Publicação
A efetividade da avaliação formativa no desempenho dos alunos nas provas de avaliação externa: um estudo sobre as representações dos professores
| Resumo: | Em Portugal, a política educativa visa garantir a igualdade de acesso à escola pública e promover o sucesso educativo e a igualdade de oportunidades. A legislação estabelece que a avaliação, sustentada por uma dimensão formativa, é parte integrante do ensino e da aprendizagem. A literatura sugere que a implementação de práticas de avaliação formativa tem um impacto positivo na aprendizagem dos alunos, melhorando o seu desempenho tanto na avaliação interna como na avaliação externa. Este pressuposto deu origem à nossa problemática de investigação: quais as representações dos professores sobre a efetividade da implementação da avaliação formativa nos resultados obtidos pelos alunos nas provas de avaliação externa? Adotámos uma abordagem de natureza qualitativa, tendo os dados sido recolhidos através de inquérito por entrevista semiestruturada. Foram entrevistados docentes (n=14) que lecionaram as cinco disciplinas às quais mais alunos realizaram o exame final nacional na primeira fase, no ano letivo de 2022/2023, coordenadores de departamento curricular (n=6) e diretores de agrupamentos de escolas /escolas não agrupadas (n=3). Na codificação dos dados, foi usada a ferramenta MAXQDA (24.7–10) e, posteriormente, a análise dos dados foi feita com recurso à análise de conteúdo. Os resultados revelam que os professores consideram a avaliação formativa um processo contínuo, sistemático, informal e natural que visa: a (auto)regulação das aprendizagens; a diversificação de procedimentos, técnicas e instrumentos de avaliação; a articulação com a avaliação sumativa; a diferenciação de meios e materiais de aprendizagem; e a classificação das aprendizagens. Para os participantes, a implementação da avaliação formativa apresenta mais vantagens do que desvantagens. As vantagens prendem-se com a concretização de aprendizagens, a possibilidade de os alunos errarem sem serem penalizados, a orientação escolar e vocacional e a transparência. As desvantagens, associadas a dificuldades, prendem-se com o tempo e o trabalho adicionais necessários à implementação eficaz da avaliação formativa e, também, com a falta de formação contínua neste domínio. Para colmatar estas dificuldades, os professores diminuem a frequência da avaliação formativa, selecionam um número limitado de alunos, por turma e aula, e não fazem registos. No que diz respeito às estratégias de desenvolvimento curricular, os professores privilegiam a autoavaliação e a distribuição de feedback, seguindo-se a partilha e a clarificação de critérios de sucesso e de objetivos de aprendizagem e, embora residual, a avaliação pelos pares. No desenvolvimento de trabalho colaborativo, os professores privilegiam os colegas que lecionam as mesmas disciplinas e os mesmos anos de escolaridade, ainda que também trabalhem colaborativamente com outros colegas que pertencem aos mesmos departamentos curriculares e conselhos de turma. A realização de formação contínua, no âmbito do Projeto de Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica, permitiu que os professores desenvolvessem conhecimentos, capacidades e atitudes relacionadas com a avaliação pedagógica. Quando lecionam disciplinas sujeitas a provas de avaliação externa, os professores ensinam e avaliam visando que os seus alunos obtenham os melhores resultados possíveis nestas provas. Apesar disto, a maioria tem por referência todos os documentos curriculares. Os resultados revelam, ainda, que os professores consideram que a avaliação formativa tem um impacto positivo no desempenho dos alunos, melhorando os seus resultados, quer na avaliação interna das aprendizagens quer na externa. |
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| Autores principais: | Moura, Carla Alexandra Moreira Teixeira Alves de |
| Assunto: | Avaliação formativa Avaliação externa das aprendizagens Avaliação interna das aprendizagens Efetividade Provas de avaliação externa Formative assessment External assessment Internal assessment Effectiveness External exams |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Em Portugal, a política educativa visa garantir a igualdade de acesso à escola pública e promover o sucesso educativo e a igualdade de oportunidades. A legislação estabelece que a avaliação, sustentada por uma dimensão formativa, é parte integrante do ensino e da aprendizagem. A literatura sugere que a implementação de práticas de avaliação formativa tem um impacto positivo na aprendizagem dos alunos, melhorando o seu desempenho tanto na avaliação interna como na avaliação externa. Este pressuposto deu origem à nossa problemática de investigação: quais as representações dos professores sobre a efetividade da implementação da avaliação formativa nos resultados obtidos pelos alunos nas provas de avaliação externa? Adotámos uma abordagem de natureza qualitativa, tendo os dados sido recolhidos através de inquérito por entrevista semiestruturada. Foram entrevistados docentes (n=14) que lecionaram as cinco disciplinas às quais mais alunos realizaram o exame final nacional na primeira fase, no ano letivo de 2022/2023, coordenadores de departamento curricular (n=6) e diretores de agrupamentos de escolas /escolas não agrupadas (n=3). Na codificação dos dados, foi usada a ferramenta MAXQDA (24.7–10) e, posteriormente, a análise dos dados foi feita com recurso à análise de conteúdo. Os resultados revelam que os professores consideram a avaliação formativa um processo contínuo, sistemático, informal e natural que visa: a (auto)regulação das aprendizagens; a diversificação de procedimentos, técnicas e instrumentos de avaliação; a articulação com a avaliação sumativa; a diferenciação de meios e materiais de aprendizagem; e a classificação das aprendizagens. Para os participantes, a implementação da avaliação formativa apresenta mais vantagens do que desvantagens. As vantagens prendem-se com a concretização de aprendizagens, a possibilidade de os alunos errarem sem serem penalizados, a orientação escolar e vocacional e a transparência. As desvantagens, associadas a dificuldades, prendem-se com o tempo e o trabalho adicionais necessários à implementação eficaz da avaliação formativa e, também, com a falta de formação contínua neste domínio. Para colmatar estas dificuldades, os professores diminuem a frequência da avaliação formativa, selecionam um número limitado de alunos, por turma e aula, e não fazem registos. No que diz respeito às estratégias de desenvolvimento curricular, os professores privilegiam a autoavaliação e a distribuição de feedback, seguindo-se a partilha e a clarificação de critérios de sucesso e de objetivos de aprendizagem e, embora residual, a avaliação pelos pares. No desenvolvimento de trabalho colaborativo, os professores privilegiam os colegas que lecionam as mesmas disciplinas e os mesmos anos de escolaridade, ainda que também trabalhem colaborativamente com outros colegas que pertencem aos mesmos departamentos curriculares e conselhos de turma. A realização de formação contínua, no âmbito do Projeto de Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica, permitiu que os professores desenvolvessem conhecimentos, capacidades e atitudes relacionadas com a avaliação pedagógica. Quando lecionam disciplinas sujeitas a provas de avaliação externa, os professores ensinam e avaliam visando que os seus alunos obtenham os melhores resultados possíveis nestas provas. Apesar disto, a maioria tem por referência todos os documentos curriculares. Os resultados revelam, ainda, que os professores consideram que a avaliação formativa tem um impacto positivo no desempenho dos alunos, melhorando os seus resultados, quer na avaliação interna das aprendizagens quer na externa. |
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