| Resumo: | O desenvolvimento urbano interfere nas características do clima local, criando um clima urbano resultante da cobertura de solo, da geometria urbana local e da presença de atividades antrópicas (ex. libertação de calor). Essas alterações no clima das cidades, levam a que, entre outros efeitos, as temperaturas nos espaços urbanos sejam frequentemente mais altas do que no meio rural, resultando no Efeito de Ilha de Calor Urbano (EICU). A Ilha de Calor Urbano é resultado de uma maior inércia térmica nas áreas urbanas que levam ao arrefecimento tardio nessas áreas. Considerando a importância de estudar o clima urbano e especialmente a Ilha de Calor Urbano, esse estudo teve como objetivo caracterizar esse fenômeno na cidade de Bragança (Portugal). Para isso, uma rede de monitorização de 23 sensores complementada com uma estação meteorológica automática foi instalada na área urbana e rural da cidade conforme o conceito de Zona Climática Local, de modo a recolher dados de temperatura, humidade relativa do ar, precipitação, velocidade e direção do vento. Os resultados demonstraram a existência do EICU na cidade em todas as estações do ano, com maior destaque no verão. Nessa estação verificou-se as maiores diferenças entre zonas urbanas e rurais com média de 1,27°C e máximo de 7,57°C. No inverno a intensidade do EICU caiu para média de 0,77°C embora tenha sido registrado valor máximo de 5,28°C. As máximas intensidades foram observadas poucas horas antes do nascer do sol e em condições de vento fraco e baixa precipitação. Observou-se ainda o fenômeno de Ilha de Frio durante o período diurno, ainda mais intenso nas primeiras horas após o nascer do Sol, com valores máximos que chegaram a -5,30°C no verão e -7,35°C no inverno. Os mapas de isolinhas vieram ainda confirmar a ocorrência de maiores temperaturas onde também há maior intensidade do EICU e as menores temperaturas nos pontos mais altos da cidade ou em locais com influência de rio, no período diurno e noturno respectivamente. Portanto, a partir dos resultados encontrados, conclui-se que especial atenção deve ser dada às zonas mais urbanizadas, responsáveis pelas máximas intensidades do EICU, incorporando medidas mitigadoras (ex. superfícies de elevado albedo, presença de vegetação, etc.), para além da preservação dos espaços verdes existentes, uma vez que contribuíram para diminuição da temperatura em épocas mais quentes. |