| Resumo: | Os cuidados de enfermagem, no que respeita à pessoa em situação crítica, têm vindo a evoluir significativamente ao longo dos tempos. Este facto traduz um aumento de técnicas e intervenções cada vez mais invasivas e procedimentos mais complexos, com o objetivo de otimizar o estado de saúde da pessoa, o que pode ter como consequência o surgimento de úlceras por pressão associadas a dispositivos médicos (UPADM). Estas ocorrem em qualquer pessoa que seja sujeita à aplicação de um dispositivo médico e dependem frequentemente da condição da pessoa e da necessidade dos meios de suporte para assegurar as melhores condições para a recuperação da saúde. O presente estudo foi realizado numa Unidade de Cuidados Intermédios de um Hospital Central da Região Norte, sendo um estudo descritivo – correlacional, que tem com o objetivo de descrever a incidência das UPADM e analisar fatores relacionados com estas. A amostra foi constituída por 134 pessoas com internamento no período de 1 de maio de 2015 a 30 de outubro de 2015. As idades variaram entre os 17 e os 100 anos, com média de 65,13 ± 17,56 anos e mediana 68 anos, predominando o sexo masculino (57,5%). Os diagnósticos mais comuns foram do foro traumático e metabólico e 91,8% das pessoas apresentaram uma ou mais comorbilidades. O tempo de internamento variou entre 0 e 15 dias, com a média de 3,49 ± 2,873 dias. 64,2% das pessoas apresentavam necessidade de posicionamento de 3 em 3 horas e o risco de UP avaliado através da escala de Braden foi maioritariamente alto (60,4%). Na admissão, estavam presentes úlceras por pressão em 11,2% das pessoas internadas. O dispositivo mais utilizado foi o oxímetro (100%), seguido das tubuladuras, catéteres venosos periféricos e adesivos (97,8 %) e do cateter urinário (91,0%). A taxa de incidência de UPADM foi de 11,9%, predominando nas pessoas com máscara de ventilação não invasiva (VNI), seguidas das pessoas com sonda nasogástrica (SNG), não se observando úlceras relacionadas com a utilização de outros dispositivos. O tempo para o surgimento de UPADM nas máscaras de VNI variou entre 1 e 5 dias, com média de 1,86 ± 1,099 dias e nas SNG variou entre 1 e 2 dias, com média de 1,5 ± 0,707 dias. No que respeita às categorias, foram verificadas UPADM de categorias I e II, todas na região do nariz. Observou-se associação entre a presença de UPADM e o foro do diagnóstico de admissão, o tempo de internamento e a avaliação de risco pela Escala de Braden.O desenvolvimento de UPADM tem relação com questões principalmente de ordem clínica. No entanto, cabe ao enfermeiro e ao enfermeiro especialista em enfermagem em pessoa em situação crítica avaliar a pessoa de forma holística estando atento a todas as suas necessidades quando estabelece o risco, planeia, executa e avalia os cuidados de enfermagem e atitudes terapêuticas. |