícolas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A produção de fertilizantes azotados é responsável por quase um terço da energia consumida na agricultura moderna. Parte significativa dessa energia poderia ser reduzida pelo incremento da fixação biológica, processo que envolve microrganismos com capacidade de utilizar o azoto atmosférico e de o transferir de formas variadas para as plantas. Este tipo de microrganismos pode proporcionar maior quantidade de azoto disponível nos ecossistemas terrestres, tendo grande impacto a nível agronómico, económico e ecológico. Algumas plantas como as leguminosas, podem estabelecer relações simbióticas com microrganismos fixadores e beneficiarem de forma particular da ação dos microrganismos. Por essa razão as leguminosas são componentes valiosos em misturas forrageiras com gramíneas e na rotação de culturas para diminuir a dependência dos fertilizantes azotados. Este trabalho teve por objetivo comparar o desempenho de várias culturas leguminosas e a sua capacidade em aceder ao azoto. Incluiu leguminosas pratenses que foram usadas como sideração para a cultura do milho (Zea mays) e diversas leguminosas de grão cultivadas em sequeiro e em regadio. As leguminosas pratenses foram cultivadas em campo, tendo a biomassa e o solo onde foram cultivadas sido posteriormente usados em ensaio em vasos para avaliar o efeito da sideração na cultura do milho. Em sequeiro cultivou-se grão-de-bico (Cicer arietinum) e feijão-frade (Vigna unguiculata). Em regadio cultivou-se feijão-frade e feijão-comum (Phaseolus vulgaris) (cvs. Maravilha de Piemonte e Manteiga proveniente de Angola). Outra das espécies usadas em regadio foi a soja (Glycine max), tendo sido cultivada em campo sujeita a inoculação com rizóbios específicos e sem inoculação, e em vasos tendo sido sujeita a inoculação e não inoculação combinadas com aplicação e sem aplicação de azoto, ainda em vasos, foi cultivado o feijão trepador (cv. Helda) com e sem aplicação de azoto. Os ensaios decorreram em Bragança na Quinta de Sta Apolónia de setembro de 2015 a outubro de 2016. No ensaio com leguminosas pratenses a maior quantidade de matéria seca foi registrada em trevo-encarnado (Trifolium incarnatum) em comparação com trevo-subterrâneo (Trifolium subterraneum). As duas espécies registaram valores idênticos de azoto recuperado na parte aérea da planta e significativamente superiores à vegetação espontânea usada como testemunha. A produção de biomassa de milho foi mais elevada vi nos vasos com sideração das leguminosas que na modalidade com vegetação espontânea. Nas leguminosas de grão cultivadas em campo sequeiro, o grão-de-bico apresentou maior produção de grão e matéria seca (1505 kg ha-1 e 2700 kg ha-1 respetivamente) que o feijão-frade (955 kg ha-1 e 1788 kg ha-1) e de azoto recuperado na parte aérea da planta (50 kg ha-1 e 43 kg ha-1, respetivamente). Em regadio os melhores resultados de matéria seca no grão (3533 kg ha-1) e na palha (5413 kg ha-1) e azoto recuperado na parte aérea no grão (137 kg ha-1) e na palha (110 kg ha-1) foram obtidos na cultura de feijão-frade, ainda que sem diferenças significativas para o feijão-comum (cv. Manteiga), que obteve de matéria seca no grão 3164 kg ha-1 e na palha 5466 kg ha-1. Na parte aérea, o feijão-comum recuperou 113 kg N ha-1 no grão e 91 kg N ha-1 na palha. Na soja cultivada em vasos, a combinação inóculo mais azoto foi determinante para se obterem valores elevados de matéria seca (63 g vaso-1) e azoto recuperado (1.41 g vaso-1). O mesmo aconteceu com o feijão trepador em que o tratamento com fertilizante azotado apresentou melhores resultados (63 g vaso-1 de matéria seca e 2 g vaso-1 de azoto recuperado). Pelos resultados alcançados neste trabalho, conclui-se que as leguminosas estudadas têm elevado potencial de produção de grão e recuperação de azoto na parte aérea.
