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Corsários na Inquisição de Lisboa (Século XVII)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A pirataria é um fenómeno com origens antiquíssimas e com uma história que se confunde com a própria história da navegação marítima. Desde que a humanidade elegeu viajar e escoar produtos por esta via, depressa a pirataria apareceu em cena tentando fazer lucro a partir do furto desses bens. Com a extrema longevidade apresentada por esta atividade não é surpreendente que a mesma tenha apresentado notórias variações, uma das quais acicatou a nossa curiosidade. A presente dissertação debruçar-se-á sobre o corso, para todos os efeitos, salvaguardadas as devidas diferenças, um tipo de pirataria. O raiar das regências magrebinas, nomeadamente a de Argel, levou a um incremento exponencial da atividade corsária no Mediterrâneo, sendo este um dos palcos onde as tensões entre a Cristandade e o Islão encontraram expressão. Também aqui o corso teve um papel a desempenhar, sendo usado como mais um utensílio no quadro do aludido conflito. Estes confrontos navais não resultavam apenas no saque de bens materiais por parte dos vencedores, mas também na captura dos ocupantes das embarcações derrotadas, os quais não só eram feitos prisioneiros como comercializados como meras mercadorias. Quando os cativos cristãos se viam em terras que lhes eram estranhas, em muitos casos, acabavam por renunciar à sua fé e, abraçando o Islão, passavam a integrar as tripulações corsárias. Em tudo semelhante a esta lógica, também os corsários capturados e levados a terras cristãs, por vezes, se convertiam ao cristianismo. São estas conversões religiosas que colocaram estes homens sob a alçada da Inquisição e foi precisamente do Tribunal do Santo Ofício de Lisboa que retirámos o riquíssimo espólio documental que serviu de fonte primordial da elaboração da presente dissertação. Através dos processos movidos pela máquina inquisitorial a estes corsários pretendemos compreender melhor algumas histórias de vida, bem como encontrar similitudes e diferenças entres estas. Para além de permitir um vislumbre daquilo que era o modo de funcionamento do Santo Ofício, estes processos oferecem-nos dados particularmente relevantes para uma reconstrução de uma visão do outro por parte dos inquisidores.
Autores principais:Torres, Ricardo Jorge Castelo de Sá
Assunto:Corso Inquisição Magrebe Pirataria Renegados Inquisition Maghreb Piracy Privateering Renegade
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A pirataria é um fenómeno com origens antiquíssimas e com uma história que se confunde com a própria história da navegação marítima. Desde que a humanidade elegeu viajar e escoar produtos por esta via, depressa a pirataria apareceu em cena tentando fazer lucro a partir do furto desses bens. Com a extrema longevidade apresentada por esta atividade não é surpreendente que a mesma tenha apresentado notórias variações, uma das quais acicatou a nossa curiosidade. A presente dissertação debruçar-se-á sobre o corso, para todos os efeitos, salvaguardadas as devidas diferenças, um tipo de pirataria. O raiar das regências magrebinas, nomeadamente a de Argel, levou a um incremento exponencial da atividade corsária no Mediterrâneo, sendo este um dos palcos onde as tensões entre a Cristandade e o Islão encontraram expressão. Também aqui o corso teve um papel a desempenhar, sendo usado como mais um utensílio no quadro do aludido conflito. Estes confrontos navais não resultavam apenas no saque de bens materiais por parte dos vencedores, mas também na captura dos ocupantes das embarcações derrotadas, os quais não só eram feitos prisioneiros como comercializados como meras mercadorias. Quando os cativos cristãos se viam em terras que lhes eram estranhas, em muitos casos, acabavam por renunciar à sua fé e, abraçando o Islão, passavam a integrar as tripulações corsárias. Em tudo semelhante a esta lógica, também os corsários capturados e levados a terras cristãs, por vezes, se convertiam ao cristianismo. São estas conversões religiosas que colocaram estes homens sob a alçada da Inquisição e foi precisamente do Tribunal do Santo Ofício de Lisboa que retirámos o riquíssimo espólio documental que serviu de fonte primordial da elaboração da presente dissertação. Através dos processos movidos pela máquina inquisitorial a estes corsários pretendemos compreender melhor algumas histórias de vida, bem como encontrar similitudes e diferenças entres estas. Para além de permitir um vislumbre daquilo que era o modo de funcionamento do Santo Ofício, estes processos oferecem-nos dados particularmente relevantes para uma reconstrução de uma visão do outro por parte dos inquisidores.