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A construção de identidade na representação literária pós-colonial de Antígua sob a voz de escritoras nativas

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Resumo:Inserida no âmbito dos Estudos Literários, Pós-coloniais e Culturais, essa tese de doutoramento retrata as questões em torno da identidade cultural pós-colonial dos afrodescendentes da ilha de Antígua, situada nas Pequenas Antilhas do leste caribenho, a partir da análise dos seus modelos de autorrepresentação literária e do seu impacto na construção de identidade. Evidenciamos as relações entre a história, a identidade e a memória na narrativa de autoria feminina caribenha, em particular de Antígua, observando que a escrita é utilizada como um meio para articular vozes que estão à margem, em particular das mulheres como sujeitos próprios de seu discurso. A investigação apresenta uma conceção original acerca da literatura pós-colonial de Antígua, diferindo nosso estudo dos existentes, ao correlacionarmos romances de ficção de autoria feminina, sendo alguns ainda pouco divulgados pela mídia editorial. O propósito do estudo foi a ampliação da perspetiva crítico-analítica sobre a identidade cultural da sociedade pós-colonial de origem afrodescendente de Antígua. Através da análise do desenvolvimento das personagens, contextualizamos as questões de identidade, tomando como parâmetro a crítica pós-colonial e a discussão da fragmentação de identidade em âmbito transcultural. Propusemo-nos a responder de que forma os romances produzidos pelas escritoras impactam na construção de identidade cultural dos nativos afrodescendentes. Dado o caráter exploratório, descritivo e documental da investigação, o enquadramento teóricometodológico constou de ampla revisão de literatura, na qual descrevemos o contexto recente dos debates que propõem discussões multifacetadas sobre os estudos pós-coloniais, nomeadamente relacionados à identidade, destacando suas repercussões no Caribe anglófono. Nosso aporte teórico foi baseado nas perspetivas analíticas dos principais teóricos do discurso pós-colonialista, principalmente aqueles que abordam de forma crítica e situada determinados conceitos teóricos e suas problematizações textuais, a exemplo da articulação da literatura pós-colonial com a crítica feminista, através da procura simultânea da equidade dos géneros e da reciprocidade cultural, quais sejam Stuart Hall, Frantz Fanon, Homi Bhabha, Gayatri Spivak, Aimé Césaire, Edward Said, Selwyn Cudjoe, dentre outros. Nosso corpus de investigação específico alinhou as temáticas abordadas nos enredos dos romances das escritoras nativas Jamaica Kincaid, em Annie John (1985), A Small Place (1988) e Lucy (1990); Joanne Hillhouse e suas obras The Boy from Willow Bend (2003) e Oh Gad! (2012); Monica Matthew, em Journeycakes: Memories With My Antiguan Mama (2008). Os diversos enfoques que compõem os debates acerca da literatura pós-colonial caribenha em língua inglesa e suas relações com o passado, a memória, os contextos históricos, sociais e estéticos, demonstram a pluralidade de visões que complementam, ora distanciando, ora tangenciando, as perspetivas sobre a produção literária e o seu contexto de receção. Utilizando-se dos enredos de seus romances como meios para apropriar o lugar, as escritoras esculpem no corpo das personagens a construção da identidade, ao basearem suas narrativas nos aspetos culturais de uma sociedade multifacetada, cuja diversidade identitária não é construída sobre o padrão de uniformidade. A recorrência de personagens com perfis semelhantes ao longo das gerações indica os efeitos contínuos do colonialismo e da escravidão até os dias atuais. Essa repetição ao longo dos diferentes romances tem a finalidade de demonstrar uma experiência caribenha compartilhada e coletiva. A ficção de autoria feminina tentou resgatar experiências até então não cartografadas de personagens que avançam a partir do espaço íntimo familiar. As obras dessas escritoras recuperam acontecimentos silenciados por uma realidade social e política opressora, por meio de uma linguagem desestabilizadora do logos patriarcal, e criam um discurso de resistência, possibilitado por essa linguagem desconstrutora.
