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O "Humanitarismo do Século XXI" e a neutralidade das Organizações Não Governamentais Internacionais: o caso da Cruz Vermelha no Afeganistão (2001- 2021) sob a lente da Segurança Humana

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O “Humanitarismo do Século XXI” é caracterizado pela sua politização, militarização e ocidentalização. Estas características que qualificam as novas atividades humanitárias colocaram em causa o princípio humanitário de neutralidade, que deveria garantir a abstenção de que seja tomada uma posição de um lado de um beligerante num contexto de conflito. As Organizações Não Governamentais Internacionais (ONGs), enquanto provedoras do Humanitarismo e seguidoras dos seus princípios, sofreram também as repercussões destas alterações e começaram a observar que as perceções de que eram organizações neutras, estavam em decadência. Esta dissertação utiliza como método o Estudo de Caso interpretativo, sendo este a atuação da Cruz Vermelha no Afeganistão, isto porque, o Afeganistão é um país caracterizado pela sua história de conflito, destacando o conflito com os Estados Unidos da América que durou de 2001 a 2021, no contexto da “Guerra ao Terror”, em resposta aos ataques terroristas de setembro de 2001. Este contexto foi proporcionador das maiores mudanças que foram sentidas no Humanitarismo, principalmente quando organizações humanitárias, como a Cruz Vermelha, cujo mandato é enraizado nos princípios humanitários, começaram a sentir dificuldades em se posicionarem como neutras perante insurgentes talibãs. Assim, o principal objetivo desta dissertação é responder à seguinte pergunta de investigação: “Como é que o “Humanitarismo do Século XXI” influenciou a neutralidade da atuação da Cruz Vermelha no Afeganistão no período compreendido entre 2001 e 2021?”. Para atingir o objetivo proposto e reforçar a novidade científica desta investigação utiliza-se a Segurança Humana enquanto lente teórica do Estudo de Caso, de forma a contribuir para um entendimento de como a sua aplicação no contexto do Afeganistão poderia ajudar a melhorar a vida e dignidade humana dos civis afegãos e de forma a compreender como a neutralidade poderia favorecer a atuação da Cruz Vermelha enquanto provedora de Segurança Humana. Mediante a análise interpretativista que caracteriza a metodologia deste estudo, foi possível afirmar que apesar de todas as limitações e desafios explorados durante a investigação, a influência do “Humanitarismo do Século XXI” não foi expressiva o suficiente para afetar a neutralidade da atuação da Cruz Vermelha no Afeganistão de 2001 a 2021 pois a forma como a Cruz Vermelha atuou, dando prioridade ao diálogo com todas as partes, construindo relações de confiança e pondo em primeiro lugar a atenção às necessidades básicas do povo afegã como provedora de Segurança Humana, fez com que os seus objetivos nunca se tornassem políticos, militares ou associados a uma agenda ocidental, conseguindo manter a sua atuação neutra.
Autores principais:Soares, Sónia Filipa Silva
Assunto:Afeganistão Cruz Vermelha Humanitarismo Neutralidade Organizações Não Governamentais Internacionais Segurança Humana Afghanistan Red Cross Humanitarianism Neutrality International Non-Governmental Organizations Human security
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O “Humanitarismo do Século XXI” é caracterizado pela sua politização, militarização e ocidentalização. Estas características que qualificam as novas atividades humanitárias colocaram em causa o princípio humanitário de neutralidade, que deveria garantir a abstenção de que seja tomada uma posição de um lado de um beligerante num contexto de conflito. As Organizações Não Governamentais Internacionais (ONGs), enquanto provedoras do Humanitarismo e seguidoras dos seus princípios, sofreram também as repercussões destas alterações e começaram a observar que as perceções de que eram organizações neutras, estavam em decadência. Esta dissertação utiliza como método o Estudo de Caso interpretativo, sendo este a atuação da Cruz Vermelha no Afeganistão, isto porque, o Afeganistão é um país caracterizado pela sua história de conflito, destacando o conflito com os Estados Unidos da América que durou de 2001 a 2021, no contexto da “Guerra ao Terror”, em resposta aos ataques terroristas de setembro de 2001. Este contexto foi proporcionador das maiores mudanças que foram sentidas no Humanitarismo, principalmente quando organizações humanitárias, como a Cruz Vermelha, cujo mandato é enraizado nos princípios humanitários, começaram a sentir dificuldades em se posicionarem como neutras perante insurgentes talibãs. Assim, o principal objetivo desta dissertação é responder à seguinte pergunta de investigação: “Como é que o “Humanitarismo do Século XXI” influenciou a neutralidade da atuação da Cruz Vermelha no Afeganistão no período compreendido entre 2001 e 2021?”. Para atingir o objetivo proposto e reforçar a novidade científica desta investigação utiliza-se a Segurança Humana enquanto lente teórica do Estudo de Caso, de forma a contribuir para um entendimento de como a sua aplicação no contexto do Afeganistão poderia ajudar a melhorar a vida e dignidade humana dos civis afegãos e de forma a compreender como a neutralidade poderia favorecer a atuação da Cruz Vermelha enquanto provedora de Segurança Humana. Mediante a análise interpretativista que caracteriza a metodologia deste estudo, foi possível afirmar que apesar de todas as limitações e desafios explorados durante a investigação, a influência do “Humanitarismo do Século XXI” não foi expressiva o suficiente para afetar a neutralidade da atuação da Cruz Vermelha no Afeganistão de 2001 a 2021 pois a forma como a Cruz Vermelha atuou, dando prioridade ao diálogo com todas as partes, construindo relações de confiança e pondo em primeiro lugar a atenção às necessidades básicas do povo afegã como provedora de Segurança Humana, fez com que os seus objetivos nunca se tornassem políticos, militares ou associados a uma agenda ocidental, conseguindo manter a sua atuação neutra.