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Impacto das questões ecológicas na compra de alimentos: a perspetiva dos estudantes africanos

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Resumo:A sustentabilidade é um dos maiores desafios que as sociedades enfrentam na atualidade. Questões relacionadas com a sustentabilidade alimentar dos consumidores, como por exemplo, comportamento sustentável de compra de alimentos, entre outros, são colocadas na agenda pública, comprovando a sua relevância e interesse (Hansen, 2022). Mudar os padrões de consumo para um nível mais sustentável parece ser um objetivo crítico a alcançar para um futuro sustentável (Bradshaw & Brook, 2014). Na literatura é referida a discrepância entre a atitude positiva em relação à ideia de sustentabilidade e o comportamento do consumidor (Kuźniar et al, 2021). Isto é, nem sempre a atitude se traduz em comportamentos ecológicos ou consumo sustentável. No entanto, o conhecimento pode ser uma poderosa técnica de mudança de comportamento quando adaptado a todo o processo de compra, incluindo o planeamento, a execução e a reflexão sobre a compra de alimentos (Ran et al., 2022). Neste contexto, a presente investigação teve como objetivo verificar se o interesse e o conhecimento sobre questões ecológicas, bem como o planeamento consciente das compras tinham impacto sobre os hábitos de compra de alimentos mais sustentáveis. Foi desenvolvido um estudo quantitativo, baseado na aplicação da escala de Kuźniar, Surmacz e Wierzbiński (2021). Esta escala é constituída por 17 afirmações que têm como opção de resposta uma escala tipo Likert que varia de 1 (discordo completamente) a 7 (concordo completamente). Posteriormente, estas afirmações foram distribuídas por 4 dimensões, nomeadamente, (1) interesse no conhecimento ecológico, (2) conhecimento de questões ecológicas, (3) hábitos de compra ecológicos e (4) planeamento consciente das compras. Foi recolhida uma amostra não probabilística selecionada por conveniência, no período de setembro de 2022 a 15 janeiro de 2023. A amostra deste estudo era constituída por 204 estudantes, do ensino superior, de origem africana, de seis nacionalidades diferentes, nomeadamente, Cabo-verdiana (61,3%), Guineense (27,5%), Angolana (5,9%), Santomense (4,4%), Argelina (0,5%) e Moçambicana (0,5%). Os estudantes tinham idade compreendida entre 18 e 42 anos. A média de idades registada foi de 22,3 anos (DP = 3,799). A maioria dos inquiridos estudava e vivia em Portugal (71,6%) e residia nos distritos de Bragança (43,1%) e Lisboa (10,3%). Os inquiridos eram, na sua maioria, do género feminino (53,9%) e faziam parte de um agregado familiar com pelo menos 3 elementos (50,0%). O rendimento do agregado familiar era inferior a 750 euros/mês (72,5%), tendo os inquiridos referido ter algumas (50,5%) ou graves carência financeiras (13,7%). Os resultados evidenciaram que, em termos médios, os “Hábitos de compra sustentáveis” foi a dimensão que registou o valor mais baixo (x ̅ = 3,95; DP = 1,806) seguido, do “Interesse pelo conhecimento ecológico” (x ̅ = 4,27; DP = 1,903), do “Conhecimento das questões ecológicas" (x ̅ = 4,28; DP = 1,884) e do “Planeamento consciente da compra de alimentos” (x ̅ = 4,47; DP = 1,967). Estes valores são indicadores de comportamentos, moderadamente, pró-ecológicos. Verificar a origem dos alimentos que compra, preferir produtos cultivados regionalmente ou localmente e levar sempre sacos próprios reutilizáveis quando faz compras são fatores que ajudam a melhorar a sustentabilidade dos hábitos de compra. A estimação de um modelo de regressão multivariada permitiu verificar que as variáveis explicativas, designadamente, o interesse pelo conhecimento ecológico (X1), o nível de conhecimento sobre questões ecológicas (X2) e o planeamento consciente da compra de alimentos (X3) tiveram um impacto, estatisticamente, significativo e positivo nos hábitos