Autores principais:Vivas, Lívia Maria Bastos
Assunto:Literatura Cultura Pós-colonialismo Identidade Antígua Literature Culture Post-colonialism Identity Antigua
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Inserida no âmbito dos Estudos Literários, Pós-coloniais e Culturais, essa tese de doutoramento retrata as questões em torno da identidade cultural pós-colonial dos afrodescendentes da ilha de Antígua, situada nas Pequenas Antilhas do leste caribenho, a partir da análise dos seus modelos de autorrepresentação literária e do seu impacto na construção de identidade. Evidenciamos as relações entre a história, a identidade e a memória na narrativa de autoria feminina caribenha, em particular de Antígua, observando que a escrita é utilizada como um meio para articular vozes que estão à margem, em particular das mulheres como sujeitos próprios de seu discurso. A investigação apresenta uma conceção original acerca da literatura pós-colonial de Antígua, diferindo nosso estudo dos existentes, ao correlacionarmos romances de ficção de autoria feminina, sendo alguns ainda pouco divulgados pela mídia editorial. O propósito do estudo foi a ampliação da perspetiva crítico-analítica sobre a identidade cultural da sociedade pós-colonial de origem afrodescendente de Antígua. Através da análise do desenvolvimento das personagens, contextualizamos as questões de identidade, tomando como parâmetro a crítica pós-colonial e a discussão da fragmentação de identidade em âmbito transcultural. Propusemo-nos a responder de que forma os romances produzidos pelas escritoras impactam na construção de identidade cultural dos nativos afrodescendentes. Dado o caráter exploratório, descritivo e documental da investigação, o enquadramento teóricometodológico constou de ampla revisão de literatura, na qual descrevemos o contexto recente dos debates que propõem discussões multifacetadas sobre os estudos pós-coloniais, nomeadamente relacionados à identidade, destacando suas repercussões no Caribe anglófono. Nosso aporte teórico foi baseado nas perspetivas analíticas dos principais teóricos do discurso pós-colonialista, principalmente aqueles que abordam de forma crítica e situada determinados conceitos teóricos e suas problematizações textuais, a exemplo da articulação da literatura pós-colonial com a crítica feminista, através da procura simultânea da equidade dos géneros e da reciprocidade cultural, quais sejam Stuart Hall, Frantz Fanon, Homi Bhabha, Gayatri Spivak, Aimé Césaire, Edward Said, Selwyn Cudjoe, dentre outros. Nosso corpus de investigação específico alinhou as temáticas abordadas nos enredos dos romances das escritoras nativas Jamaica Kincaid, em Annie John (1985), A Small Place (1988) e Lucy (1990); Joanne Hillhouse e suas obras The Boy from Willow Bend (2003) e Oh Gad! (2012); Monica Matthew, em Journeycakes: Memories With My Antiguan Mama (2008). Os diversos enfoques que compõem os debates acerca da literatura pós-colonial caribenha em língua inglesa e suas relações com o passado, a memória, os contextos históricos, sociais e estéticos, demonstram a pluralidade de visões que complementam, ora distanciando, ora tangenciando, as perspetivas sobre a produção literária e o seu contexto de receção. Utilizando-se dos enredos de seus romances como meios para apropriar o lugar, as escritoras esculpem no corpo das personagens a construção da identidade, ao basearem suas narrativas nos aspetos culturais de uma sociedade multifacetada, cuja diversidade identitária não é construída sobre o padrão de uniformidade. A recorrência de personagens com perfis semelhantes ao longo das gerações indica os efeitos contínuos do colonialismo e da escravidão até os dias atuais. Essa repetição ao longo dos diferentes romances tem a finalidade de demonstrar uma experiência caribenha compartilhada e coletiva. A ficção de autoria feminina tentou resgatar experiências até então não cartografadas de personagens que avançam a partir do espaço íntimo familiar. As obras dessas escritoras recuperam acontecimentos silenciados por uma realidade social e política opressora, por meio de uma linguagem desestabilizadora do logos patriarcal, e criam um discurso de resistência, possibilitado por essa linguagem desconstrutora.