Publicação

Sobrecarga objetiva e/ou subjetiva do cuidador informal : a sua influência na saúde mental e perceção do suporte social

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O século XXI está sendo marcado pelo envelhecimento populacional, e como consequência deste aumento de longevidade, tem-se verificado o aumento de doenças crónicas e/ou degenerativas típicas de idades avançadas , que poderão incapacitar os seus portadores, conduzindo à necessidade de cuidados domiciliários e de longo prazo. É neste cenário que surge o cuidador informal, que terá a responsabilidade de cuidar e se envolver em todas as atividades que possam garantir conforto e bem-estar ao familiar que se encontra incapacitado. Á medida que a tarefa de cuidador informal se torna mais exigente, maior é a possibilidade dos cuidadores informais manifestarem sintomas de sobrecarga, seja ela objetiva e/ou subjetiva, e de esta sobrecarga interferir na sua saúde mental e suporte social recebido e percebido. Neste sentido, definimos como objetivo principal do nosso estudo compreender as relações entre as sobrecargas objetiva/subjetiva, a sintomatologia psicopatológica e o suporte social percecionado por uma amostra de 30 cuidadores informais. Estes cuidadores além de terem participado de uma entrevista semiestruturada responderam aos seguintes instrumentos: Questionário de Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal; Inventário de Sintomas Psicopatológicos e Escala de Provisões Sociais. Verificamos que a sobrecarga emocional tem influência na saúde mental dos cuidadores informais, em particular nas dimensões de depressão e ansiedade, mas também nas dimensões de sensibilidade interpessoal e hostilidade. Relativamente à sobrecarga manifesta em implicações na vida pessoal, sobrecarga financeira, reações a exigências e mecanismo de eficácia e controlo, verificou-se os mesmos valores de sobrecarga entre os sexos. Em relação ao género e a sintomatologia psicopatológica constatou-se que os cuidadores do sexo feminino quando comparados com os cuidadores do sexo masculino apresentam valores mais elevados nas dimensões de somatização e obsessão-compulsão. Embora não surgisse associado à sobrecarga, os resultados indicam que a perceção de suporte social se associa de forma positiva com a psicossintomatologia. Deste modo constata-se que os cuidadores informais participantes desta amostra percecionam a interferência da sua sobrecarga na sua saúde mental, sendo os cuidadores do sexo feminino os que apresentam índices mais elevados de sintomas psicopatológicos. Os resultados deste estudo sugerem a necessidade de intervenção por parte dos profissionais de saúde de forma que possam garantir saúde, bem-estar e qualidade de vida a este segmento populacional.
Autores principais:Castro, Lisneti Maria de
Assunto:Psicologia clínica Pessoas idosas - Cuidados de saúde Saúde mental Pessoal de saúde Doenças crónicas Qualidade de vida
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:O século XXI está sendo marcado pelo envelhecimento populacional, e como consequência deste aumento de longevidade, tem-se verificado o aumento de doenças crónicas e/ou degenerativas típicas de idades avançadas , que poderão incapacitar os seus portadores, conduzindo à necessidade de cuidados domiciliários e de longo prazo. É neste cenário que surge o cuidador informal, que terá a responsabilidade de cuidar e se envolver em todas as atividades que possam garantir conforto e bem-estar ao familiar que se encontra incapacitado. Á medida que a tarefa de cuidador informal se torna mais exigente, maior é a possibilidade dos cuidadores informais manifestarem sintomas de sobrecarga, seja ela objetiva e/ou subjetiva, e de esta sobrecarga interferir na sua saúde mental e suporte social recebido e percebido. Neste sentido, definimos como objetivo principal do nosso estudo compreender as relações entre as sobrecargas objetiva/subjetiva, a sintomatologia psicopatológica e o suporte social percecionado por uma amostra de 30 cuidadores informais. Estes cuidadores além de terem participado de uma entrevista semiestruturada responderam aos seguintes instrumentos: Questionário de Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal; Inventário de Sintomas Psicopatológicos e Escala de Provisões Sociais. Verificamos que a sobrecarga emocional tem influência na saúde mental dos cuidadores informais, em particular nas dimensões de depressão e ansiedade, mas também nas dimensões de sensibilidade interpessoal e hostilidade. Relativamente à sobrecarga manifesta em implicações na vida pessoal, sobrecarga financeira, reações a exigências e mecanismo de eficácia e controlo, verificou-se os mesmos valores de sobrecarga entre os sexos. Em relação ao género e a sintomatologia psicopatológica constatou-se que os cuidadores do sexo feminino quando comparados com os cuidadores do sexo masculino apresentam valores mais elevados nas dimensões de somatização e obsessão-compulsão. Embora não surgisse associado à sobrecarga, os resultados indicam que a perceção de suporte social se associa de forma positiva com a psicossintomatologia. Deste modo constata-se que os cuidadores informais participantes desta amostra percecionam a interferência da sua sobrecarga na sua saúde mental, sendo os cuidadores do sexo feminino os que apresentam índices mais elevados de sintomas psicopatológicos. Os resultados deste estudo sugerem a necessidade de intervenção por parte dos profissionais de saúde de forma que possam garantir saúde, bem-estar e qualidade de vida a este segmento populacional.