Publicação
Estudos de interação entre microplásticos e aditivos: simulando ambientes aquáticos e terrestres em escala laboratorial
| Resumo: | As atividades humanas são a principal causa da perda de biodiversidade e da degradação dos ecossistemas. Um traço distintivo dessas atividades é a produção massiva e o uso extenso de plásticos, o que levou à ampla disseminação da poluição por fragmentos microplásticos (MPs). As propriedades físico-químicas dos MPs desempenham um papel crucial não apenas na sua capacidade de adsorver substâncias, mas também na determinação de sua disponibilidade nos ecossistemas. Aspetos como morfologia e mobilidade, incluindo tamanho, forma e densidade, podem influenciar a capacidade dos MPs de atuar como veículos para a dispersão de substâncias tóxicas no ambiente. Isso pode criar riscos ecológicos, como o transporte e a introdução de poluentes químicos e agentes biológicos estranhos em novos ambientes. Este trabalho foi realizado no GRAQ e teve como objetivo estudar a interação entre MPs e um aditivo retardador de chama (trifenilfosfato (TPhP)), simulando ambientes aquáticos e terrestres em escala laboratorial. Desta forma, estudaram-se 6 sistemas ambientais diferentes ao longo do tempo, sendo 3 aquáticos e 3 terrestres. Com estes seis sistemas, pretendeu-se avaliar a interação entre os MPs e o TPhP, estudando e a analisando a sua concentração ao longo do tempo na solução aquosa, dos sistemas de simulação aquático e terrestre e nos MPs. Foi também objetivo avaliar o efeito na interação entre TPhP-MP em condições de envelhecimento alterando o tipo de luz de exposição e o pH dos ensaios. Os resultados obtidos mostraram que o processo de adsorção pode ser influenciado por diferentes fatores, nomeadamente pH, tipo de MP e tipo de ambiente. No ambiente aquático, os resultados das experiências realizadas ao longo do tempo demonstraram que os sistemas não atingiram o equilíbrio e que o sistema que obteve melhor adsorção foi o sistema 5 (com a utilização da lâmpada UV e ensaio a pH 4). Além disso, conclui-se que o TPhP era pouco adsorvido ao MP e que, o que obteve maior adsorção foi o EVA. Com o recurso à espectroscopia de Raman foi possível caracterizar os MPs virgens e os MPs envelhecidos. Os espectros de Raman mostraram que houve um aumento da intensidade no espectro Raman em determinadas zonas devido à presença de compostos com fluorescência para os MPs envelhecidos de PP e EVA e que em todos os MPs estudados houve o aparecimento de bandas com grupos funcionais diferentes dos presentes nos MP virgens, provando assim, a alteração química dos MPs depois de envelhecidos. No ambiente terrestre, os resultados das experiências realizadas ao longo do tempo demostraram que os sistemas atingiram o equilíbrio ao fim de 48 horas e que o TPhP adsorveu maioritariamente ao solo em comparação com o MPs. Os espectros de Raman mostraram que houve um aumento de fluorescência para todos os MPs envelhecidos e formação de novas bandas características de novos grupos funcionais, provando assim, a alteração química dos MPs depois de envelhecidos. |
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| Autores principais: | Barros, Ana Catarina Ferreira de |
| Assunto: | Aditivos plásticos Microplásticos (MPs) Adsorção Ambiente aquático e terrestre Plastic additives Microplastics (MPs) Adsorption Aquatic and terrestrial environment |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico do Porto |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico do Instituto Politécnico do Porto |
| Resumo: | As atividades humanas são a principal causa da perda de biodiversidade e da degradação dos ecossistemas. Um traço distintivo dessas atividades é a produção massiva e o uso extenso de plásticos, o que levou à ampla disseminação da poluição por fragmentos microplásticos (MPs). As propriedades físico-químicas dos MPs desempenham um papel crucial não apenas na sua capacidade de adsorver substâncias, mas também na determinação de sua disponibilidade nos ecossistemas. Aspetos como morfologia e mobilidade, incluindo tamanho, forma e densidade, podem influenciar a capacidade dos MPs de atuar como veículos para a dispersão de substâncias tóxicas no ambiente. Isso pode criar riscos ecológicos, como o transporte e a introdução de poluentes químicos e agentes biológicos estranhos em novos ambientes. Este trabalho foi realizado no GRAQ e teve como objetivo estudar a interação entre MPs e um aditivo retardador de chama (trifenilfosfato (TPhP)), simulando ambientes aquáticos e terrestres em escala laboratorial. Desta forma, estudaram-se 6 sistemas ambientais diferentes ao longo do tempo, sendo 3 aquáticos e 3 terrestres. Com estes seis sistemas, pretendeu-se avaliar a interação entre os MPs e o TPhP, estudando e a analisando a sua concentração ao longo do tempo na solução aquosa, dos sistemas de simulação aquático e terrestre e nos MPs. Foi também objetivo avaliar o efeito na interação entre TPhP-MP em condições de envelhecimento alterando o tipo de luz de exposição e o pH dos ensaios. Os resultados obtidos mostraram que o processo de adsorção pode ser influenciado por diferentes fatores, nomeadamente pH, tipo de MP e tipo de ambiente. No ambiente aquático, os resultados das experiências realizadas ao longo do tempo demonstraram que os sistemas não atingiram o equilíbrio e que o sistema que obteve melhor adsorção foi o sistema 5 (com a utilização da lâmpada UV e ensaio a pH 4). Além disso, conclui-se que o TPhP era pouco adsorvido ao MP e que, o que obteve maior adsorção foi o EVA. Com o recurso à espectroscopia de Raman foi possível caracterizar os MPs virgens e os MPs envelhecidos. Os espectros de Raman mostraram que houve um aumento da intensidade no espectro Raman em determinadas zonas devido à presença de compostos com fluorescência para os MPs envelhecidos de PP e EVA e que em todos os MPs estudados houve o aparecimento de bandas com grupos funcionais diferentes dos presentes nos MP virgens, provando assim, a alteração química dos MPs depois de envelhecidos. No ambiente terrestre, os resultados das experiências realizadas ao longo do tempo demostraram que os sistemas atingiram o equilíbrio ao fim de 48 horas e que o TPhP adsorveu maioritariamente ao solo em comparação com o MPs. Os espectros de Raman mostraram que houve um aumento de fluorescência para todos os MPs envelhecidos e formação de novas bandas características de novos grupos funcionais, provando assim, a alteração química dos MPs depois de envelhecidos. |
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