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Controlo de impactos indesejados em contexto persuasivo: Correcção, supressão e seus efeitos irónicos

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Resumo:Esta tese aborda o tópico do controlo mental de influências indesejadas num contexto persuasivo. Abordagens anteriores (e.g., Petty, Wegener & White, 1998), que apenas consideravam a correcção como forma de um individuo evitar influências indesejadas na sua atitude, são alargadas, focando também o processo de supressão de pensamentos. Apesar destes processos terem sido considerados em diferentes campos de investigação (ver Wenzlaff & Wegner, 2000), ainda não tinha sido, até à data, estudado no campo da persuasão. Os estudos desenvolvidos até ao momento associam o envolvimento em supressão à promoção de efeitos irónicos. Isto é, a procura de suprimir um pensamento indesejado da nossa mente leva frequentemente à paradoxal maior manifestação dessa influência que se procurava evitar. Assim, neste trabalho, testamos a ocorrência de efeitos irónicos como resultado de controlo mental em contexto persuasivo em quatro experimentos. Testamos esta possibilidade não apenas para o envolvimento em supressão, mas também em resultado de processos correctivos, os quais sugerimos também poderem ter efeitos irónicos. Como efeitos irónicos se podem verificar quer durante a supressão (efeitos irónicos imediatos) quer num momento posterior (efeitos irónicos pós-supressão / de ricochete) abordamo-los nesses dois momentos. No Experimento 1, focando o controlo da influência do estado de espirito nas atitudes, encontramos evidência inicial de efeitos irónicos, detectando-se um efeito de ricochete associado a supressão. Este efeito verificou-se em resultado de supressão do estado de espírito induzido, numa medida da sua acessibilidade após a situação persuasiva. Adicionalmente, e como esperado, confirmou-se a importância do momento em que o controlo mental é desencadeado, na promoção de efeitos irónicos. Ao manipular este factor, apenas se manifestou um efeito de ricochete com supressão quando esta estratégia foi promovida logo na apresentação inicial da situação persuasiva e não quando foi promovido após o seu processamento inicial. No Experimento 2, promovemos controlo mental do estado de espírito de modo indirecto, por definição de uma necessidade de controlo de outras influências nas atitudes. Neste caso, não se detectou qualquer efeito irónico. No Experimento 3, os efeitos irónicos associam-se a supressão (e não a correcção), manifestando-se ao nível das atitudes na situação onde o controlo é exercido e numa situação persuasiva subsequente. A variável indesejada (atractividade da fonte da mensagem) está presente em ambas, mas os participantes apenas recebem instruções de controlo mental na primeira. O Experimento 4, confirma a importância do momento em que o controlo mental é desencadeado na promoção de efeitos irónicos. No entanto, em contraste com os Experimentos 1 e 3, o efeito irónico na situação persuasiva subsequente (efeito de ricochete) não é encontrado como resultado de supressão, mas apenas como resultado da procura de correcção. Tal facto apoia a possibilidade da estratégia de correcção também se associar a efeitos irónicos. A associação de efeitos irónicos a diferentes estratégias em diferentes experimentos, leva-nos a sugerir que, ainda que ambas os possam promover, a probabilidade da sua ocorrência para cada estratégia pode estar dependente das características do contexto persuasivo em que são desencadeadas. Neste sentido, apresenta-se a variação na quantidade de elaboração de informação sobre os objectos atitudinais, promovida por diferentes contextos persuasivos, como hipótese explicativa para os resultados obtidos. Esta hipótese é discutida, assim como possíveis caminhos futuros de investigação no âmbito de controlo mental em persuasão. ---------- ABSTRACT ---------- This thesis addresses the topic of mental control of undesired influences in a persuasion context. Previous approaches (e.g., Petty, Wegener & White, 1998) which only consider correction as a way for an individual to avoid undesired influences on its attitude, are extended, by also focusing the process of thought suppression. Even though this process has been considered in different fields of research (see Wenzlaff & Wegner, 2000), it had not yet been studied in the domain of persuasion. The studies developed so far associate the involvement in suppression with the promotion of ironic effects. More precisely, the attempt to suppress an undesired thought from our mind often leads to the paradoxical higher manifestation of the influence that one is trying to avoid. Therefore, in