Publicação
Conciliação pessoal, familiar e profissional de mulheres imigrantes residentes no distrito de Braga
| Resumo: | Num contexto de globalização, a conciliação da vida pessoal, familiar e profissional assume um papel preponderante na análise sobre a feminização das migrações. Porém, o conhecimento das dinâmicas existentes nas famílias imigrantes, especialmente, no modo como as mulheres imigrantes organizam as suas vidas familiares e quais as suas modalidades de ação em termos de conciliação, é ainda insuficiente em Portugal (Marques & Góis, 2012). Neste sentido, a presente investigação, de caráter qualitativo e inserida no paradigma crítico oferecido pelo construcionismo social e feminismo, tem como objetivo principal caracterizar e analisar as vivências e os discursos de mulheres imigrantes acerca da conciliação da vida pessoal, familiar e profissional, bem como, compreender e conhecer as estratégias utilizadas por estas mulheres para facilitar a conciliação. Para tal, a base empírica foi constituída por trinta mulheres imigrantes de nacionalidade brasileira, cabo-verdiana e ucraniana a residir no distrito de Braga. Partindo da metodologia de análise temática e da análise aos auto-registos individuais de utilização do tempo, os resultados mostram um padrão regular e assimétrico das tarefas domésticas e dos cuidados às crianças, que coloca as mulheres imigrantes, no país recetor, em situações de maior sobrecarga do que no país de origem, pela ausência de suporte familiar, financeiro e social. A maternidade e os cuidados com os/as filhos/as influenciam a vida profissional, onde a interrupção ou abandono deste percurso é frequente. Denota-se uma diversidade na utilização de estratégias, que variam em função das suas estruturas familiares, das suas condições socioeconómicas e do tipo de trabalho. Na tentativa de responder aos dilemas da conciliação, estas mulheres vão legitimando a sua submissão que culmina numa posição normalizadora com as práticas assimétricas a que estão sujeitas, o que reforça o esquema da desigualdade. Assim, podemos concluir que o poder político e económico do país recetor acentua a feminização dos papéis tradicionais de género onde configura uma desigual conquista das mulheres em relação aos homens no espaço familiar e profissional. |
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| Autores principais: | Silva, Estefânia Gonçalves |
| Assunto: | Migração feminina Conciliação da vida pessoal Familiar e profissional Women’s immigration Private Family and professional reconciliation |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Num contexto de globalização, a conciliação da vida pessoal, familiar e profissional assume um papel preponderante na análise sobre a feminização das migrações. Porém, o conhecimento das dinâmicas existentes nas famílias imigrantes, especialmente, no modo como as mulheres imigrantes organizam as suas vidas familiares e quais as suas modalidades de ação em termos de conciliação, é ainda insuficiente em Portugal (Marques & Góis, 2012). Neste sentido, a presente investigação, de caráter qualitativo e inserida no paradigma crítico oferecido pelo construcionismo social e feminismo, tem como objetivo principal caracterizar e analisar as vivências e os discursos de mulheres imigrantes acerca da conciliação da vida pessoal, familiar e profissional, bem como, compreender e conhecer as estratégias utilizadas por estas mulheres para facilitar a conciliação. Para tal, a base empírica foi constituída por trinta mulheres imigrantes de nacionalidade brasileira, cabo-verdiana e ucraniana a residir no distrito de Braga. Partindo da metodologia de análise temática e da análise aos auto-registos individuais de utilização do tempo, os resultados mostram um padrão regular e assimétrico das tarefas domésticas e dos cuidados às crianças, que coloca as mulheres imigrantes, no país recetor, em situações de maior sobrecarga do que no país de origem, pela ausência de suporte familiar, financeiro e social. A maternidade e os cuidados com os/as filhos/as influenciam a vida profissional, onde a interrupção ou abandono deste percurso é frequente. Denota-se uma diversidade na utilização de estratégias, que variam em função das suas estruturas familiares, das suas condições socioeconómicas e do tipo de trabalho. Na tentativa de responder aos dilemas da conciliação, estas mulheres vão legitimando a sua submissão que culmina numa posição normalizadora com as práticas assimétricas a que estão sujeitas, o que reforça o esquema da desigualdade. Assim, podemos concluir que o poder político e económico do país recetor acentua a feminização dos papéis tradicionais de género onde configura uma desigual conquista das mulheres em relação aos homens no espaço familiar e profissional. |
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