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Vinculação, resiliência e burnout em estudantes universitários

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Resumo:No contexto do ensino superior, caracterizado por desafios emocionais, cognitivas e sociais, observa-se uma prevalência preocupante de burnout entre estudantes universitários. Definido como um estado de exaustão emocional, físico e mental associado ao stress crónico, este fenómeno tem impacto negativo em múltiplos domínios, incluindo o bem-estar psicológico, o desempenho académico e as relações interpessoais. A resiliência, entendida como a capacidade de adaptação e recuperação perante adversidades, assume um papel particularmente protetor em estudantes com estilos de vinculação insegura — ansiosa e evitante —, que apresentam maior vulnerabilidade ao burnout. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre vinculação insegura, burnout e resiliência, examinando especificamente o papel mediador dos fatores da resiliência — competência pessoal (CP) e aceitação de si e da vida (ASV). Participaram 563 estudantes universitários portugueses (77.3% mulheres), com idades entre 18 e 67 anos. Foram aplicados um questionário sociodemográfico e as versões portuguesas de escalas de autorrelato que avaliam a vinculação, a resiliência e o burnout. Os resultados revelaram níveis moderados de burnout, sobretudo nas dimensões pessoal (M = 3.14; DP = .71) e académica (M = 3.08; DP = .81), com diferenças significativas entre grupos em função do género, idade, relação estável, condição cohabitante, envolvimento em atividades extracurriculares, pensamentos de desistência e diagnóstico de doença. A resiliência, no fator aceitação de si e da vida, destacou-se como mediadora parcial da relação entre vinculação ansiosa e burnout (β = 0.01; IC95% [0.01; 0.03]) e mediadora total da relação entre vinculação evitante e burnout (β = 0.04; IC95% [0.02; 0.07]). O fator competência pessoal não apresentou efeito mediador significativo. Conclui-se que a vinculação insegura parece ser um fator de risco significativo para o burnout em estudantes, sendo a resiliência — sobretudo a dimensão aceitação de si e da vida — um mecanismo explicativo desta associação. Estes resultados reforçam a relevância de intervenções que integrem competências de resiliência emocional e considerem os padrões de vinculação, como elementos fundamentais na prevenção do burnout.
Autores principais:Sá, Susana Manuela de Sousa
Assunto:Burnout Académico Estudantes Universitários Resiliência Vinculação Ansiosa Vinculação Evitante Academic Burnout University Students Resilience Anxious Attachment Avoidant Attachment
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:No contexto do ensino superior, caracterizado por desafios emocionais, cognitivas e sociais, observa-se uma prevalência preocupante de burnout entre estudantes universitários. Definido como um estado de exaustão emocional, físico e mental associado ao stress crónico, este fenómeno tem impacto negativo em múltiplos domínios, incluindo o bem-estar psicológico, o desempenho académico e as relações interpessoais. A resiliência, entendida como a capacidade de adaptação e recuperação perante adversidades, assume um papel particularmente protetor em estudantes com estilos de vinculação insegura — ansiosa e evitante —, que apresentam maior vulnerabilidade ao burnout. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre vinculação insegura, burnout e resiliência, examinando especificamente o papel mediador dos fatores da resiliência — competência pessoal (CP) e aceitação de si e da vida (ASV). Participaram 563 estudantes universitários portugueses (77.3% mulheres), com idades entre 18 e 67 anos. Foram aplicados um questionário sociodemográfico e as versões portuguesas de escalas de autorrelato que avaliam a vinculação, a resiliência e o burnout. Os resultados revelaram níveis moderados de burnout, sobretudo nas dimensões pessoal (M = 3.14; DP = .71) e académica (M = 3.08; DP = .81), com diferenças significativas entre grupos em função do género, idade, relação estável, condição cohabitante, envolvimento em atividades extracurriculares, pensamentos de desistência e diagnóstico de doença. A resiliência, no fator aceitação de si e da vida, destacou-se como mediadora parcial da relação entre vinculação ansiosa e burnout (β = 0.01; IC95% [0.01; 0.03]) e mediadora total da relação entre vinculação evitante e burnout (β = 0.04; IC95% [0.02; 0.07]). O fator competência pessoal não apresentou efeito mediador significativo. Conclui-se que a vinculação insegura parece ser um fator de risco significativo para o burnout em estudantes, sendo a resiliência — sobretudo a dimensão aceitação de si e da vida — um mecanismo explicativo desta associação. Estes resultados reforçam a relevância de intervenções que integrem competências de resiliência emocional e considerem os padrões de vinculação, como elementos fundamentais na prevenção do burnout.