Publicação
Na sabedoria de uma quietude: Três rostos de Fiama
| Resumo: | Propõe-se neste artigo uma leitura de Três Rostos (1989) de Fiama Hasse Pais Brandão. Procurando sublinhar o forte sentido estruturante do livro, faz-se um enquadramento, em perspectiva, relativamente ao resto da obra da autora, marcada por um forte pendor experimental. O modo de o acto criador assegurar uma estabilidade geradora de harmonias passa pela busca de correspondências (o mundo, a palavra) que projetam a utopia de uma disposição ordenadora, forma de resgatar o ouro do verso ao fluxo energético da desordem. Em Três Rostos, o apelo às identificações faz sobressair um extraordinário efeito metonímico: tudo é contíguo a tudo. Assim como o extratextual se projecta no poema, de igual modo essa mesma realidade referenciável (a casa e a quinta de Carcavelos) é uma extensão da realidade (voz) poética. O vasto mundo é epifanicamente entrevisto nas coisas miúdas. Restringe-se a focagem para amplificar, mas a amplificação continua ao serviço da infinitamente pequena perspectiva. No interior de Três Rostos somos conduzidos ao âmago de uma teoria poética: a apresentação da figura da Autora/Leitora propõe o “horizonte da voz” como horizonte aureolado contraposto ao “horizonte do texto”. A voz é fundadora. A grafia, o verso escrito são mera transcrição, mero reflexo do real e a obra toda, infinita errância de ecos disseminados, é a celebração da fertilidade onomatopaica. |
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| Autores principais: | Sousa, Carlos Mendes de |
| Assunto: | Fiama Hasse Pais Brandão Três rostos Poesia portuguesa moderna e contemporânea Realidade poética Metonímia Som, Voz |
| Ano: | 2001 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Propõe-se neste artigo uma leitura de Três Rostos (1989) de Fiama Hasse Pais Brandão. Procurando sublinhar o forte sentido estruturante do livro, faz-se um enquadramento, em perspectiva, relativamente ao resto da obra da autora, marcada por um forte pendor experimental. O modo de o acto criador assegurar uma estabilidade geradora de harmonias passa pela busca de correspondências (o mundo, a palavra) que projetam a utopia de uma disposição ordenadora, forma de resgatar o ouro do verso ao fluxo energético da desordem. Em Três Rostos, o apelo às identificações faz sobressair um extraordinário efeito metonímico: tudo é contíguo a tudo. Assim como o extratextual se projecta no poema, de igual modo essa mesma realidade referenciável (a casa e a quinta de Carcavelos) é uma extensão da realidade (voz) poética. O vasto mundo é epifanicamente entrevisto nas coisas miúdas. Restringe-se a focagem para amplificar, mas a amplificação continua ao serviço da infinitamente pequena perspectiva. No interior de Três Rostos somos conduzidos ao âmago de uma teoria poética: a apresentação da figura da Autora/Leitora propõe o “horizonte da voz” como horizonte aureolado contraposto ao “horizonte do texto”. A voz é fundadora. A grafia, o verso escrito são mera transcrição, mero reflexo do real e a obra toda, infinita errância de ecos disseminados, é a celebração da fertilidade onomatopaica. |
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