| Resumo: | As normas tradicionais de masculinidade estão há muito associadas tanto às desigualdades interpessoais como às consequências psicológicas individuais. Objetivo: Baseado no Paradigma da Tensão dos Papéis de Género e no modelo Expectativa- Discrepância-Ameaça recentemente proposto, este estudo pretende analisar as relações entre a conformidade com as normas masculinas tradicionais, as atitudes sexistas e o bemestar emocional em adultos em Portugal. Metodologia: Um total de 191 participantes preencheram o Inventário de Conformidade com as Normas Masculinas (CMNI-22), o Inventário de Sexismo Ambivalente (ASI-22) e o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI-18). Resultados: Os resultados indicaram que não se verificaram correlações significativas entre a CMNI-Total e o BSI_Total, tanto nos homens (ρ = – .038, p = .779) como nas mulheres (ρ = .104, p = .233). Contudo, observou-se uma associação positiva entre CMNI-22 e ASI-22, mais forte no grupo masculino (r = .476, p < .001) do que no feminino (ρ = .222, p = .010). No que respeita à correlação entre ASI_Total e BSI_Total, não foram encontradas resultados significativos nem nos homens (ρ = .056, p = .678) nem nas mulheres (ρ = .110, p = .206). Quanto à comparação entre sexos, verificou-se que as mulheres apresentaram níveis mais elevados de ansiedade e somatização, mas não de depressão. A análise em clusters identificou três perfis distintos: um grupo com baixa conformidade e baixos níveis de sexismo e sintomatologia; um grupo com elevada conformidade e sexismo e bem-estar emocional moderado; e um grupo com níveis mais elevados de sofrimento psicológico. Conclusões: Embora não se tenham verificado associações significativas entre a conformidade com as normas de masculinidade tradicional e o bem-estar emocional, verificou-se uma relação positiva entre esta conformidade e as atitudes sexistas, particularmente entre os homens. Estes resultados reforçam a influência das normas masculinas tradicionais na manutenção de crenças sexistas, ainda que não se traduzam diretamente em sofrimento psicológico. Tais dados podem refletir processos de minimização e negação emocional associados à socialização masculina e às normas de controlo emocional. No geral o estudo contribui para a compreensão das dinâmicas entre a masculinidade, o sexismo e o bem-estar emocional no contexto português, evidenciando a necessidade de promover modelos de masculinidade mais flexíveis e igualitários. |