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Párocos perfeitos do reino e do império: aparência normalizada do clero paroquial português, sécs. XVI-XVIII

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A igreja católica reformada pelo concílio de Trento (1545-1563) confirmou a centralidade da paróquia e dos párocos para o controlo e o disciplinamento religioso dos crentes. Uma das consequências mais imediatas desta reforma foi o alargamento da rede de colégios e seminários para aperfeiçoar a formação intelectual do clero secular. Trento reforçou, também, os poderes dos bispos que, através dos sínodos e das visitações, deveriam assegurar o cumprimento da ortodoxia tridentina. As constituições sinodais eram instrumentos normativos fundamentais para a regulamentação da vida diocesana nos seus diversos quadrantes. As suas normas incluíam determinações sobre os usos e os costumes dos membros da hierarquia eclesiástica, onde se incluíam os trajes a serem utilizados. Estas normas postulavam os usos da cor, o tamanho das vestes, a sua diversidade funcional e tipológica, a importância da higiene, a renúncia da moda, do luxo e de objetos sumptuários. Determinava-se, ainda, a obrigatoriedade de manter a barba e os cabelos devidamente aparados. Estes aspetos sinalizavam a submissão ao direito canónico e contribuíram para a fixação de uma masculinidade clerical, supletiva e distinta da nobre, cujos pressupostos afirmavam a superioridade espiritual e a perfeição moral dos padres. O objetivo da nossa investigação é problematizar o vestuário do clero secular português conforme foi fixado em 23 constituições sinodais promulgadas, no território continental e ultramarino português, durante os séculos XVI e XVIII. Este trabalho discute a aparência normalizada dos clérigos mediante os conceitos de civilidade, hierarquia e distinção vigentes durante o Antigo Regime.
Autores principais:Ferreira, Luís Gonçalves
Assunto:Igreja Católica Concílio de Trento Paróquia e Párocos Antigo Regime Clero Secular Idade Moderna Indumentária e traje
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A igreja católica reformada pelo concílio de Trento (1545-1563) confirmou a centralidade da paróquia e dos párocos para o controlo e o disciplinamento religioso dos crentes. Uma das consequências mais imediatas desta reforma foi o alargamento da rede de colégios e seminários para aperfeiçoar a formação intelectual do clero secular. Trento reforçou, também, os poderes dos bispos que, através dos sínodos e das visitações, deveriam assegurar o cumprimento da ortodoxia tridentina. As constituições sinodais eram instrumentos normativos fundamentais para a regulamentação da vida diocesana nos seus diversos quadrantes. As suas normas incluíam determinações sobre os usos e os costumes dos membros da hierarquia eclesiástica, onde se incluíam os trajes a serem utilizados. Estas normas postulavam os usos da cor, o tamanho das vestes, a sua diversidade funcional e tipológica, a importância da higiene, a renúncia da moda, do luxo e de objetos sumptuários. Determinava-se, ainda, a obrigatoriedade de manter a barba e os cabelos devidamente aparados. Estes aspetos sinalizavam a submissão ao direito canónico e contribuíram para a fixação de uma masculinidade clerical, supletiva e distinta da nobre, cujos pressupostos afirmavam a superioridade espiritual e a perfeição moral dos padres. O objetivo da nossa investigação é problematizar o vestuário do clero secular português conforme foi fixado em 23 constituições sinodais promulgadas, no território continental e ultramarino português, durante os séculos XVI e XVIII. Este trabalho discute a aparência normalizada dos clérigos mediante os conceitos de civilidade, hierarquia e distinção vigentes durante o Antigo Regime.