| Resumo: | A qualidade do sono desempenha um papel fundamental na regulação fisiológica, cognitiva e emocional, sendo particularmente relevante em populações jovens expostas a elevados níveis de exigência académica. Entre estudantes universitários, padrões de sono irregulares e privação de sono são frequentes e podem influenciar comportamentos alimentares, potenciando o risco de transtornos alimentares. Objetivos: Analisar a relação entre a qualidade do sono e o risco de desenvolvimento de transtornos alimentares em estudantes universitários. Metodologia: Estudo observacional, transversal, realizado em 120 estudantes do Instituto Politécnico de Bragança. A recolha de dados foi efetuada através de um questionário, constituído por questões sociodemográficas e pela aplicação do Pittsburgh Sleep Quality Index e o Eating Attitudes Test . O tratamento estatístico foi realizado no IBM SPSS Statistics versão 31, considerando p < 0,05. Resultados: Os indivíduos apresentavam uma idade média de 21,0 anos (DP = 2,64). 84,2% não apresentaram risco de transtornos alimentares, enquanto 15,8% evidenciaram risco. Relativamente ao sono, 92,5% apresentaram má qualidade do sono e apenas 7,5% boa qualidade. Dado que os dados não seguiram distribuição normal, utilizou se a correlação de Spearman, não se verificando associação significativa entre os scores do PSQI e do EAT 26 (p = 0,422). Nenhuma componente do PSQI apresentou correlação estatisticamente significativa com o risco de comportamentos alimentares disfuncionais. Discussão: Embora a elevada prevalência de má qualidade do sono seja consistente com estudos prévios em populações universitárias, a ausência de associação significativa com o risco de transtornos alimentares sugere que esta relação poderá ser influenciada por outros fatores, como stress académico, saúde mental, hábitos alimentares ou variáveis comportamentais não avaliadas. Assim, torna se pertinente desenvolver investigações futuras com amostras mais amplas, metodologias longitudinais e inclusão de variáveis psicológicas e contextuais que permitam compreender de forma mais abrangente a interação entre sono e comportamentos alimentares mais alargados e a análise de outros fatores potencialmente associados. |