Publicação

Estava nu e vestiste-me: indumentária, pobreza e poder nas santas casas portuguesas a partir do caso da misericórdia de Braga (1650-1750)

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As santas casas da misericórdia, enquanto confrarias laicas de imediata proteção régia, desempenharam importantes funções de natureza assistencial na sociedade da Idade Moderna. Por força do seu compromisso e por inspiração no exemplo de Jesus Cristo, as santas casas praticavam as obras de misericórdia. A terceira obra corporal – “vestir os nus” – implicava que aquelas instituições transferissem para os pobres, a título de esmola, elementos de indumentária, nomeadamente tecidos, peças manufaturadas ou dinheiro. Indumentária é o conceito que prescreve o conjunto de objetos que vestem e adornam o corpo, a partir da sua estrutura biológica, no sentido de construir uma aparência, cujos significados são compreendidos socialmente. Esse conjunto de signos impõe considerações de poder e hierarquia, mas também apreciações sobre o género, a moralidade, noção de inclusão e/ou exclusão de grupo. Os elementos de indumentária são, por isso, recursos de distinção. A presente dissertação problematiza o conjunto de transferências entre os ricos (irmãos das Santas Casas) e os pobres (recebedores de esmola ou salário em indumentária) a partir do conjunto de despesas e decisões políticas institucionais na misericórdia de Braga. A partir de metodologias qualitativas, analisamos um conjunto alargado de fontes contabilísticas (livros de despesa) e acórdãos de mesa, no sentido de compreendermos as práticas consignantes a elementos de indumentária, que se estabelecem entre o decisor da esmola e o seu recebedor. Empreendemos a análise sobre a dimensão objetiva dessas transferências, problematizando e categorizando as tipologias de indumentária, os têxteis e o conjunto dos aspetos económicos, políticos, culturais e simbólicos na sua órbita. Pretendemos contribuir para a discussão em redor das relações entre a pobreza, os pobres, as institucionais que gerem e praticam assistência, no intuito de promover uma aproximação à dimensão material e social da aparência do pobre durante a Idade Moderna.
Autores principais:Ferreira, Luís Gonçalves
Assunto:Indumentária Misericórdias Pobreza e poder Vestir os nus Clothe the naked Clothing Poverty and power
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As santas casas da misericórdia, enquanto confrarias laicas de imediata proteção régia, desempenharam importantes funções de natureza assistencial na sociedade da Idade Moderna. Por força do seu compromisso e por inspiração no exemplo de Jesus Cristo, as santas casas praticavam as obras de misericórdia. A terceira obra corporal – “vestir os nus” – implicava que aquelas instituições transferissem para os pobres, a título de esmola, elementos de indumentária, nomeadamente tecidos, peças manufaturadas ou dinheiro. Indumentária é o conceito que prescreve o conjunto de objetos que vestem e adornam o corpo, a partir da sua estrutura biológica, no sentido de construir uma aparência, cujos significados são compreendidos socialmente. Esse conjunto de signos impõe considerações de poder e hierarquia, mas também apreciações sobre o género, a moralidade, noção de inclusão e/ou exclusão de grupo. Os elementos de indumentária são, por isso, recursos de distinção. A presente dissertação problematiza o conjunto de transferências entre os ricos (irmãos das Santas Casas) e os pobres (recebedores de esmola ou salário em indumentária) a partir do conjunto de despesas e decisões políticas institucionais na misericórdia de Braga. A partir de metodologias qualitativas, analisamos um conjunto alargado de fontes contabilísticas (livros de despesa) e acórdãos de mesa, no sentido de compreendermos as práticas consignantes a elementos de indumentária, que se estabelecem entre o decisor da esmola e o seu recebedor. Empreendemos a análise sobre a dimensão objetiva dessas transferências, problematizando e categorizando as tipologias de indumentária, os têxteis e o conjunto dos aspetos económicos, políticos, culturais e simbólicos na sua órbita. Pretendemos contribuir para a discussão em redor das relações entre a pobreza, os pobres, as institucionais que gerem e praticam assistência, no intuito de promover uma aproximação à dimensão material e social da aparência do pobre durante a Idade Moderna.