Publicação
Perspetivas sobre a transição para a vida pós-escolar de alunos com dificuldade intelectual
| Resumo: | Neste trabalho tive por finalidade o estudo da transição para a vida pós-escolar de alunos com dificuldade intelectual. Aprofundei o conhecimento que existe sobre dificuldade intelectual e sobre transição para a vida pós-escolar, atendendo à concetualização atual, à operacionalização, às orientações nacionais e internacionais que existem e aos desafios que se apresentam. Para o efeito, desenvolvi uma investigação movida pelo paradigma naturalista, a qual assentou nas realidades percecionadas pelos participantes, os alunos, as mães, e os profissionais, que considerei serem quem tinha conhecimento e experiência sobre o tema e o podia desenvolver de forma compreensível e abrangente. Recolhi os dados através de entrevistas semiestruturadas e de análise de documentos. O conhecimento adquirido foi sintetizado em três fases. Primeiro apresentei-o sob a forma de três estudos de caso, nos quais mostro concretamente as perspetivas individuais dos participantes. De seguida, sob a forma de cruzamento dessas perspetivas, tracei as diferenças e as similitudes entre os participantes e interpretei e discuti as suas perspetivas enquanto grupo. Por fim, estruturei este conhecimento sob a forma de conclusões. Os resultados obtidos através das perspetivas dos participantes permitem-me concluir que: Em relação às vivências escolares os alunos têm como experiências apropriadas, individualizadas e inclusivas. Valorizam o papel da professora de Educação Especial como decisora no planeamento e na operacionalização dessas vivências, para as quais atende à opinião das mães e, por vezes, dos alunos. Destacam como mais valia o aluno ter disciplinas promotoras da autonomia e frequentar cursos profissionais, considerando as suas competências específicas. Adicionalmente, quanto às vivências de transição, reconhecem que os conteúdos passíveis de transferibilidade, as áreas das capacidades adaptativas e as competências específicas, desenvolvidas no contexto escolar, são essenciais e apreciados. Contudo, preocupam-se com a escassez de domínios formativos, que nem sempre vão ao encontro das áreas de interesse dos alunos, e de locais para o desenvolvimento do plano individual de transição, que para além de parcos deveriam localizar-se o mais próximo possível da área de residência do aluno. Valorizam as competências dos alunos e identificam redes de apoio que se empenham e preocupam com as suas potencialidades na vida pós-escolar. Paralelamente, no tocante às potencialidades na vida pós-escolar, reconhecem que a empregabilidade é mais fácil para os alunos que têm famílias com negócio próprio e que para os restantes alunos emerge a possibilidade da dependência a um centro de atividades ocupacionais na vida pós-escolar o que é uma angústia para as mães que compreendem esta possibilidade como um retrocesso de um ambiente inclusivo para um ambiente segregador. Apontam que há várias entidades formais que têm a responsabilidade de intervir de forma mais interventiva e responsável no processo de transição e enumeram um conjunto de propostas que essas entidades deveriam promover para potenciar a transição para a vida pós-escolar dos alunos com dificuldade intelectual. Atendendo a estas considerações, este estudo terá impacto social, como efeito alavanca, para o conhecimento e promoção de experiências construtivas acerca da transição para a vida pós-escolar de alunos com dificuldade intelectual. Ou seja, possibilita-se a replicabilidade de práticas que se reconheçam como ajustáveis ou adaptáveis a outros alunos e outros contextos. Permite, também, que diferentes entidades se identifiquem em papéis aqui expressos e, consequentemente, intervenham com maior eficácia para a transição para a vida pós-escolar dos alunos com dificuldade intelectual. Em relação direta aos alunos, expõe a desejada mudança de paradigma de expandir as vivências inclusivas, reconhecidas e estimadas em contexto escolar, para o contexto de vida pós-escolar. Comprova que existe espaço para os alunos com dificuldade intelectual terem voz e participarem na tomada de decisão quanto às suas vivências escolares e de transição, que têm de ser colocados no centro da discussão acerca da transição, o que mudará o rumo do seu futuro pós-escolar. |
|---|---|
| Autores principais: | Ferreira, Maria do Rosário de Araújo |
