| Resumo: | A perceção de risco condiciona a forma como os trabalhadores da construção civil identificam e enfrentam os perigos do seu quotidiano profissional. Num setor onde a sinistralidade é elevada, onde os trabalhadores estão expostos a uma multiplicidade de riscos e as condições de trabalho variam constantemente, compreender esta perceção é essencial para definir estratégias de prevenção eficazes e fortalecer uma cultura organizacional de segurança. O estudo analisou a perceção de risco de 51 trabalhadores de cinco estaleiros de construção civil portugueses, com base no paradigma psicométrico, e procurou averiguar até que ponto a perceção do risco se materializa na adoção de comportamentos seguros no contexto da amostra. Foi adotada uma metodologia baseada num questionário estruturado composto por quatro partes (I – Perceção de risco, II - Comportamentos de segurança; III – Experiência de acidentes e doenças de trabalho; IV – Caracterização sociodemográfica). Os trabalhadores da amostra apresentaram uma perceção de risco de nível moderado, tanto em termos de perceção global (6,3 ± 2,5, em escala de 1 a 10), como de perceção cognitiva e emocional. As dimensões que se verificaram determinantes na perceção global de risco dos trabalhadores foram a gravidade das consequências (A5), a probabilidade de ocorrência (A4), o receio de sofrer dano (A3) e o potencial catastrófico do dano (A8). Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas de perceção global de risco entre classes das variáveis sociodemográficas (idade, sexo, habilitações literárias) ou socioprofissionais (antiguidade na profissão e função desempenhada). Também não se verificou correlação significativa entre a perceção global de risco dos trabalhadores e a experiência de acidentes de trabalho ou o número de horas de formação recebida. Os riscos a que os inquiridos se consideram mais expostos e que causam um grau de preocupação mais elevado, embora moderado, foram a queda/projeção de objetos, queda em altura, contacto com objeto cortante, stress e exposição ao ruído. As atividades percecionadas como de maior risco, embora moderado, foram a cofragem/descofragem e escoramento, montagem/desmontagem de andaimes, demolições manuais e manobra de gruas. Os trabalhadores reportaram genericamente uma boa adesão aos comportamentos de segurança (nomeadamente, utilização de Equipamentos de Proteção Individual e cumprimento de regras e procedimentos de segurança), e à formação em SST. Propõem-se medidas para melhorar a perceção do risco e a motivação para a segurança por parte destes trabalhadores. |