this work, we test for the occurrence of ironic effects as a result of mental control in a persuasion context in four experiments. We test this possibility not only for the involvement in suppression, but also as a result of corrective processes, which we suggest may also have ironic effects. Once ironic effects may occur both during suppression (immediate ironic effects) and at a later moment (post-suppression ironic effects / rebound effects), we address these two moments. In Experiment 1, focusing the control of the influence of mood on attitudes, initial evidence of ironic effects is found, by detecting a rebound effect associated to suppression. This effect was found as a result of suppression of induced mood, in a measure of its accessibility after the persuasive message. In addition, and as expected, the importance of the moment at which the control is triggered for the promotion of ironic effects was confirmed. By manipulating this factor, a rebound effect was only present with suppression when this strategy was promoted right at the initial presentation of the persuasive situation, and not when it was promoted after its initial processing. In Experiment 2, we promoted mental control of mood in an indirect way, by the definition of a need to control other influences on attitudes. In this case, no ironic effect was detected. In Experiment 3, the ironic effects were associated with suppression (and not with correction), emerging at the level of the attitudes, in the situation at which control is exerted and in a subsequent persuasive situation. The undesired variable (attractiveness of the source of a message) is present in both, but participants only receive instructions for control in the first one. Experiment 4 confirms the importance of the moment at which mental control is triggered in the promotion of ironic effects. However, in contrast with Experiments 1 and 3, the ironic effect in the subsequent persuasive situation (rebound effect) is not found as a result of suppression, but as a result of the quest for correction. Such a fact supports the possibility that a correction strategy also associates itself to ironic effects. The association of ironic effects with different strategies in different experiments leads us to suggest that, while both may promote them, the likelihood of its occurrence for each strategy may be dependent on the characteristics of the persuasion context in which they are triggered. Therefore, the variation in quantity of elaboration about the atitudinal objects, promoted by different persuasion contexts, is presented as an explanatory hypothesis for the obtained results. This hypothesis is discussed, as well as possible paths for future research in the domain of mental control in persuasion.
Autores principais:Silva, Pedro José dos Santos Ponte da
Assunto:Psicologia social Controlo mental Persuasão Efeitos irónicos Correcção Supressão Social psychology Mental control Persuasion Ironic effects Correction Suppression
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
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Testamos esta possibilidade não apenas para o envolvimento em supressão, mas também em resultado de processos correctivos, os quais sugerimos também poderem ter efeitos irónicos. Como efeitos irónicos se podem verificar quer durante a supressão (efeitos irónicos imediatos) quer num momento posterior (efeitos irónicos pós-supressão / de ricochete) abordamo-los nesses dois momentos. No Experimento 1, focando o controlo da influência do estado de espirito nas atitudes, encontramos evidência inicial de efeitos irónicos, detectando-se um efeito de ricochete associado a supressão. Este efeito verificou-se em resultado de supressão do estado de espírito induzido, numa medida da sua acessibilidade após a situação persuasiva. Adicionalmente, e como esperado, confirmou-se a importância do momento em que o controlo mental é desencadeado, na promoção de efeitos irónicos. Ao manipular este factor, apenas se manifestou um efeito de ricochete com supressão quando esta estratégia foi promovida logo na apresentação inicial da situação persuasiva e não quando foi promovido após o seu processamento inicial. No Experimento 2, promovemos controlo mental do estado de espírito de modo indirecto, por definição de uma necessidade de controlo de outras influências nas atitudes. Neste caso, não se detectou qualquer efeito irónico. No Experimento 3, os efeitos irónicos associam-se a supressão (e não a correcção), manifestando-se ao nível das atitudes na situação onde o controlo é exercido e numa situação persuasiva subsequente. A variável indesejada (atractividade da fonte da mensagem) está presente em ambas, mas os participantes