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Monstros do tamanho normal no grande mundo analógico

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Resumo:Este artigo toma como objecto de estudo dois filmes da obra do realizador, Tetsuo (Tetsuo I: O Homem de Aço) e Tetsuo II: BodyHammer (Tetsuo II: O Ciberpunk), que definimos como um díptico, ou seja, duas variações para uma mesma temática. Na nossa perspectiva, do ponto de vista temático, estes filmes surgem fundamentalmente alicerçados, embora com algumas derivações e incursões noutros domínios, na relação entre o sujeito e o ambiente urbano hipertecnologizado, característico de muitos territórios contemporâneos. Em cada dos filmes, um ou mais corpos letárgicos, dessensibilizados, emergem mediante um momento catalisador que lhes devolve o fulgor vital cerceado pela urbanidade, pela tecnologia e pela norma social representadas imageticamente pela cidade fria, altiva, sufocante. Os indivíduos tomam gradualmente consciência de si como matéria sensível e perecível. Nesta jornada é-lhes imposta como condição sine qua non a dor, que pode significar a dilaceração da carne ou a ruína emocional. No entanto, a conclusão do percurso beneficia-os com o regresso à noção de corporeidade e à capacidade de usufruir das emoções. É assim nosso propósito procurar compreender, mediante uma perspectiva crítica, o ímpeto tecnológico contemporâneo que equaciona possibilidades como a dismorfia, a obsolescência ou a abolição do corpo e a desfragmentação ou desmaterialização do espaço físico, originadoras de reflexões acerca do futuro do humano no cruzamento entre estas noções e o vasto e inusitado repertório imagético e conceptual que constitui o imaginário do cinema de Tsukamoto.
Autores principais:Alves, Marta Pinho
Assunto:Cibercultura Cinema Shinya Tsukamoto
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Setúbal
Idioma:português
Origem:Instituto Politécnico de Setúbal
Descrição
Resumo:Este artigo toma como objecto de estudo dois filmes da obra do realizador, Tetsuo (Tetsuo I: O Homem de Aço) e Tetsuo II: BodyHammer (Tetsuo II: O Ciberpunk), que definimos como um díptico, ou seja, duas variações para uma mesma temática. Na nossa perspectiva, do ponto de vista temático, estes filmes surgem fundamentalmente alicerçados, embora com algumas derivações e incursões noutros domínios, na relação entre o sujeito e o ambiente urbano hipertecnologizado, característico de muitos territórios contemporâneos. Em cada dos filmes, um ou mais corpos letárgicos, dessensibilizados, emergem mediante um momento catalisador que lhes devolve o fulgor vital cerceado pela urbanidade, pela tecnologia e pela norma social representadas imageticamente pela cidade fria, altiva, sufocante. Os indivíduos tomam gradualmente consciência de si como matéria sensível e perecível. Nesta jornada é-lhes imposta como condição sine qua non a dor, que pode significar a dilaceração da carne ou a ruína emocional. No entanto, a conclusão do percurso beneficia-os com o regresso à noção de corporeidade e à capacidade de usufruir das emoções. É assim nosso propósito procurar compreender, mediante uma perspectiva crítica, o ímpeto tecnológico contemporâneo que equaciona possibilidades como a dismorfia, a obsolescência ou a abolição do corpo e a desfragmentação ou desmaterialização do espaço físico, originadoras de reflexões acerca do futuro do humano no cruzamento entre estas noções e o vasto e inusitado repertório imagético e conceptual que constitui o imaginário do cinema de Tsukamoto.