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Developing the theoretical understanding of elder abuse: a social exchange approach

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Resumo:Os maus-tratos a pessoas idosas são um importante problema de saúde pública que afeta uma parte significativa da população. Apesar de existirem várias propostas teóricas para os maus-tratos, estas encontram-se pouco exploradas. A teoria das trocas sociais é uma teoria pouco desenvolvida e estudada no contexto dos maus-tratos a pessoas idosas, mas com um forte potencial integrativo. O principal objetivo desta tese é desenvolver, operacionalizar e testar uma formulação da teoria das trocas sociais aplicada aos maus-tratos a pessoas idosas. Num primeiro estudo, uma revisão sistemática da literatura, procurou-se sumariar o apoio empírico de seis teorias explicativas dos maus-tratos. Verificamos que todas apresentam evidência favorável. A partir desta revisão concluiu-se que existe uma necessidade de explorar novas interpretações destes modelos teóricos. A partir da análise dos princípios básicos da teoria das trocas sociais, formulou-se e operacionalizou-se uma nova proposta teórica. Esta proposta centra-se na hipótese geral de que o risco de maus-tratos é determinado pela disponibilidade de recursos pessoais e pelo poder/dependência na relação. Num segundo estudo, procedeu-se à adaptação e validação de uma medida de competências sociais, que nos permite medir um indicador de poder na relação. O estudo de validação revelou que a medida apresenta características psicométricas adequadas. Num terceiro estudo testamos a proposta teórica explorando a associação entre alguns recursos cognitivos da pessoa idosa e os maus-tratos. Exploramos também o papel moderador da funcionalidade e das competências sociais. Os resultados indicaram que a memória episódica, fluência fonémica e velocidade perceptual são bons preditores dos maus-tratos. A relação entre cognição e maus-tratos foi moderada pela funcionalidade e pelas competências sociais assertividade, defesa de opiniões e expressão de afeto positivo. No quarto estudo seguimos o mesmo paradigma, mas desta vez para explorar o papel dos recursos “reconhecimento de emoções” e “intuições morais”. Não foi encontrada relação entre o reconhecimento de emoções e os maus-tratos. Os resultados indicaram que a intuição moral dano/cuidado está associada a mais relatos de maus-tratos enquato a intuição autoridade/respeito se associa a menos. Tal como no terceiro estudo, estes efeitos foram moderados pela funcionalidade e competências sociais. Esta tese apresenta evidência favorável a uma conceptualização dos maus-tratos como troca social. A teoria das trocas socias apresenta-se como uma ferramenta promissora para a teorização, intervenção e prevenção dos maus-tratos a pessoas idosas.
Autores principais:Fundinho, João Filipe Mendes
Assunto:Cognição Competências sociais Maus-tratos a pessoas idosas Moralidade Teoria das trocas sociais Cognition Elder abuse Morality Social exchange theory Social skills
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:inglês
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Os maus-tratos a pessoas idosas são um importante problema de saúde pública que afeta uma parte significativa da população. Apesar de existirem várias propostas teóricas para os maus-tratos, estas encontram-se pouco exploradas. A teoria das trocas sociais é uma teoria pouco desenvolvida e estudada no contexto dos maus-tratos a pessoas idosas, mas com um forte potencial integrativo. O principal objetivo desta tese é desenvolver, operacionalizar e testar uma formulação da teoria das trocas sociais aplicada aos maus-tratos a pessoas idosas. Num primeiro estudo, uma revisão sistemática da literatura, procurou-se sumariar o apoio empírico de seis teorias explicativas dos maus-tratos. Verificamos que todas apresentam evidência favorável. A partir desta revisão concluiu-se que existe uma necessidade de explorar novas interpretações destes modelos teóricos. A partir da análise dos princípios básicos da teoria das trocas sociais, formulou-se e operacionalizou-se uma nova proposta teórica. Esta proposta centra-se na hipótese geral de que o risco de maus-tratos é determinado pela disponibilidade de recursos pessoais e pelo poder/dependência na relação. Num segundo estudo, procedeu-se à adaptação e validação de uma medida de competências sociais, que nos permite medir um indicador de poder na relação. O estudo de validação revelou que a medida apresenta características psicométricas adequadas. Num terceiro estudo testamos a proposta teórica explorando a associação entre alguns recursos cognitivos da pessoa idosa e os maus-tratos. Exploramos também o papel moderador da funcionalidade e das competências sociais. Os resultados indicaram que a memória episódica, fluência fonémica e velocidade perceptual são bons preditores dos maus-tratos. A relação entre cognição e maus-tratos foi moderada pela funcionalidade e pelas competências sociais assertividade, defesa de opiniões e expressão de afeto positivo. No quarto estudo seguimos o mesmo paradigma, mas desta vez para explorar o papel dos recursos “reconhecimento de emoções” e “intuições morais”. Não foi encontrada relação entre o reconhecimento de emoções e os maus-tratos. Os resultados indicaram que a intuição moral dano/cuidado está associada a mais relatos de maus-tratos enquato a intuição autoridade/respeito se associa a menos. Tal como no terceiro estudo, estes efeitos foram moderados pela funcionalidade e competências sociais. Esta tese apresenta evidência favorável a uma conceptualização dos maus-tratos como troca social. A teoria das trocas socias apresenta-se como uma ferramenta promissora para a teorização, intervenção e prevenção dos maus-tratos a pessoas idosas.