Publicação
Formação inicial docente para o envolvimento da família na educação
| Resumo: | Nas últimas décadas, o envolvimento das famílias na educação tem sido amplamente reconhecido como essencial para o sucesso e bem-estar das crianças, exigindo que os profissionais de educação estejam preparados para estabelecer relações de qualidade com as suas famílias. Contudo, a investigação evidencia que a formação inicial docente em Portugal continua a conferir um espaço reduzido e pouco sistemático a esta temática, o que levanta interrogações sobre a forma como os futuros educadores e professores desenvolvem competências para promover o envolvimento e participação das famílias na educação. Foi a partir deste enquadramento que se desenvolveu a presente investigação, que teve como objetivo compreender o modo como a formação inicial prepara os futuros docentes, em particular educadores de infância, para promover a participação das famílias. Pretendeu-se, ainda, explorar as perceções de estudantes e docentes relativamente à relevância, às dificuldades e à eficácia percebida das práticas de envolvimento, bem como analisar relações entre a formação recebida e a perceção de autoeficácia para envolver as famílias. A investigação adotou um desenho misto, articulando abordagens qualitativas e quantitativas. Foram realizados estudos empíricos complementares: (i) análise documental dos planos de estudo e das unidades curriculares de cursos de formação inicial; (ii) entrevistas a docentes e coordenadores responsáveis pela formação; (iii) aplicação de questionários a estudantes de mestrado em Educação Pré-Escolar e em Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico, incluindo escalas validadas de dificuldades antecipadas, autoeficácia e formação recebida; (iv) identificação de perfis de estudantes com base na avaliação da formação recebida e análise da relação entre os perfis e as perceções de dificuldades e de autoeficácia. Os resultados obtidos evidenciam três dimensões principais de dificuldades antecipadas na promoção do envolvimento: comunicação, envolvimento formal e apoio à parentalidade, e envolvimento diferenciado. Verificou-se igualmente que os estudantes que percecionam ter recebido uma formação mais consistente tendem a reportar maior autoeficácia e menores dificuldades antecipadas. A análise de perfis permitiu distinguir grupos de estudantes com trajetórias formativas diferenciadas, confirmando que a qualidade da formação inicial constitui um fator relevante na forma como os futuros profissionais encaram a relação escola-família. Do ponto de vista qualitativo, emergem narrativas que sublinham a ausência de uma abordagem transversal e integrada do tema ao longo dos cursos, coexistindo experiências pontuais valorizadas pelos estudantes, sobretudo quando envolvem atividades práticas de aproximação à realidade educativa. Os docentes e coordenadores reconhecem a pertinência do tema, mas identificam limitações curriculares e estruturais que condicionam a sua inclusão efetiva. Em síntese, a tese evidencia a necessidade de reforçar, na formação inicial docente, a preparação para o trabalho com famílias, indo além de perspetivas normativas e centradas no cumprimento de formalidades. Recomenda-se a integração explícita e transversal desta dimensão nos currículos, através de experiências formativas diversificadas, práticas reflexivas e oportunidades de contacto direto com contextos reais. Assim, a investigação contribui para o debate sobre políticas de formação docente e para a construção de uma cultura educativa que reconhece as famílias como parceiras fundamentais na promoção de aprendizagens significativas e no desenvolvimento integral das crianças. |
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| Autores principais: | Cabral, Sónia Maria Costa |
| Assunto: | Formação Inicial de Professores Envolvimento e participação das Famílias na Educação Currículo Avaliação da Formação de Educadores e Professores Initial Teacher Education (ITE) Family involvement and participation in education Curriculum Evaluation of Teacher Education Early childhood pre-service teachers |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Ispa-Instituto Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório do Ispa - Instituto Universitário |
| Resumo: | Nas últimas décadas, o envolvimento das famílias na educação tem sido amplamente reconhecido como essencial para o sucesso e bem-estar das crianças, exigindo que os profissionais de educação estejam preparados para estabelecer relações de qualidade com as suas famílias. Contudo, a investigação evidencia que a formação inicial docente em Portugal continua a conferir um espaço reduzido e pouco sistemático a esta temática, o que levanta interrogações sobre a forma como os futuros educadores e professores desenvolvem competências para promover o envolvimento e participação das famílias na educação. Foi a partir deste enquadramento que se desenvolveu a presente investigação, que teve como objetivo compreender o modo como a formação inicial prepara os futuros docentes, em particular educadores de infância, para promover a participação das famílias. Pretendeu-se, ainda, explorar as perceções de estudantes e docentes relativamente à relevância, às dificuldades e à eficácia percebida das práticas de envolvimento, bem como analisar relações entre a formação recebida e a perceção de autoeficácia para envolver as famílias. A investigação adotou um desenho misto, articulando abordagens qualitativas e quantitativas. Foram realizados estudos empíricos complementares: (i) análise documental dos planos de estudo e das unidades curriculares de cursos de formação inicial; (ii) entrevistas a docentes e coordenadores responsáveis pela formação; (iii) aplicação de questionários a estudantes de mestrado em Educação Pré-Escolar e em Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico, incluindo escalas validadas de dificuldades antecipadas, autoeficácia e formação recebida; (iv) identificação de perfis de estudantes com base na avaliação da formação recebida e análise da relação entre os perfis e as perceções de dificuldades e de autoeficácia. Os resultados obtidos evidenciam três dimensões principais de dificuldades antecipadas na promoção do envolvimento: comunicação, envolvimento formal e apoio à parentalidade, e envolvimento diferenciado. Verificou-se igualmente que os estudantes que percecionam ter recebido uma formação mais consistente tendem a reportar maior autoeficácia e menores dificuldades antecipadas. A análise de perfis permitiu distinguir grupos de estudantes com trajetórias formativas diferenciadas, confirmando que a qualidade da formação inicial constitui um fator relevante na forma como os futuros profissionais encaram a relação escola-família. Do ponto de vista qualitativo, emergem narrativas que sublinham a ausência de uma abordagem transversal e integrada do tema ao longo dos cursos, coexistindo experiências pontuais valorizadas pelos estudantes, sobretudo quando envolvem atividades práticas de aproximação à realidade educativa. Os docentes e coordenadores reconhecem a pertinência do tema, mas identificam limitações curriculares e estruturais que condicionam a sua inclusão efetiva. Em síntese, a tese evidencia a necessidade de reforçar, na formação inicial docente, a preparação para o trabalho com famílias, indo além de perspetivas normativas e centradas no cumprimento de formalidades. Recomenda-se a integração explícita e transversal desta dimensão nos currículos, através de experiências formativas diversificadas, práticas reflexivas e oportunidades de contacto direto com contextos reais. Assim, a investigação contribui para o debate sobre políticas de formação docente e para a construção de uma cultura educativa que reconhece as famílias como parceiras fundamentais na promoção de aprendizagens significativas e no desenvolvimento integral das crianças. |
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