| Resumo: | O trabalho por turnos e noturno é um problema para a maioria dos trabalhadores e constitui um problema de saúde ocupacional muitas vezes ignorado. A evolução do mundo atual exige que muitas indústrias laborem continuamente, tornando-se necessária a criação de vários turnos de trabalho. O trabalho por turnos é responsável pela desregulação dos ritmos biológicos normais, obrigando o organismo a esforços de adaptação que podem levar ao desgaste, originando consequências a nível da saúde (física e psicológica), da vida familiar e social e do trabalho (segurança e desempenho). Assim, desenvolveu-se um estudo de natureza observacional, transversal, do tipo descritivo-correlacional, com o objetivo de avaliar o impacto do trabalho por turnos e noturno, na qualidade do sono, da saúde e da situação social e doméstica dos operadores. Os dados foram recolhidos através de questionário [Standard Shiftwork Index (EPTT) e Survey of Shiftworkers (Versão Reduzida do EPTT)] junto a 109 operadores, dos quais 28 praticavam turno fixo diurno e 81 turnos alternados com trabalho noturno. Os resultados indicam que os operadores que fazem turnos com trabalho noturno, apresentam maiores perturbações de sono (menor quantidade e qualidade do sono, menor grau de repouso e acordar mais precoce), uma perturbação psicológica superior e uma saúde física mais pobre (maior perturbação gastrointestinal e cardiovascular) quando comparados com os operadores de horário fixo diurno. Relativamente à esfera social e doméstica, os resultados indicam que os operadores que fazem turnos com trabalho noturno apresentam uma semelhante satisfação relativamente à quantidade de tempo que o seu sistema de turnos lhe deixa para determinadas atividades sociais ou domésticas, comparativamente aos operadores de horário geral fixo. Neste estudo, não se verificou qualquer diferença com significado estatístico no que respeita à saúde psicossocial entre operadores dos dois regimes horários. No entanto, os dados reportados aparentam ser indicadores de fontes de stresse ocupacional, de desgaste físico e emocional, nos operadores que trabalham por turnos, constituindo fatores de risco para a saúde psicossocial e organizacional. |