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Perceção de risco, experiência de acidentes e comportamentos de segurança na atividade de bombeiro

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Sendo a perceção de risco a forma como cada um interpreta determinado situação ou contexto como perigoso, importa perceber o que influencia esta análise tão individual, para que se possam adotar as estratégias adequadas de prevenção de acidentes e sensibilização para a saúde e segurança no trabalho. O presente estudo visa a análise da perceção de risco no seio de uma amostra de bombeiros portugueses, com base em determinantes como a experiência de acidentes de trabalho e os fatores sociodemográficos (idade, género, número de filhos, habilitações literárias) e socioprofissionais (tipo de vínculo profissional, antiguidade na profissão, número de horas de formação anual). Para além dos determinantes da perceção de risco, procurou-se também investigar a relação entre a perceção de risco e a adoção de comportamentos de segurança por parte dos bombeiros (como a utilização de equipamentos de proteção individual, a atitude face a regras e procedimentos de segurança e a atitude face à formação para a segurança). A amostra, obtida por conveniência, foi constituída por bombeiros de corporações de duas zonas geográficas, Porto e Setúbal, tanto voluntários como sapadores (Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, Bombeiros Voluntários Portuenses e Bombeiros Voluntários de Setúbal). O questionário, construído com base na revisão da literatura e no método do paradigma psicométrico, foi administrado eletronicamente, tendo-se obtido 59 questionários respondidos e validados. Da análise dos resultados, concluiu-se que a perceção de risco dos bombeiros participantes é elevada (média de 8.61, numa escala de 1 a 10). A perceção de risco cognitivo (grau de exposição que os bombeiros consideram ter a vários riscos) apresentou uma média de 5.18, numa escala de 1 a 7, valor mais elevado do que a perceção de risco emocional (grau de preocupação que os bombeiros manifestaram relativamente aos vários riscos) que apresentou uma média de 4.88.Das nove dimensões (A1 a A9) consideradas pelo modelo do paradigma psicométrico, as dimensões associadas ao receio de sofrer dano (A3), probabilidade de ocorrência/vulnerabilidade pessoal (A4) e a gravidade da lesão ou doença (A5), são as que mais influenciam a perceção global de risco dos bombeiros da amostra. Os bombeiros consideram estar mais expostos e a um nível elevado, aos riscos ergonómicos, decorrentes do manuseamento de cargas ou ferramentas pesadas, que poderão levar às lesões músculo-esqueléticas de que 60% dos bombeiros inquiridos refere ser vítima. Os bombeiros consideram também estar expostos a um nível elevado, e por ordem decrescente, a riscos associados aos turnos noturnos ou prolongados, riscos respiratórios (intoxicações, asfixia, doença pulmonar), stress térmico, stress (burnout, ansiedade, depressão), riscos biológicos, risco de queimadura e risco de explosão. Os resultados obtidos permitiram concluir não existir evidência estatística da influência das variáveis sociodemográficas, tipo de vínculo ou experiência de acidentes de trabalho, na perceção de risco dos bombeiros. No entanto, verificou-se uma relação significativa positiva entre a perceção de risco e a variável antiguidade na profissão, concluindo-se que os bombeiros com mais de 20 anos de serviço apresentam uma maior perceção global de risco. Verificou- se também uma relação significativa positiva entre a perceção de risco e o número anual de horas de formação/treino. Finalmente, no tocante à relação entre a perceção de risco e comportamentos de segurança, verificou-se que os bombeiros que mais afirmam aplicar sempre regras e procedimentos de segurança são também os que tendem a apresentar uma perceção de risco mais elevada; e os bombeiros que consideram desnecessários ou prejudiciais alguns procedimentos de segurança, tendem a apresentar uma perceção de risco inferior. A profissão de bombeiro sujeita os seus operacionais a um ambiente stressante, hostil e com múltiplos riscos. A cultura “Vida por vida” encontra-se enraizada no seio dos bombeiros, pois estes não refutaram de forma clara a prioridade que atribuem ao salvamento em detrimento da própria segurança. Fica assim clara a importância de analisar de que forma os bombeiros portugueses percecionam o risco no cumprimento da sua missão, no sentido de implementar estratégias eficazes, nomeadamente de formação para a segurança, por forma a que os bombeiros considerem a sua segurança como uma prioridade.