apenas recebem instruções de controlo mental na primeira. O Experimento 4, confirma a importância do momento em que o controlo mental é desencadeado na promoção de efeitos irónicos. No entanto, em contraste com os Experimentos 1 e 3, o efeito irónico na situação persuasiva subsequente (efeito de ricochete) não é encontrado como resultado de supressão, mas apenas como resultado da procura de correcção. Tal facto apoia a possibilidade da estratégia de correcção também se associar a efeitos irónicos. A associação de efeitos irónicos a diferentes estratégias em diferentes experimentos, leva-nos a sugerir que, ainda que ambas os possam promover, a probabilidade da sua ocorrência para cada estratégia pode estar dependente das características do contexto persuasivo em que são desencadeadas. Neste sentido, apresenta-se a variação na quantidade de elaboração de informação sobre os objectos atitudinais, promovida por diferentes contextos persuasivos, como hipótese explicativa para os resultados obtidos. Esta hipótese é discutida, assim como possíveis caminhos futuros de investigação no âmbito de controlo mental em persuasão. ---------- ABSTRACT ---------- This thesis addresses the topic of mental control of undesired influences in a persuasion context. Previous approaches (e.g., Petty, Wegener & White, 1998) which only consider correction as a way for an individual to avoid undesired influences on its attitude, are extended, by also focusing the process of thought suppression. Even though this process has been considered in different fields of research (see Wenzlaff & Wegner, 2000), it had not yet been studied in the domain of persuasion. The studies developed so far associate the involvement in suppression with the promotion of ironic effects. More precisely, the attempt to suppress an undesired thought from our mind often leads to the paradoxical higher manifestation of the influence that one is trying to avoid. Therefore, in this work, we test for the occurrence of ironic effects as a result of mental control in a persuasion context in four experiments. We test this possibility not only for the involvement in suppression, but also as a result of corrective processes, which we suggest may also have ironic effects. Once ironic effects may occur both during suppression (immediate ironic effects) and at a later moment (post-suppression ironic effects / rebound effects), we address these two moments. In Experiment 1, focusing the control of the influence of mood on attitudes, initial evidence of ironic effects is found, by detecting a rebound effect associated to suppression. This effect was found as a result of suppression of induced mood, in a measure of its accessibility after the persuasive message. In addition, and as expected, the importance of the moment at which the control is triggered for the promotion of ironic effects was confirmed. By manipulating this factor, a rebound effect was only present with suppression when this strategy was promoted right at the initial presentation of the persuasive situation, and not when it was promoted after its initial processing. In Experiment 2, we promoted mental control of mood in an indirect way, by the definition of a need to control other influences on attitudes. In this case, no ironic effect was detected. In Experiment 3, the ironic effects were associated with suppression (and not with correction), emerging at the level of the attitudes, in the situation at which control is exerted and in a subsequent persuasive situation. The undesired variable (attractiveness of the source of a message) is present in both, but participants only receive instructions for control in the first one. Experiment 4 confirms the importance of the moment at which mental control is triggered in the promotion of ironic effects. However, in contrast with Experiments 1 and 3, the ironic effect in the subsequent persuasive situation (rebound effect) is not found as a result of suppression, but as a result of the quest for correction. Such a fact supports the possibility that a correction strategy also associates itself to ironic effects. The association of ironic effects with different strategies in different experiments leads us to suggest that, while both may promote them, the likelihood of its occurrence for each strategy may be dependent on the characteristics of the persuasion context in which they are triggered. Therefore, the variation in quantity of elaboration about the atitudinal objects, promoted by different persuasion contexts, is presented as an explanatory hypothesis for the obtained results. This hypothesis is discussed, as well as possible paths for future research in the domain of mental control in persuasion.