Autores principais:Viegas, Rosalino
Assunto:Fixação biológica de azoto Leguminosas de grão Leguminosas pratenses Adubação verde
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:A produção de fertilizantes azotados é responsável por quase um terço da energia consumida na agricultura moderna. Parte significativa dessa energia poderia ser reduzida pelo incremento da fixação biológica, processo que envolve microrganismos com capacidade de utilizar o azoto atmosférico e de o transferir de formas variadas para as plantas. Este tipo de microrganismos pode proporcionar maior quantidade de azoto disponível nos ecossistemas terrestres, tendo grande impacto a nível agronómico, económico e ecológico. Algumas plantas como as leguminosas, podem estabelecer relações simbióticas com microrganismos fixadores e beneficiarem de forma particular da ação dos microrganismos. Por essa razão as leguminosas são componentes valiosos em misturas forrageiras com gramíneas e na rotação de culturas para diminuir a dependência dos fertilizantes azotados. Este trabalho teve por objetivo comparar o desempenho de várias culturas leguminosas e a sua capacidade em aceder ao azoto. Incluiu leguminosas pratenses que foram usadas como sideração para a cultura do milho (Zea mays) e diversas leguminosas de grão cultivadas em sequeiro e em regadio. As leguminosas pratenses foram cultivadas em campo, tendo a biomassa e o solo onde foram cultivadas sido posteriormente usados em ensaio em vasos para avaliar o efeito da sideração na cultura do milho. Em sequeiro cultivou-se grão-de-bico (Cicer arietinum) e feijão-frade (Vigna unguiculata). Em regadio cultivou-se feijão-frade e feijão-comum (Phaseolus vulgaris) (cvs. Maravilha de Piemonte e Manteiga proveniente de Angola). Outra das espécies usadas em regadio foi a soja (Glycine max), tendo sido cultivada em campo sujeita a inoculação com rizóbios específicos e sem inoculação, e em vasos tendo sido sujeita a inoculação e não inoculação combinadas com aplicação e sem aplicação de azoto, ainda em vasos, foi cultivado o feijão trepador (cv. Helda) com e sem aplicação de azoto. Os ensaios decorreram em Bragança na Quinta de Sta Apolónia de setembro de 2015 a outubro de 2016. No ensaio com leguminosas pratenses a maior quantidade de matéria seca foi registrada em trevo-encarnado (Trifolium incarnatum) em comparação com trevo-subterrâneo (Trifolium subterraneum). As duas espécies registaram valores idênticos de azoto recuperado na parte aérea da planta e significativamente superiores à vegetação espontânea usada como testemunha. A produção de biomassa de milho foi mais elevada vi nos vasos com sideração das leguminosas que na modalidade com vegetação espontânea. Nas leguminosas de grão cultivadas em campo sequeiro, o grão-de-bico apresentou maior produção de grão e matéria seca (1505 kg ha-1 e 2700 kg ha-1 respetivamente) que o feijão-frade (955 kg ha-1 e 1788 kg ha-1) e de azoto recuperado na parte aérea da planta (50 kg ha-1 e 43 kg ha-1, respetivamente). Em regadio os melhores resultados de matéria seca no grão (3533 kg ha-1) e na palha (5413 kg ha-1) e azoto recuperado na parte aérea no grão (137 kg ha-1) e na palha (110 kg ha-1) foram obtidos na cultura de feijão-frade, ainda que sem diferenças significativas para o feijão-comum (cv. Manteiga), que obteve de matéria seca no grão 3164 kg ha-1 e na palha 5466 kg ha-1. Na parte aérea, o feijão-comum recuperou 113 kg N ha-1 no grão e 91 kg N ha-1 na palha. Na soja cultivada em vasos, a combinação inóculo mais azoto foi determinante para se obterem valores elevados de matéria seca (63 g vaso-1) e azoto recuperado (1.41 g vaso-1). O mesmo aconteceu com o feijão trepador em que o tratamento com fertilizante azotado apresentou melhores resultados (63 g vaso-1 de matéria seca e 2 g vaso-1 de azoto recuperado). Pelos resultados alcançados neste trabalho, conclui-se que as leguminosas estudadas têm elevado potencial de produção de grão e recuperação de azoto na parte aérea.