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Dinâmicas emocionais e assimetria cortical: O prazer na música triste

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Resumo:Enquadramento Teórico: Emoções como tristeza e prazer coexistem frequentemente em experiências paradoxais, como ocorre ao ouvir música triste, desafiando a visão tradicional das emoções. Apesar dos avanços no estudo dessas emoções, os mecanismos neurobiológicos que as medeiam ainda são os que mais carecem de compreensão. O paradoxo do prazer na tristeza representa uma oportunidade única para explorar as dinâmicas neurais envolvidas na modulação de estados emocionais complexos. Objetivo: Investigar como a assimetria alfa frontal (AAF) é influenciada pela perceção de prazer em músicas percebidas como tristes ou associadas a valência emocional negativa. O estudo visa aprofundar o conhecimento sobre a interação entre a perceção de emoções complexas e a sua modulação de respostas neurais refletidas na AAF. Metodologia: A amostra foi composta por 20 participantes. Foram recolhidos dados de eletroencefalografia durante a escuta de 30 excertos musicais, a AAF foi calculada para cada um destes. No fim de cada excerto, os participantes avaliaram subjetivamente a perceção de prazer, tristeza, valência, ativação e familiaridade. A análise estatística incluiu estatística descritiva, testes de Kruskal-Wallis, Mann-Whitney e respetivas correções. Resultados: A AAF apresentou uma relação direta com o prazer, com uma diferença estatisticamente significativa entre o prazer baixo (M = -0.0105) e o prazer alto (M = 0.0346) nas músicas tristes. Na música percebida como neutra, a AAF apresentou valores consistentemente positivos, tanto no prazer baixo (M = 0.0051), como no médio (M = 0.0231) e alto (M = 0.0360), contudo sem mudanças tão marcantes entre os níveis de prazer. Nas valências emocionais, a AAF foi menos pronunciada nas condições de valência positiva (entre M = 0.0025 e M = 0.0287) e mais elevada nas valências negativas, com valores que variaram de M = -0.0024 no prazer baixo a M = 0.0316 no prazer alto. Discussão: A ativação acentuada do hemisfério esquerdo, refletida pela AAF positiva, pode contribuir para a perceção de prazer em músicas tristes, indicando uma possível reavaliação cognitiva. A música neutra revela uma AAF com menores diferenças, enquanto na música triste a sobreposição de prazer e tristeza aparenta reduzir a AAF. As valências positivas divergiramda literatura, talvezdevido à dificuldade em evocar alegria. Este estudo evidencia como a interação entre prazer e tristeza pode modular a AAF, sugerindo um processamento neural complexo em respostas emocionais ambíguas.
Autores principais:Borges, Guilherme Manuel Martins
Assunto:Perceção emocional Prazer na tristeza Música triste Eletroencefalografia Lateralização cortical Emotional perception Pleasurable sadness Sad music Eletroencephalography Cortical lateralization
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
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