| Resumo: | A expansão urbana desordenada no Brasil aprofunda desigualdades socioespaciais e restringe o direito à cidade, reforçando um modelo rodoviarista que marginaliza a bicicleta, apesar de sua acessibilidade e eficiência. A carência de infraestrutura adequada contribui para o subaproveitamento deste modal, configurando um problema que se reflete na própria morfologia urbana e na disputa pelos espaços que compõem o tecido social. O objeto de estudo foi o distrito sede do município de Campos dos Goytacazes, na região norte do Rio de Janeiro/Brasil, o objetivo é analisar a relação entre as recentes expansões da malha cicloviária, a população atendida e os conflitos emergentes a partir dessas mudanças morfológicas. A metodologia aplicada no estudo foi a revisão e interpretação de documentos, dados oficiais sobre o perfil dos usuários de bicicleta e registros veiculados a mídia. Desenvolvidas em três etapas: o levantamento das estruturas cicloviárias após a implementação do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável; a análise dos locais de implantação; e, a avaliação da relação entre a população e as transformações na morfologia viária. Os resultados evidenciam um conflito pela apropriação diferenciada do espaço urbano, nessa perspectiva, o planejamento urbano pode atuar tanto como ferramenta de resistência como instrumento de reprodução das desigualdades existentes. |