| Assunto: | Dificuldade intelectual Transição para a vida pós-escolar Currículo específico individual Plano individual de transição Paradigma naturalista Intellectual disability Transition into post-school life Individual specific curriculum Individual transition plan Naturalist paradigm |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Neste trabalho tive por finalidade o estudo da transição para a vida pós-escolar de alunos com dificuldade intelectual. Aprofundei o conhecimento que existe sobre dificuldade intelectual e sobre transição para a vida pós-escolar, atendendo à concetualização atual, à operacionalização, às orientações nacionais e internacionais que existem e aos desafios que se apresentam. Para o efeito, desenvolvi uma investigação movida pelo paradigma naturalista, a qual assentou nas realidades percecionadas pelos participantes, os alunos, as mães, e os profissionais, que considerei serem quem tinha conhecimento e experiência sobre o tema e o podia desenvolver de forma compreensível e abrangente. Recolhi os dados através de entrevistas semiestruturadas e de análise de documentos. O conhecimento adquirido foi sintetizado em três fases. Primeiro apresentei-o sob a forma de três estudos de caso, nos quais mostro concretamente as perspetivas individuais dos participantes. De seguida, sob a forma de cruzamento dessas perspetivas, tracei as diferenças e as similitudes entre os participantes e interpretei e discuti as suas perspetivas enquanto grupo. Por fim, estruturei este conhecimento sob a forma de conclusões. Os resultados obtidos através das perspetivas dos participantes permitem-me concluir que: Em relação às vivências escolares os alunos têm como experiências apropriadas, individualizadas e inclusivas. Valorizam o papel da professora de Educação Especial como decisora no planeamento e na operacionalização dessas vivências, para as quais atende à opinião das mães e, por vezes, dos alunos. Destacam como mais valia o aluno ter disciplinas promotoras da autonomia e frequentar cursos profissionais, considerando as suas competências específicas. Adicionalmente, quanto às vivências de transição, reconhecem que os conteúdos passíveis de transferibilidade, as áreas das capacidades adaptativas e as competências específicas, desenvolvidas no contexto escolar, são essenciais e apreciados. Contudo, preocupam-se com a escassez de domínios formativos, que nem sempre vão ao encontro das áreas de interesse dos alunos, e de locais para o desenvolvimento do plano individual de transição, que para além de parcos deveriam localizar-se o mais próximo possível da área de residência do aluno. Valorizam as competências dos alunos e identificam redes de apoio que se empenham e preocupam com as suas potencialidades na vida pós-escolar. Paralelamente, no tocante às potencialidades na vida pós-escolar, reconhecem que a empregabilidade é mais fácil para os alunos que têm famílias com negócio próprio e que para os restantes alunos emerge a possibilidade da dependência a um centro de atividades ocupacionais na vida pós-escolar o que é uma angústia para as mães que compreendem esta possibilidade como um retrocesso de um ambiente inclusivo para um ambiente segregador. Apontam que há várias entidades formais que têm a responsabilidade de intervir de forma mais interventiva e responsável no processo de transição e enumeram um conjunto de propostas que essas entidades deveriam promover para potenciar a transição para a vida pós-escolar dos alunos com dificuldade intelectual. Atendendo a estas considerações, este estudo terá impacto social, como efeito alavanca, para o conhecimento e promoção de experiências construtivas acerca da transição para a vida pós-escolar de alunos com dificuldade intelectual. Ou seja, possibilita-se a replicabilidade de práticas que se reconheçam como ajustáveis ou adaptáveis a outros alunos e outros contextos. Permite, também, que diferentes entidades se identifiquem em papéis aqui expressos e, consequentemente, intervenham com maior eficácia para a transição para a vida pós-escolar dos alunos com dificuldade intelectual. Em relação direta aos alunos, expõe a desejada mudança de paradigma de expandir as vivências inclusivas, reconhecidas e estimadas em contexto escolar, para o contexto de vida pós-escolar. Comprova que existe espaço para os alunos com dificuldade intelectual terem voz e participarem na tomada de decisão quanto às suas vivências escolares e de transição, que têm de ser colocados no centro da discussão acerca da transição, o que mudará o rumo do seu futuro pós-escolar. |
|---|