Autores principais:Fialho, Mário Luis Falcão Murta Mariani
Assunto:Bombeiros Perceção de Risco Acidentes de Trabalho Comportamento de Segurança Firefighters Risk Perception Analysis Interpretation
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Setúbal
Idioma:português
Origem:Instituto Politécnico de Setúbal
Descrição
Resumo:Sendo a perceção de risco a forma como cada um interpreta determinado situação ou contexto como perigoso, importa perceber o que influencia esta análise tão individual, para que se possam adotar as estratégias adequadas de prevenção de acidentes e sensibilização para a saúde e segurança no trabalho. O presente estudo visa a análise da perceção de risco no seio de uma amostra de bombeiros portugueses, com base em determinantes como a experiência de acidentes de trabalho e os fatores sociodemográficos (idade, género, número de filhos, habilitações literárias) e socioprofissionais (tipo de vínculo profissional, antiguidade na profissão, número de horas de formação anual). Para além dos determinantes da perceção de risco, procurou-se também investigar a relação entre a perceção de risco e a adoção de comportamentos de segurança por parte dos bombeiros (como a utilização de equipamentos de proteção individual, a atitude face a regras e procedimentos de segurança e a atitude face à formação para a segurança). A amostra, obtida por conveniência, foi constituída por bombeiros de corporações de duas zonas geográficas, Porto e Setúbal, tanto voluntários como sapadores (Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, Bombeiros Voluntários Portuenses e Bombeiros Voluntários de Setúbal). O questionário, construído com base na revisão da literatura e no método do paradigma psicométrico, foi administrado eletronicamente, tendo-se obtido 59 questionários respondidos e validados. Da análise dos resultados, concluiu-se que a perceção de risco dos bombeiros participantes é elevada (média de 8.61, numa escala de 1 a 10). A perceção de risco cognitivo (grau de exposição que os bombeiros consideram ter a vários riscos) apresentou uma média de 5.18, numa escala de 1 a 7, valor mais elevado do que a perceção de risco emocional (grau de preocupação que os bombeiros manifestaram relativamente aos vários riscos) que apresentou uma média de 4.88.Das nove dimensões (A1 a A9) consideradas pelo modelo do paradigma psicométrico, as dimensões associadas ao receio de sofrer dano (A3), probabilidade de ocorrência/vulnerabilidade pessoal (A4) e a gravidade da lesão ou doença (A5), são as que mais influenciam a perceção global de risco dos bombeiros da amostra. Os bombeiros consideram estar mais expostos e a um nível elevado, aos riscos ergonómicos, decorrentes do manuseamento de cargas ou ferramentas pesadas, que poderão levar às lesões músculo-esqueléticas de que 60% dos bombeiros inquiridos refere ser vítima. Os bombeiros consideram também estar expostos a um nível elevado, e por ordem decrescente, a riscos associados aos turnos noturnos ou prolongados, riscos respiratórios (intoxicações, asfixia, doença pulmonar), stress térmico, stress (burnout, ansiedade, depressão), riscos biológicos, risco de queimadura e risco de explosão. Os resultados obtidos permitiram concluir não existir evidência estatística da influência das variáveis sociodemográficas, tipo de vínculo ou experiência de acidentes de trabalho, na perceção de risco dos bombeiros. No entanto, verificou-se uma relação significativa positiva entre a perceção de risco e a variável antiguidade na profissão, concluindo-se que os bombeiros com mais de 20 anos de serviço apresentam uma maior perceção global de risco. Verificou- se também uma relação significativa positiva entre a perceção de risco e o número anual de horas de formação/treino. Finalmente, no tocante à relação entre a perceção de risco e comportamentos de segurança, verificou-se que os bombeiros que mais afirmam aplicar sempre regras e procedimentos de segurança são também os que tendem a apresentar uma perceção de risco mais elevada; e os bombeiros que consideram desnecessários ou prejudiciais alguns procedimentos de segurança, tendem a apresentar uma perceção de risco inferior. A profissão de bombeiro sujeita os seus operacionais a um ambiente stressante, hostil e com múltiplos riscos. A cultura “Vida por vida” encontra-se enraizada no seio dos bombeiros, pois estes não refutaram de forma clara a prioridade que atribuem ao salvamento em detrimento da própria segurança. Fica assim clara a importância de analisar de que forma os bombeiros portugueses percecionam o risco no cumprimento da sua missão, no sentido de implementar estratégias eficazes, nomeadamente de formação para a segurança, por forma a que os bombeiros considerem a sua segurança como uma prioridade.