| Resumo: | Portugal é o 2º país da europa com maior índice de envelhecimento. Atualmente, os dados mais recentes do Pordata, relativos ao ano de 2023, apontam para um aumento de 3.7% face ao ano de 2022. Estes valores levam, consequentemente, ao aumento do número de pessoas doentes com necessidade de cuidados paliativos (CP). Estes cuidados são cuidados preventivos que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida (QDV) e aliviar o sofrimento, através da realização de uma avaliação e observação minuciosa da dor e outros de problemas físicos, psicológicos, sociais e espirituais. Focam-se em satisfazer as necessidades das pessoas doentes e não no tratamento. Vão para além dos cuidados curativos, afirmam a vida, aceitam a morte como um processo natural repudiando a distanásia. Exigem do profissional de saúde, principalmente do enfermeiro, competências especificas a nível do controlo sintomático, acompanhamento familiar, nomeadamente, na tomada de decisão e apoio no luto, comunicação e o trabalho em equipa, e competências gerais como a formação, gestão e investigação. De destacar que os conhecimentos teóricos, devem ser aliados à prática clínica, para que se possam treinar as habilidades adquiridas e se alcance a consolidação dos mesmos. Neste sentido o estágio de natureza profissional (ENP) cumpre essa função, potenciando o desenvolvimento de competências humanas e relacionais, essenciais para a prestação de cuidados de excelência com qualidade e rigor técnico científico, à pessoa doente e família em CP. Assim, com o objetivo de desenvolver competências especificas e comuns, realiza-se o ENP, numa UCP da região norte. Este estágio atendeu assim, ao estipulado pela ordem dos enfermeiros, para a aquisição do título de especialista na área de enfermagem à pessoa em situação paliativa, sublinha-se que durante a realização do mesmo se desenvolveram algumas atividades, no âmbito da prestação direta de cuidados à unidade familiar, atendendo aos 4 pilares dos CP (gestão de sintomas, comunicação, apoio à família e trabalho em equipa). Desenvolveu-se também, em resposta às necessidades formativas identificadas na equipa, um curso básico em CP, em colaboração com a escola superior de saúde e o diretor clínico da UCP, promovendo assim a melhoria de qualidade continua. Participou-se em várias conferências familiares e reuniões multidisciplinares que possibilitaram o desenvolvimento de competências comunicacionais e de trabalho em equipa. O estudo de investigação debruçou-se sobre a temática: A humanização dos cuidados de enfermagem em CP, necessidade identificada através do diagnóstico de necessidades realizado. Tem como objetivo geral: conhecer a perceção dos familiares significativos da pessoa em fim de vida acerca da humanização dos cuidados de enfermagem em cuidados paliativos. Utilizou-se uma metodologia qualitativa, com recurso à entrevista semiestruturada dirigida às pessoas significativas da pessoa doente internada. A análise foi realizada segundo a análise de conteúdo de Bardin (2016). Verificou-se, inequivocamente, que o apoio à família é um dos pilares dos CP, pois as famílias reconhecem a sua importância. Os familiares percebem os cuidados de enfermagem humanizados, como cuidados especializados que respondem às necessidades da unidade familiar e que preservam a dignidade. Neste sentido, assumem a importância de formação e experiência na área, para a prestação de cuidados de enfermagem com qualidade, no entanto, sabem que as equipas se encontram limitadas e que fazem o melhor que podem com os recursos que tem. |