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Avaliação e intervenção gerontológica: contributos para a Gerontologia Social

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Resumo:Contexto. O envelhecimento é um dos fenómenos mais relevantes do seculo XXI. À medida que envelhecemos, os percursos de vida diferem uns dos outros devido ao cruzamento de diversos fatores, sejam de ordem individual (biológica, psicológica), sejam de ordem coletiva (social e cultural), devido à interação destes fatores ou ainda à coexistência de acontecimentos de vida normativos e não-normativos distribuídos ao longo do ciclo/curso de vida. À escala global vivemos mais anos, mas a qualidade de vida e bem-estar não está garantida para toda a população. As teorias “life-course” e “life-span” partilham entre si um pressuposto central – o envelhecimento é um processo ao longo da vida, dinâmico e progressivo, intimamente ligado a fatores biológicos, psicológicos e sociais. Nas últimas décadas assistimos na gerontologia e na gerontologia social a uma visão positiva do envelhecimento e das últimas fases do ciclo de vida. Organizações Internacionais defendem que o envelhecimento deve ser vivido de uma forma positiva e ativa, minimizando as perdas e maximizando os ganhos ao longo de todo este processo, propondo o conceito de envelhecimento ativo e mais recentemente o envelhecimento saudável. No final do seculo XX, investigadores provenientes de áreas disciplinares distintas apresentam várias propostas orientadas para uma visão positiva do envelhecimento, onde se destacam vários modelos de envelhecimento bem-sucedido. Estas propostas têm em comum uma visão multidimensional do envelhecimento bem-sucedido, colocando em destaque processos, resultados, ou ambos. Para promover um envelhecimento positivo, importa desenvolver intervenções preventivas e optimizadoras, eficazes e inovadoras, centradas na pessoa e/ou na comunidade. Objetivos do estudo: (1) identificar tendências na investigação associada a estudos-de-basecomunitária (estudos empíricos), nomeadamente em termos de capacidade funcional, desempenho cognitivo e redes sociais; (2) caracterizar as intervenções orientadas para o envelhecimento ativo, saudável e/ou bem-sucedido em zonas territoriais especificas. Método. O presente estudo desenvolveu-se em duas etapas: (1) pesquisa de dissertações do Mestrado em Gerontologia Social, tendo sido definido para o efeito palavras-chave e critérios de inclusão e exclusão; (2) com base nos estudos identificados, procurou-se caracterizar os projetos/programas em termos de Políticas Públicas a nível local. Resultados. Dos 11 estudos empíricos, observou-se que predominavam as mulheres (variação entre 53% e 76,7%), terceira idade (média de idades varia entre 74,1 anos e 78,2 anos) e reduzido nível de escolaridade (variação entre 2,8 e 4,1 anos). Relativamente aos domínios de funcionamento individual, observou-se uma grande amplitude: (a) funcionalidade - predomina dependência moderada (entre 20% e 70,1%); (b) desempenho cognitivo, observa-se défice cognitivo entre 13,1% a 37,5%; (c) risco de isolamento social - entre 1,4% e 30,7%. Quanto à intervenção associada às Políticas Públicas a nível local observa-se que predominam os programas/projetos associados à atividade física, atividades socio-recreativas e outras atividades (ex., atividades da esfera cognitiva/aprendizagem em domínios específicos). Conclusão. Face à amplitude dos resultados obtidos no presente estudo associados à avaliação e intervenção gerontológica, é necessário prosseguir estudos neste domínio de modo a ampliar a base da evidência para a prática gerontologica.
Autores principais:Sampaio, Diana Cristina Capitão
Assunto:Envelhecimento Avaliação gerontológica multidimensional Intervenção gerontológica Envelhecimento bem-sucedido Gerontologia Social Aging Multidimensional gerontological assessment Gerontological intervention Successful aging Social Gerontology
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:Contexto. O envelhecimento é um dos fenómenos mais relevantes do seculo XXI. À medida que envelhecemos, os percursos de vida diferem uns dos outros devido ao cruzamento de diversos fatores, sejam de ordem individual (biológica, psicológica), sejam de ordem coletiva (social e cultural), devido à interação destes fatores ou ainda à coexistência de acontecimentos de vida normativos e não-normativos distribuídos ao longo do ciclo/curso de vida. À escala global vivemos mais anos, mas a qualidade de vida e bem-estar não está garantida para toda a população. As teorias “life-course” e “life-span” partilham entre si um pressuposto central – o envelhecimento é um processo ao longo da vida, dinâmico e progressivo, intimamente ligado a fatores biológicos, psicológicos e sociais. Nas últimas décadas assistimos na gerontologia e na gerontologia social a uma visão positiva do envelhecimento e das últimas fases do ciclo de vida. Organizações Internacionais defendem que o envelhecimento deve ser vivido de uma forma positiva e ativa, minimizando as perdas e maximizando os ganhos ao longo de todo este processo, propondo o conceito de envelhecimento ativo e mais recentemente o envelhecimento saudável. No final do seculo XX, investigadores provenientes de áreas disciplinares distintas apresentam várias propostas orientadas para uma visão positiva do envelhecimento, onde se destacam vários modelos de envelhecimento bem-sucedido. Estas propostas têm em comum uma visão multidimensional do envelhecimento bem-sucedido, colocando em destaque processos, resultados, ou ambos. Para promover um envelhecimento positivo, importa desenvolver intervenções preventivas e optimizadoras, eficazes e inovadoras, centradas na pessoa e/ou na comunidade. Objetivos do estudo: (1) identificar tendências na investigação associada a estudos-de-basecomunitária (estudos empíricos), nomeadamente em termos de capacidade funcional, desempenho cognitivo e redes sociais; (2) caracterizar as intervenções orientadas para o envelhecimento ativo, saudável e/ou bem-sucedido em zonas territoriais especificas. Método. O presente estudo desenvolveu-se em duas etapas: (1) pesquisa de dissertações do Mestrado em Gerontologia Social, tendo sido definido para o efeito palavras-chave e critérios de inclusão e exclusão; (2) com base nos estudos identificados, procurou-se caracterizar os projetos/programas em termos de Políticas Públicas a nível local. Resultados. Dos 11 estudos empíricos, observou-se que predominavam as mulheres (variação entre 53% e 76,7%), terceira idade (média de idades varia entre 74,1 anos e 78,2 anos) e reduzido nível de escolaridade (variação entre 2,8 e 4,1 anos). Relativamente aos domínios de funcionamento individual, observou-se uma grande amplitude: (a) funcionalidade - predomina dependência moderada (entre 20% e 70,1%); (b) desempenho cognitivo, observa-se défice cognitivo entre 13,1% a 37,5%; (c) risco de isolamento social - entre 1,4% e 30,7%. Quanto à intervenção associada às Políticas Públicas a nível local observa-se que predominam os programas/projetos associados à atividade física, atividades socio-recreativas e outras atividades (ex., atividades da esfera cognitiva/aprendizagem em domínios específicos). Conclusão. Face à amplitude dos resultados obtidos no presente estudo associados à avaliação e intervenção gerontológica, é necessário prosseguir estudos neste domínio de modo a ampliar a base da evidência para a prática gerontologica.