| Resumo: | A União Europeia definiu a redução do consumo de energia e aumento da eficiência energética como objetivos da política energética para as próximas décadas. De todos os usos de energia num edifício, o aquecimento e o arrefecimento de espaço ocupam um lugar de destaque, por representarem uma considerável quota da energia consumida nos edifícios, e também pela importância que assumem para a saúde e bem-estar dos ocupantes. Paralelamente, a Diretiva 2018/844 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 30 de maio de 2018, relativa ao desempenho energético dos edifícios (Diretiva EPBD) mediante, entre outras disposições, a introdução de um artigo que prevê a elaboração, pelos Estados Membros, de uma estratégia de longo prazo para apoiar a renovação, até 2050, dos respetivos parques nacionais de edifícios (não) residenciais, públicos e privados, incluindo um roteiro com medidas e objetivos indicativos para 2030, 2040 e 2050. Em Portugal, os edifícios são atualmente responsáveis por uma parte significativa das emissões nacionais de gases com efeito de estufa, cerca de 42% em 2020. Os edifícios, que incluem os sectores residencial e de serviços, são grandes consumidores de energia sendo responsáveis por cerca de 30% do consumo de energia final e são uma das fontes mais significativas de emissão de CO2 [RNC2050]. O baixo desempenho energético dos edifícios e um consumo de energia pouco significativo para a climatização no setor residencial, aliados a vários indicadores que apontam no sentido da ocorrência de uma taxa elevada de pobreza energética na população, levam a considerar que as condições de conforto térmico poderão não estar a ser garantidas. Embora as redes de aquecimento e arrefecimento possam constituir apenas uma solução de nicho em Portugal, redes de pequenas escalas podem vir a ser uma solução em outras situações – o que se ajusta perfeitamente aos novos conceitos de micro-redes e comunidades de energia. O presente trabalho teve como foco o estudo e dimensionamento de uma micro-rede térmica e elétrica para um conjunto de moradias socias e um edifício de serviço visando a melhoria do seu desempenho energético pela aplicação de várias medidas de melhoria para mitigar um dos grandes desafios atuais, como, a pobreza energética nos edifícios, a necessidade do aumento da eficiência e a implementação de tecnologias com recurso a energia de baixo custo. Como ponto de partida foi realizada uma revisão bibliográfica que permitiu aprofundar o conhecimento acerca das ferramentas modelação e simulação energética de edifícios, micro-rede térmica e elétrica, na vertente do seu dimensionamento com recurso a ferramentas de computação dinâmica. |