| Resumo: | O conhecimento sobre o processo de envelhecimento, a velhice e as pessoas mais velhas é ainda recente e, apesar do crescimento concetual e empírico exponencial das últimas décadas, existem aspetos acerca dos quais se conhece muito pouco. Um destes aspetos é a sexualidade e a intimidade que, apesar de serem consideradas necessidades cuja satisfação tem fortes implicações para o bem-estar e qualidade de vida, carece de estudos sistemáticos, nomeadamente no que se refere a sua expressão e vivência na velhice. O ser humano tem a necessidade de interagir e relacionar-se com outros da sua espécie, e é nestas interações sociais que as relações de intimidade emergem e podem evoluir (Sousa, 2014). Nas relações íntimas existe partilha, confiança no outro, afeto e segurança, sentimentos essenciais para o funcionamento e desenvolvimento adaptativo, particularmente nesta última fase da vida. Rebec e colaboradores (2015) definem a sexualidade como uma necessidade humana de alcançar um sentimento de pertença e de proximidade ao outro, integrando aspetos da identidade pessoal, social e cultural. A sexualidade manifesta-se das mais variadas formas nas diferentes fases da vida adulta, sendo que na velhice apresenta especificidades que importa conhecer. Além disso, e de acordo com Pires (2018), as atitudes, pensamentos e comportamentos face à sexualidade resultam do equilíbrio entre a condição física, necessidades e motivações, mas também das normas e exigências da sociedade. Neste contexto, o presente estudo qualitativo do tipo fenomenológico tem como objetivo compreender a expressão e vivência da sexualidade e da intimidade em pessoas mais velhas a residir de forma autónoma na comunidade. No estudo participam 24 pessoas com 65+ anos, em igual proporção em termos de género, que foram entrevistadas com recurso a entrevista semiestruturada. A análise de conteúdo das entrevistas evidenciou que a expressão e vivência da sexualidade e da intimidade na velhice se estrutura em três domínios: (1) Perspetivas e conceções sobre sexualidade e intimidade, (2) Expressão e vivência da sexualidade e da intimidade, e (3) Aprendizagem e sabedoria. Cada domínio integra um conjunto variável de categorias e subcategorias que caracterizam o fenómeno em estudo. Globalmente, os resultados permitem identificar uma forte associação entre a sexualidade e intimidade; variações e especificidades da vivência e expressão da sexualidade e intimidade na velhice por contraponto à juventude e em função de género; influência dos valores culturais, religiosos e familiares na vivência e expressão da sexualidade e intimidade ao longo da vida; impacto de estereótipos e preconceitos acerta da velhice e da sexualidade na vivência e expressão da sexualidade e intimidade; capacidade dos participantes em normalizar as vivências nesta fase da vida; e as implicações das alterações decorrentes do processo de envelhecimento para a vivência e expressão da sexualidade e intimidade. Os resultados obtidos encontram-se alinhados com os resultados prévios da investigação no domínio, salientando as especificidades da sexualidade e da intimidade na velhice e evidenciando a sua relevância para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas mais velhas. Importa, portanto, aprofundar a investigação e desenvolver a prática gerontológica sustentada na evidência neste domínio, consolidando o contributo da Gerontologia Social e do Gerontólogo para esta dimensão do envelhecimento humano. |