Publicação
A ideologia da adaptação e a aprendizagem da desobediência
| Resumo: | [Excerto] A educação tem assumido, desde sempre, funções de adaptação e de transformação social, na senda de utopias ora mais conservadoras ora mais progressistas. Hoje, parece que vivemos num mundo órfão de utopias, assistindo-se à propagação de uma ideologia da adaptação que alimenta a crença de que tudo o que existe tem de se aceitar porque é inevitável. Desde a década de 1990, mas mais incisivamente nos anos mais recentes, com o agravamento da crise económico-financeira, a função adaptativa da educação tornou-se bem patente no uso recorrente de noções como “era da informação”, “economia do conhecimento”, “sociedade da aprendizagem”, etc., todas elas imbuídas do imperativo económico de os indivíduos aprenderem ao longo de toda a vida para se ajustarem ao novo capitalismo, agora denominado flexível e criativo. Por exemplo, é neste contexto, que a noção de colaborador substituiu a de trabalhador, sem que tenham ocorrido grandes questionamentos sobre o sentido desta alteração que, como é óbvio, não é meramente terminológico. A aprendizagem da desobediência é hoje uma condição fundamental de uma cidadania participativa orientada para a transformação social. A desobediência coloca-se em estreita relação com a liberdade e a dignidade humanas. Face a um mundo injusto, pautado por novas, mas mais subtis, formas de dominação, exploração e opressão, o medo e a obediência tendem a ser vistos como inerentes à sobrevivência. A aprendizagem da desobediência, enquanto aprendizagem da lucidez e da justiça, constitui assim uma das formas mais legítimas de preservarmos a humanidade da barbárie. [...] |
|---|---|
| Autores principais: | Ferreira, Fernando Ilídio |
| Assunto: | ideologia da adaptação aprendizagem da desobediência liberdade e dignidade humanas aprendizagem da lucidez dominação, exploração, opressão justiça social humanidade barbárie |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | outro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | [Excerto] A educação tem assumido, desde sempre, funções de adaptação e de transformação social, na senda de utopias ora mais conservadoras ora mais progressistas. Hoje, parece que vivemos num mundo órfão de utopias, assistindo-se à propagação de uma ideologia da adaptação que alimenta a crença de que tudo o que existe tem de se aceitar porque é inevitável. Desde a década de 1990, mas mais incisivamente nos anos mais recentes, com o agravamento da crise económico-financeira, a função adaptativa da educação tornou-se bem patente no uso recorrente de noções como “era da informação”, “economia do conhecimento”, “sociedade da aprendizagem”, etc., todas elas imbuídas do imperativo económico de os indivíduos aprenderem ao longo de toda a vida para se ajustarem ao novo capitalismo, agora denominado flexível e criativo. Por exemplo, é neste contexto, que a noção de colaborador substituiu a de trabalhador, sem que tenham ocorrido grandes questionamentos sobre o sentido desta alteração que, como é óbvio, não é meramente terminológico. A aprendizagem da desobediência é hoje uma condição fundamental de uma cidadania participativa orientada para a transformação social. A desobediência coloca-se em estreita relação com a liberdade e a dignidade humanas. Face a um mundo injusto, pautado por novas, mas mais subtis, formas de dominação, exploração e opressão, o medo e a obediência tendem a ser vistos como inerentes à sobrevivência. A aprendizagem da desobediência, enquanto aprendizagem da lucidez e da justiça, constitui assim uma das formas mais legítimas de preservarmos a humanidade da barbárie. [...] |
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