de compra de alimentos mais sustentáveis (Y). Tendo em conta o R2 ajustado, verificou-se que 79,1% das variações dos hábitos de compra eram explicados pelo interesse ecológico, conhecimento de questões ecológicas e planeamento consciente da compra de alimentos. Os contributos destas variáveis para explicar os hábitos de compra de alimentos mais sustentáveis foram, de acordo com os coeficientes padronizados, por ordem decrescente de importância, o planeamento consciente da compra de alimentos (0,535), seguido do interesse pelas questões ecológicas (0,245) e do nível de conhecimento de questões ecológicas (0,166). Resultados semelhantes foram obtidos num estudo desenvolvido por Moisés et al. (2023) que envolveu 696 consumidores portugueses com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos. Os resultados da presente investigação são, também, corroborados pelos resultados do estudo desenvolvido por Kuźniar, Surmacz e Wierzbiński (2021), realizado na Polónia, tendo por base uma amostra de 265 consumidores. A presente investigação explorou as relações entre os hábitos de compra de alimentos mais sustentáveis, o planeamento consciente da compra de alimentos, e o interesse e conhecimento ecológico de estudantes do ensino superior de origem africana. Os resultados obtidos fornecem informações que são fundamentais para direcionar esforços, desenhar e implementar estratégias voltadas para a promoção de comportamentos mais sustentáveis e conscientes em relação ao meio ambiente aquando da compra de alimentos.
Autores principais:Ribeiro, Maria Isabel
Outros Autores:Moisés, Cristiano; Fernandes, António
Assunto:Hábitos de compra Consumidor Conhecimento ecológico Atitude ambiental Alimentos
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
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Neste contexto, a presente investigação teve como objetivo verificar se o interesse e o conhecimento sobre questões ecológicas, bem como o planeamento consciente das compras tinham impacto sobre os hábitos de compra de alimentos mais sustentáveis. Foi desenvolvido um estudo quantitativo, baseado na aplicação da escala de Kuźniar, Surmacz e Wierzbiński (2021). Esta escala é constituída por 17 afirmações que têm como opção de resposta uma escala tipo Likert que varia de 1 (discordo completamente) a 7 (concordo completamente). Posteriormente, estas afirmações foram distribuídas por 4 dimensões, nomeadamente, (1) interesse no conhecimento ecológico, (2) conhecimento de questões ecológicas, (3) hábitos de compra ecológicos e (4) planeamento consciente das compras. Foi recolhida uma amostra não probabilística selecionada por conveniência, no período de setembro de 2022 a 15 janeiro de 2023. A amostra deste estudo era constituída por 204 estudantes, do ensino superior, de origem africana, de seis nacionalidades diferentes, nomeadamente, Cabo-verdiana (61,3%), Guineense (27,5%), Angolana (5,9%), Santomense (4,4%), Argelina (0,5%) e Moçambicana (0,5%). Os estudantes tinham idade compreendida entre 18 e 42 anos. A média de idades registada foi de 22,3 anos (DP = 3,799). A maioria dos inquiridos estudava e vivia em Portugal (71,6%) e residia nos distritos de Bragança (43,1%) e Lisboa (10,3%). Os inquiridos eram, na sua maioria, do género feminino (53,9%) e faziam parte de um agregado familiar com pelo menos 3 elementos (50,0%). O rendimento do agregado familiar era inferior a 750 euros/mês (72,5%), tendo os inquiridos referido ter algumas (50,5%) ou graves carência financeiras (13,7%). Os resultados evidenciaram que, em termos médios, os “Hábitos de compra sustentáveis” foi a dimensão que registou o valor mais baixo (x ̅ = 3,95; DP = 1,806) seguido, do “Interesse pelo conhecimento ecológico” (x ̅ = 4,27; DP = 1,903), do “Conhecimento das questões ecológicas" (x ̅ = 4,28; DP = 1,884) e do “Planeamento consciente da compra de alimentos” (x ̅ = 4,47; DP = 1,967). Estes valores são