Publicação
Processos de resiliência centrados na perspectiva dos migrantes: Narrativas de Cabo-verdianos e Brasileiros
| Resumo: | Os estudos sobre a resiliência nas migrações são pouco abundantes, prevalecendo o foco nas adversidades dos processos migratórios. Esta tese procura contribuir para a compreensão dos processos de resiliência em migrantes, através dos significados atribuídos pelos próprios, aos seus projectos e trajectórias migratórias. Com este objectivo foram desenvolvidos três estudos empíricos no contexto migratório português. O estudo 1 envolveu sete grupos focais (trinta e cinco migrantes) provenientes de cinco países de língua oficial portuguesa. Adoptando o modelo ecológico de análise, foram identificados dez principais temas e subtemas ligados a adversidades e quatro temas relativos a recursos, sendo o ajustamento cultural sinónimo de integração. O estudo 2 (estudo qualitativo de narrativas autobiográficas) pretendeu conhecer os sentidos atribuídos pelos migrantes (doze brasileiros e dez cabo-verdianos) ao seu processo migratório, antes e depois de migrarem e usando o conceito de transnacionalismo para entender o ajustamento cultural ao país de acolhimento. Da análise das narrativas destacamos as dimensões da pertença e da vinculação como recursos relevantes, bem como o estabelecimento de ligações entre o país de origem e de acolhimento. O estudo 3 (estudo qualitativo longitudinal) dedicou-se ao estudo da resiliência, no primeiro ano de permanência de quatro migrantes em Portugal. O uso das lentes do hibridismo cultural abriu outras possibilidades de olhar o ajustamento cultural e a abordagem ao conceito de resiliência. A análise das narrativas de livre associação sublinhou a singularidade e interacção dos processos individuais, simultaneamente internos e externos. Discutimos, de um modo geral, os modelos de aculturação tradicionais como insuficientes no estudo dos processos de resiliência, salientando a importância de abordagens complementares e alternativas. |
|---|---|
| Autores principais: | Roberto, Sandra Gaspar |
| Assunto: | Resiliência -- Resilience Migração Transnacionalismo -- Transnationalism Aculturação -- Acculturation Migration Cultura -- Culture Cultural adjustment |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | ISCTE |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório ISCTE |
| Resumo: | Os estudos sobre a resiliência nas migrações são pouco abundantes, prevalecendo o foco nas adversidades dos processos migratórios. Esta tese procura contribuir para a compreensão dos processos de resiliência em migrantes, através dos significados atribuídos pelos próprios, aos seus projectos e trajectórias migratórias. Com este objectivo foram desenvolvidos três estudos empíricos no contexto migratório português. O estudo 1 envolveu sete grupos focais (trinta e cinco migrantes) provenientes de cinco países de língua oficial portuguesa. Adoptando o modelo ecológico de análise, foram identificados dez principais temas e subtemas ligados a adversidades e quatro temas relativos a recursos, sendo o ajustamento cultural sinónimo de integração. O estudo 2 (estudo qualitativo de narrativas autobiográficas) pretendeu conhecer os sentidos atribuídos pelos migrantes (doze brasileiros e dez cabo-verdianos) ao seu processo migratório, antes e depois de migrarem e usando o conceito de transnacionalismo para entender o ajustamento cultural ao país de acolhimento. Da análise das narrativas destacamos as dimensões da pertença e da vinculação como recursos relevantes, bem como o estabelecimento de ligações entre o país de origem e de acolhimento. O estudo 3 (estudo qualitativo longitudinal) dedicou-se ao estudo da resiliência, no primeiro ano de permanência de quatro migrantes em Portugal. O uso das lentes do hibridismo cultural abriu outras possibilidades de olhar o ajustamento cultural e a abordagem ao conceito de resiliência. A análise das narrativas de livre associação sublinhou a singularidade e interacção dos processos individuais, simultaneamente internos e externos. Discutimos, de um modo geral, os modelos de aculturação tradicionais como insuficientes no estudo dos processos de resiliência, salientando a importância de abordagens complementares e alternativas. |
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