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Assim, neste trabalho, testamos a ocorrência de efeitos irónicos como resultado de controlo mental em contexto persuasivo em quatro experimentos. Testamos esta possibilidade não apenas para o envolvimento em supressão, mas também em resultado de processos correctivos, os quais sugerimos também poderem ter efeitos irónicos. Como efeitos irónicos se podem verificar quer durante a supressão (efeitos irónicos imediatos) quer num momento posterior (efeitos irónicos pós-supressão / de ricochete) abordamo-los nesses dois momentos. No Experimento 1, focando o controlo da influência do estado de espirito nas atitudes, encontramos evidência inicial de efeitos irónicos, detectando-se um efeito de ricochete associado a supressão. Este efeito verificou-se em resultado de supressão do estado de espírito induzido, numa medida da sua acessibilidade após a situação persuasiva. Adicionalmente, e como esperado, confirmou-se a importância do momento em que o controlo mental é desencadeado, na promoção de efeitos irónicos. Ao manipular este factor, apenas se manifestou um efeito de ricochete com supressão quando esta estratégia foi promovida logo na apresentação inicial da situação persuasiva e não quando foi promovido após o seu processamento inicial. No Experimento 2, promovemos controlo mental do estado de espírito de modo indirecto, por definição de uma necessidade de controlo de outras influências nas atitudes. Neste caso, não se detectou qualquer efeito irónico. No Experimento 3, os efeitos irónicos associam-se a supressão (e não a correcção), manifestando-se ao nível das atitudes na situação onde o controlo é exercido e numa situação persuasiva subsequente. A variável indesejada (atractividade da fonte da mensagem) está presente em ambas, mas os participantes apenas recebem instruções de controlo mental na primeira. O Experimento 4, confirma a importância do momento em que o controlo mental é desencadeado na promoção de efeitos irónicos. No entanto, em contraste com os Experimentos 1 e 3, o efeito irónico na situação persuasiva subsequente (efeito de ricochete) não é encontrado como resultado de supressão, mas apenas como resultado da procura de correcção. Tal facto apoia a possibilidade da estratégia de correcção também se associar a efeitos irónicos. A associação de efeitos irónicos a diferentes estratégias em diferentes experimentos, leva-nos a sugerir que, ainda que ambas os possam promover, a probabilidade da sua ocorrência para cada estratégia pode estar dependente das características do contexto persuasivo em que são desencadeadas. Neste sentido, apresenta-se a variação na quantidade de elaboração de informação sobre os objectos atitudinais, promovida por diferentes contextos persuasivos, como hipótese explicativa para os resultados obtidos. Esta hipótese é discutida, assim como possíveis caminhos futuros de investigação no âmbito de controlo mental em persuasão. ---------- ABSTRACT ---------- This thesis addresses the topic of mental control of undesired influences in a persuasion context. Previous approaches (e.g., Petty, Wegener & White, 1998) which only consider correction as a way for an individual to avoid undesired influences on its attitude, are extended, by also focusing the process of thought suppression. Even though this process has been considered in different fields of research (see Wenzlaff & Wegner, 2000), it had not yet been studied in the domain of persuasion. The studies developed so far associate the involvement in suppression with the promotion of ironic effects. More precisely, the attempt to suppress an undesired thought from our mind often leads to the paradoxical higher manifestation of the influence that one is trying to avoid. Therefore, in this work, we test for the occurrence of ironic effects as a result of mental control in a persuasion context in four experiments. We test this possibility not only for the involvement in suppression, but also as a result of corrective processes, which we suggest may also have ironic effects. Once ironic effects may occur both during suppression (immediate ironic effects) and at a later moment (post-suppression ironic effects / rebound effects), we address these two moments. In Experiment 1, focusing the control of the influence of mood on attitudes, initial evidence of ironic effects is found, by detecting a rebound effect associated to suppression. This effect was found as a result of suppression of induced mood, in a measure of its accessibility after the persuasive message. In addition, and as expected, the importance of the moment at which the control is triggered for the promotion of ironic effects was confirmed. By manipulating this factor, a rebound effect was only present with suppression when this strategy was promoted right at the initial presentation of the persuasive situation, and not when it was promoted after its initial processing. In Experiment 2, we promoted mental control of mood in an indirect way, by the definition of a need to control other influences on attitudes. In this case, no ironic effect was detected. In Experiment 3, the ironic effects were associated with suppression (and not with correction), emerging at the level of the attitudes, in the situation at which control is exerted and in a subsequent persuasive situation. The undesired variable (attractiveness of the source of a message) is present in both, but participants only receive instructions for control in the first one. Experiment 4 confirms the importance of the moment at which mental control is triggered in the promotion of ironic effects. However, in contrast with Experiments 1 and 3, the ironic effect in the subsequent persuasive situation (rebound effect) is not found as a result of suppression, but as a result of the quest for correction. Such a fact supports the possibility that a correction strategy also associates itself to ironic effects. The association of ironic effects with different strategies in different experiments leads us to suggest that, while both may promote them, the likelihood of its occurrence for each strategy may be dependent on the characteristics of the persuasion context in which they are triggered. Therefore, the variation in quantity of elaboration about the atitudinal objects, promoted by different persuasion contexts, is presented as an explanatory hypothesis for the obtained results. 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