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A Comunicação com a pessoa em situação crítica submetida a ventilação mecânica invasiva: perspetiva do enfermeiro

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A comunicação permite relacionarmo-nos com os outros, tornando-nos um ser social e constitui um pilar importante onde assenta a humanização dos cuidados de saúde. A pessoa com falência de funções vitais que necessita de ventilação artificial não emite sons, devido à presença de um tubo endotraqueal, limitando a capacidade de comunicar, justamente em momentos de maior fragilidade, quando corre risco de vida. É neste contexto que surge este estudo, cujo interesse foi despoletado durante um estágio numa unidade de cuidados intensivos, onde tive a oportunidade de cuidar de doentes críticos ventilados e, por isso, impedidos de comunicar verbalmente. Neste sentido, desenvolvemos um estudo qualitativo de caráter exploratório descritivo, cujo objetivo foi compreender o processo de comunicação entre o enfermeiro e a pessoa em situação crítica submetida a ventilação mecânica invasiva, de modo a contribuir para a melhoria da qualidade de cuidados. Como estratégia de recolha de dados optámos pela entrevista semiestruturada e pela observação participante a um grupo de dez enfermeiros de uma unidade de cuidados intensivos de um hospital da zona Norte de Portugal.Após a análise dos dados obtidos através da técnica de análise de conteúdo, os resultados foram organizados em torno de cinco áreas temáticas: modos de comunicar; finalidades da comunicação enfermeiro/doente; fatores que interferem no processo de comunicação; estratégias mobilizadas pelo enfermeiro no processo de comunicação e sugestões para otimizar a comunicação. Emergiram as seguintes conclusões: Na interação enfermeiro/doente são mobilizados os modos de comunicar-verbal e nãoverbal. Enquanto os enfermeiros utilizam preferencialmente a palavra falada para comunicar com o doente, associada grande parte das vezes a formas de comunicação não-verbal, o doente comunica com o enfermeiro principalmente através de formas de comunicação não-verbal, estando estas dependentes da descodificação da mensagem por parte do enfermeiro. Das finalidades da comunicação enfermeiro/doente evidencia-se o explicar dos procedimentos que vão executar e avaliar as necessidades do doente. Dos diversos fatores que interferem na comunicação enfermeiro/doente destacamos o estado de consciência/nível de sedação do doente, a experiência profissional do enfermeiro em UCI e o ambiente da própria unidade. Emergiram sugestões que atribuem particular importância ao desenvolvimento de competências comunicacionais do enfermeiro e à partilha de relatos das experiências dos doentes submetidos a ventilação mecânica invasiva. Neste sentido perspetivamos mudanças que impliquem um maior investimento na formação dos profissionais neste domínio e um maior envolvimento da família nos cuidados fomentando espaços de reflexão que ajudem a aproximar o cuidador da pessoa cuidada.
Autores principais:Alves, Ana Paula Lima
Assunto:cuidados intensivos comunicação ventilação mecânica intensive care communication mechanical ventilation
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:A comunicação permite relacionarmo-nos com os outros, tornando-nos um ser social e constitui um pilar importante onde assenta a humanização dos cuidados de saúde. A pessoa com falência de funções vitais que necessita de ventilação artificial não emite sons, devido à presença de um tubo endotraqueal, limitando a capacidade de comunicar, justamente em momentos de maior fragilidade, quando corre risco de vida. É neste contexto que surge este estudo, cujo interesse foi despoletado durante um estágio numa unidade de cuidados intensivos, onde tive a oportunidade de cuidar de doentes críticos ventilados e, por isso, impedidos de comunicar verbalmente. Neste sentido, desenvolvemos um estudo qualitativo de caráter exploratório descritivo, cujo objetivo foi compreender o processo de comunicação entre o enfermeiro e a pessoa em situação crítica submetida a ventilação mecânica invasiva, de modo a contribuir para a melhoria da qualidade de cuidados. Como estratégia de recolha de dados optámos pela entrevista semiestruturada e pela observação participante a um grupo de dez enfermeiros de uma unidade de cuidados intensivos de um hospital da zona Norte de Portugal.Após a análise dos dados obtidos através da técnica de análise de conteúdo, os resultados foram organizados em torno de cinco áreas temáticas: modos de comunicar; finalidades da comunicação enfermeiro/doente; fatores que interferem no processo de comunicação; estratégias mobilizadas pelo enfermeiro no processo de comunicação e sugestões para otimizar a comunicação. Emergiram as seguintes conclusões: Na interação enfermeiro/doente são mobilizados os modos de comunicar-verbal e nãoverbal. Enquanto os enfermeiros utilizam preferencialmente a palavra falada para comunicar com o doente, associada grande parte das vezes a formas de comunicação não-verbal, o doente comunica com o enfermeiro principalmente através de formas de comunicação não-verbal, estando estas dependentes da descodificação da mensagem por parte do enfermeiro. Das finalidades da comunicação enfermeiro/doente evidencia-se o explicar dos procedimentos que vão executar e avaliar as necessidades do doente. Dos diversos fatores que interferem na comunicação enfermeiro/doente destacamos o estado de consciência/nível de sedação do doente, a experiência profissional do enfermeiro em UCI e o ambiente da própria unidade. Emergiram sugestões que atribuem particular importância ao desenvolvimento de competências comunicacionais do enfermeiro e à partilha de relatos das experiências dos doentes submetidos a ventilação mecânica invasiva. Neste sentido perspetivamos mudanças que impliquem um maior investimento na formação dos profissionais neste domínio e um maior envolvimento da família nos cuidados fomentando espaços de reflexão que ajudem a aproximar o cuidador da pessoa cuidada.