indicadores de comportamentos, moderadamente, pró-ecológicos. Verificar a origem dos alimentos que compra, preferir produtos cultivados regionalmente ou localmente e levar sempre sacos próprios reutilizáveis quando faz compras são fatores que ajudam a melhorar a sustentabilidade dos hábitos de compra. A estimação de um modelo de regressão multivariada permitiu verificar que as variáveis explicativas, designadamente, o interesse pelo conhecimento ecológico (X1), o nível de conhecimento sobre questões ecológicas (X2) e o planeamento consciente da compra de alimentos (X3) tiveram um impacto, estatisticamente, significativo e positivo nos hábitos de compra de alimentos mais sustentáveis (Y). Tendo em conta o R2 ajustado, verificou-se que 79,1% das variações dos hábitos de compra eram explicados pelo interesse ecológico, conhecimento de questões ecológicas e planeamento consciente da compra de alimentos. Os contributos destas variáveis para explicar os hábitos de compra de alimentos mais sustentáveis foram, de acordo com os coeficientes padronizados, por ordem decrescente de importância, o planeamento consciente da compra de alimentos (0,535), seguido do interesse pelas questões ecológicas (0,245) e do nível de conhecimento de questões ecológicas (0,166). Resultados semelhantes foram obtidos num estudo desenvolvido por Moisés et al. (2023) que envolveu 696 consumidores portugueses com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos. Os resultados da presente investigação são, também, corroborados pelos resultados do estudo desenvolvido por Kuźniar, Surmacz e Wierzbiński (2021), realizado na Polónia, tendo por base uma amostra de 265 consumidores. A presente investigação explorou as relações entre os hábitos de compra de alimentos mais sustentáveis, o planeamento consciente da compra de alimentos, e o interesse e conhecimento ecológico de estudantes do ensino superior de origem africana. Os resultados obtidos fornecem informações que são fundamentais para direcionar esforços, desenhar e implementar estratégias voltadas para a promoção de comportamentos mais sustentáveis e conscientes em relação ao meio ambiente aquando da compra de alimentos.
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Foi recolhida uma amostra não probabilística selecionada por conveniência, no período de setembro de 2022 a 15 janeiro de 2023. A amostra deste estudo era constituída por 204 estudantes, do ensino superior, de origem africana, de seis nacionalidades diferentes, nomeadamente, Cabo-verdiana (61,3%), Guineense (27,5%), Angolana (5,9%), Santomense (4,4%), Argelina (0,5%) e Moçambicana (0,5%). Os estudantes tinham idade compreendida entre 18 e 42 anos. A média de idades registada foi de 22,3 anos (DP = 3,799). A maioria dos inquiridos estudava e vivia em Portugal (71,6%) e residia nos distritos de Bragança (43,1%) e Lisboa (10,3%). Os inquiridos eram, na sua maioria, do género feminino (53,9%) e faziam parte de um agregado familiar com pelo menos 3 elementos (50,0%). O rendimento do agregado familiar era inferior a 750 euros/mês (72,5%), tendo os inquiridos referido ter algumas (50,5%) ou graves carência financeiras (13,7%). Os resultados evidenciaram que, em termos médios, os “Hábitos de compra sustentáveis” foi a dimensão que registou o valor mais baixo (x ̅ = 3,95; DP = 1,806) seguido, do “Interesse pelo conhecimento ecológico” (x ̅ = 4,27; DP = 1,903), do “Conhecimento das questões ecológicas" (x ̅ = 4,28; DP = 1,884) e do “Planeamento consciente da compra de alimentos” (x ̅ = 4,47; DP = 1,967). Estes valores são indicadores de comportamentos, moderadamente, pró-ecológicos. Verificar a origem dos alimentos que compra, preferir produtos cultivados regionalmente ou localmente e levar sempre sacos próprios reutilizáveis quando faz compras são fatores que ajudam a melhorar a sustentabilidade dos hábitos de compra. 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