Publicação
Atividades quotidianas como elementos promotores do bem-estar e crescimento individual e social: a perspetiva de crianças em idade escolar
| Resumo: | As atividades quotidianas realizadas em casa, na escola ou na comunidade podem proporcionar experiências de crescimento individual e social que facilitam o desenvolvimento de comportamentos saudáveis e adaptativos nas crianças. Esse impacte positivo deve-se a aspetos relacionados com a qualidade das atividades, nomeadamente, o suporte socioemocional de pares e adultos, as oportunidades de aprendizagem e estimulação, e o nível de envolvimento cognitivo e emocional que promovem. No entanto, são poucos os estudos que exploram o bem-estar e experiências vividas durante as atividades quotidianas. Partindo das perspetivas das próprias crianças, e no contexto do seu direito à participação, este estudo qualitativo visou (1) descrever as características das atividades quotidianas que são mais relevantes para as crianças, e (2) compreender a forma como a participação nessas atividades quotidianas exerce influência sobre o seu bem-estar, partindo das suas experiências individuais e do significado atribuído. Foram realizados cinco grupos focais em formato semiestruturado em duas escolas do 1.º Ciclo com um total de 21 crianças do 4.º ano de escolaridade, aplicando como método facilitador da participação a técnica Desenha-Escreve-e-Conta. Os dados das entrevistas foram alvo de análise temática usando uma abordagem dedutiva-indutiva, complementada pela análise de conteúdo do breve questionário incluído no instrumento Desenha-Escreve-e-Conta. Os resultados indicam que as categorias de atividades identificadas pelas crianças são diversas (ex., desporto, lazer em família, recreio), ocorrem em vários contextos ecológicos (ex., casa, escola, instituições da comunidade), e exercem influências positivas e negativas sobre o seu bem-estar. Estas atividades constituem-se predominantemente como oportunidades de crescimento, expressão da autonomia e realização de interesses pessoais, onde os parceiros sociais desempenham um papel fundamental. Inversamente, algumas atividades foram identificadas como fontes de stress, ansiedade e dificuldades. Quatro temas centrais foram identificados nas atividades quotidianas das crianças (1) experiência de emoções positivas (relaxamento, satisfação, divertimento, bem-estar subjetivo), (2) aprendizagem de coisas novas (competências cognitivas e socioemocionais), (3) expressão do processo de crescimento individual (identidade, iniciativa), e (4) violência e conflitos interpessoais não resolvidos/atendidos (bullying, conflito entre pares). Estes resultados são discutidos no âmbito de outros estudos recentes que perspetivam as crianças como agentes ativos nos seus processos de crescimento e de promoção do bem-estar, ancorados nas experiências vividas no dia a dia. À luz destes resultados são sugeridas as implicações para melhores práticas e intervenções, assim como para futura investigação. |
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| Autores principais: | Oliveira, Vítor Hugo Pereira |
| Outros Autores: | Martins, Paula Cristina; Carvalho, Graça Simões de |
| Assunto: | Atividades diárias Envolvimento Estudos da criança Qualidade Saúde infantil Participação |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | outro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | As atividades quotidianas realizadas em casa, na escola ou na comunidade podem proporcionar experiências de crescimento individual e social que facilitam o desenvolvimento de comportamentos saudáveis e adaptativos nas crianças. Esse impacte positivo deve-se a aspetos relacionados com a qualidade das atividades, nomeadamente, o suporte socioemocional de pares e adultos, as oportunidades de aprendizagem e estimulação, e o nível de envolvimento cognitivo e emocional que promovem. No entanto, são poucos os estudos que exploram o bem-estar e experiências vividas durante as atividades quotidianas. Partindo das perspetivas das próprias crianças, e no contexto do seu direito à participação, este estudo qualitativo visou (1) descrever as características das atividades quotidianas que são mais relevantes para as crianças, e (2) compreender a forma como a participação nessas atividades quotidianas exerce influência sobre o seu bem-estar, partindo das suas experiências individuais e do significado atribuído. Foram realizados cinco grupos focais em formato semiestruturado em duas escolas do 1.º Ciclo com um total de 21 crianças do 4.º ano de escolaridade, aplicando como método facilitador da participação a técnica Desenha-Escreve-e-Conta. Os dados das entrevistas foram alvo de análise temática usando uma abordagem dedutiva-indutiva, complementada pela análise de conteúdo do breve questionário incluído no instrumento Desenha-Escreve-e-Conta. Os resultados indicam que as categorias de atividades identificadas pelas crianças são diversas (ex., desporto, lazer em família, recreio), ocorrem em vários contextos ecológicos (ex., casa, escola, instituições da comunidade), e exercem influências positivas e negativas sobre o seu bem-estar. Estas atividades constituem-se predominantemente como oportunidades de crescimento, expressão da autonomia e realização de interesses pessoais, onde os parceiros sociais desempenham um papel fundamental. Inversamente, algumas atividades foram identificadas como fontes de stress, ansiedade e dificuldades. Quatro temas centrais foram identificados nas atividades quotidianas das crianças (1) experiência de emoções positivas (relaxamento, satisfação, divertimento, bem-estar subjetivo), (2) aprendizagem de coisas novas (competências cognitivas e socioemocionais), (3) expressão do processo de crescimento individual (identidade, iniciativa), e (4) violência e conflitos interpessoais não resolvidos/atendidos (bullying, conflito entre pares). Estes resultados são discutidos no âmbito de outros estudos recentes que perspetivam as crianças como agentes ativos nos seus processos de crescimento e de promoção do bem-estar, ancorados nas experiências vividas no dia a dia. À luz destes resultados são sugeridas as implicações para melhores práticas e intervenções, assim como para futura investigação. |
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