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Fatores sociodemográficos associados à (in) capacidade de memorização da medicação no doente crónico

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Vários estudos indicam que a memória para informações médicas, inclusive memorizar o regime terapêutico, é fundamental para uma boa adesão ao tratamento recomendado. Este estudo teve como objetivo identificar fatores sociodemográficos associados à dificuldade dos doentes, com patologias abrangidas por Regime Excecional de Comparticipação, recordarem todos os medicamentos que fazem parte do seu regime terapêutico METODOS: Foi realizado um estudo observacional, transversal e analítico, com base numa amostra aleatória, constituída por 54 doentes crónicos, com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos, que adquirem os seus medicamentos nos serviços farmacêuticos da Unidade Local de Saúde do Nordeste. Como instrumento foi utilizado um questionário que incluiu variáveis de natureza socioeconómica, nomeadamente, género, idade, estado civil, escolaridade, situação profissional e o nível rendimento do agregado familiar. Foi, ainda, colocada a questão “com que frequência tem dificuldade em recordar todos os medicamentos que fazem parte do seu regime terapêutico”. As variáveis foram dicotomizadas procedendo-se, de seguida, à construção de tabelas de contingência e ao cálculo do odds ratio (OR) e respetivo intervalo de confiança (IC) (95%) RESULTADOS: Verificou-se que a maioria dos doentes era casada ou vivia em regime de coabitação (63%), reformada ou inválida (48,1%) e ativa (44,1%), residia em meio urbano (64,8%), possuía o ensino básico (51,9%) e usufruía de um rendimento até 1000 € (59,3%). A maioria dos doentes analisados tinham insuficiência renal crónica (40,7%), seguido de artrite reumatoide (35,2%) e esclerose múltipla (14,8%). Foram identificados os seguintes fatores sociodemográficos associados à dificuldade em recordar toda a medicação que faz parte do regime terapêutico: o género (OR=6,4; IC=1,856-22,068), a idade (OR=0,156; IC:0,045-0,539), o estado civil (OR=4,0; IC:1,106-14,465), a situação profissional (OR=0,230; IC:0,068-0,779), o nível de rendimento do agregado familiar (OR=3,4; IC:1,11-11,451) e o nível de escolaridade (OR=0,523; IC:0,394-0,693) CONCLUSIONES: O risco inerente à dificuldade em recordar todos os medicamentos é maior nos doentes do género feminino, casados e com níveis de rendimento mais baixos. Os resultados sugerem que a idade (<65 anos), a situação profissional (ativo) e o nível de escolaridade (>12 anos) exercem um efeito protetor. Durante a dispensa de medicamentos, os profissionais de farmácia devem estar atentes às características dos doentes que podem influenciar a sua adesão ao tratamento de forma a otimizar o uso racional de medicamentos
Autores principais:Ribeiro, Maria Isabel
Outros Autores:Roque, Fátima; Nascimento, Luís; Aragão, Maria Ângela
Assunto:Adesão à terapêutica Medicação Memorização Fatores sociodemográficos Farmácia hospitalar Doentes crónicos
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:póster em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital do IPB
Descrição
Resumo:Vários estudos indicam que a memória para informações médicas, inclusive memorizar o regime terapêutico, é fundamental para uma boa adesão ao tratamento recomendado. Este estudo teve como objetivo identificar fatores sociodemográficos associados à dificuldade dos doentes, com patologias abrangidas por Regime Excecional de Comparticipação, recordarem todos os medicamentos que fazem parte do seu regime terapêutico METODOS: Foi realizado um estudo observacional, transversal e analítico, com base numa amostra aleatória, constituída por 54 doentes crónicos, com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos, que adquirem os seus medicamentos nos serviços farmacêuticos da Unidade Local de Saúde do Nordeste. Como instrumento foi utilizado um questionário que incluiu variáveis de natureza socioeconómica, nomeadamente, género, idade, estado civil, escolaridade, situação profissional e o nível rendimento do agregado familiar. Foi, ainda, colocada a questão “com que frequência tem dificuldade em recordar todos os medicamentos que fazem parte do seu regime terapêutico”. As variáveis foram dicotomizadas procedendo-se, de seguida, à construção de tabelas de contingência e ao cálculo do odds ratio (OR) e respetivo intervalo de confiança (IC) (95%) RESULTADOS: Verificou-se que a maioria dos doentes era casada ou vivia em regime de coabitação (63%), reformada ou inválida (48,1%) e ativa (44,1%), residia em meio urbano (64,8%), possuía o ensino básico (51,9%) e usufruía de um rendimento até 1000 € (59,3%). A maioria dos doentes analisados tinham insuficiência renal crónica (40,7%), seguido de artrite reumatoide (35,2%) e esclerose múltipla (14,8%). Foram identificados os seguintes fatores sociodemográficos associados à dificuldade em recordar toda a medicação que faz parte do regime terapêutico: o género (OR=6,4; IC=1,856-22,068), a idade (OR=0,156; IC:0,045-0,539), o estado civil (OR=4,0; IC:1,106-14,465), a situação profissional (OR=0,230; IC:0,068-0,779), o nível de rendimento do agregado familiar (OR=3,4; IC:1,11-11,451) e o nível de escolaridade (OR=0,523; IC:0,394-0,693) CONCLUSIONES: O risco inerente à dificuldade em recordar todos os medicamentos é maior nos doentes do género feminino, casados e com níveis de rendimento mais baixos. Os resultados sugerem que a idade (<65 anos), a situação profissional (ativo) e o nível de escolaridade (>12 anos) exercem um efeito protetor. Durante a dispensa de medicamentos, os profissionais de farmácia devem estar atentes às características dos doentes que podem influenciar a sua adesão ao tratamento de forma a otimizar o uso racional de medicamentos