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Liberdade & ortodoxia: infraestruturas de arquitectura moderna em Moçambique (1951-1964)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O estado do conhecimento disciplinar relativo à arquitetura do Movimento Moderno produzido nas antigas províncias ultramarinas portuguesas de África durante o século XX permanece ainda escasso e fragmentário. O principal objetivo desta dissertação de doutoramento é o de contribuir para a formação de uma futura síntese global através de uma interpretação parcial de contornos delimitados. Durante o período que medeia entre a revisão constitucional de 1951 e o eclodir da guerra colonial, em 1964, encontraram-se no território da antiga província ultramarina portuguesa de Moçambique duas conceções ideológicas opostas: a utopia identitária do Estado Novo e a utopia social do Movimento Moderno. A primeira, a utopia do país enquanto nação pluricontinental, plurirracial e pluricultural, foi edificada em Portugal no segundo pós-guerra nascida da necessidade de construção de um discurso operativo de defesa do regime. A segunda, a utopia social do Movimento Moderno, constituiu paradoxalmente um suporte operativo e uma expressão simbólica desta política do Estado Novo. A necessidade de rápida execução de novas infraestruturas nos territórios africanos em acelerado desenvolvimento industrial e demográfico potenciou a utilização de sistemas construtivos inovadores, industrializados e estandardizados, e de metodologias científicas na resolução dos programas dos novos edifícios de equipamento coletivo e na sua adaptação às condicionantes climáticas tropicais. Estes processos arquitetónicos modernos corresponderam mais adequadamente às necessidades produtivas e simbólicas dos poderes oficiais e da sociedade civil do que a sintaxe tradicionalista usada pelos arquitetos mais próximos do regime. As diferentes teses presentes ao 1. ° Congresso exprimem a oposição entre modernidade e tradição, entre a praxis profissional desenvolvida em liberdade criativa pelos jovens arquitetos que viveram e trabalharam nas antigas províncias ultramarinas e a ortodoxa aplicação dos modelos nacionalistas a que foram sujeitos os seus colegas da metrópole. A utilização em larga escala e durante um grande período de tempo dos paradigmas da arquitetura moderna pelos arquitetos modernos ultramarinos conduziu, todavia, à adesão a um conjunto de processos que configuram uma nova ortodoxia. Ao longo do texto desta dissertação serão explicitados os resultados de um trabalho paciente e sistemático de descoberta bibliográfica, arquivística e testemunhal, de aventuroso reconhecimento e registo fotográfico dos edifícios e das cidades no seu estado atual, de tratamento da informação recolhida numa base de dados e de construção de uma tese que põe em relevo o manuseamento da produção arquitetónica moderna e dos seus protagonistas pelos órgãos de poder do regime do Estado Novo. O texto da dissertação está estruturado em quatro capítulos centrais: no primeiro capítulo, "As opostas utopias", caraterizam-se genericamente os projetos ideológicos subjacentes ao tema; no segundo, "Os arquitetos", traçam-se os perfis biográficos dos autores de edifícios incluídos no tema em estudo; no terceiro, "As infraestruturas", estabelece-se um panorama geral da arquitetura infraestrutural moderna; e no quarto, "Os símbolos", analisam-se detalhadamente dez edifícios infraestruturais paradigmáticos. A possível relevância desta pesquisa reside no seu contributo parcelar para o conhecimento de um denso e qualificado património de arquitetura do Movimento Moderno existente em Moçambique, para a compreensão do seu significado político e social e para a construção da história da arquitetura moderna em Portugal e nos diferentes territórios que integraram o império colonial português.
Autores principais:Miranda, Elisiário José Vital
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O estado do conhecimento disciplinar relativo à arquitetura do Movimento Moderno produzido nas antigas províncias ultramarinas portuguesas de África durante o século XX permanece ainda escasso e fragmentário. O principal objetivo desta dissertação de doutoramento é o de contribuir para a formação de uma futura síntese global através de uma interpretação parcial de contornos delimitados. Durante o período que medeia entre a revisão constitucional de 1951 e o eclodir da guerra colonial, em 1964, encontraram-se no território da antiga província ultramarina portuguesa de Moçambique duas conceções ideológicas opostas: a utopia identitária do Estado Novo e a utopia social do Movimento Moderno. A primeira, a utopia do país enquanto nação pluricontinental, plurirracial e pluricultural, foi edificada em Portugal no segundo pós-guerra nascida da necessidade de construção de um discurso operativo de defesa do regime. A segunda, a utopia social do Movimento Moderno, constituiu paradoxalmente um suporte operativo e uma expressão simbólica desta política do Estado Novo. A necessidade de rápida execução de novas infraestruturas nos territórios africanos em acelerado desenvolvimento industrial e demográfico potenciou a utilização de sistemas construtivos inovadores, industrializados e estandardizados, e de metodologias científicas na resolução dos programas dos novos edifícios de equipamento coletivo e na sua adaptação às condicionantes climáticas tropicais. Estes processos arquitetónicos modernos corresponderam mais adequadamente às necessidades produtivas e simbólicas dos poderes oficiais e da sociedade civil do que a sintaxe tradicionalista usada pelos arquitetos mais próximos do regime. As diferentes teses presentes ao 1. ° Congresso exprimem a oposição entre modernidade e tradição, entre a praxis profissional desenvolvida em liberdade criativa pelos jovens arquitetos que viveram e trabalharam nas antigas províncias ultramarinas e a ortodoxa aplicação dos modelos nacionalistas a que foram sujeitos os seus colegas da metrópole. A utilização em larga escala e durante um grande período de tempo dos paradigmas da arquitetura moderna pelos arquitetos modernos ultramarinos conduziu, todavia, à adesão a um conjunto de processos que configuram uma nova ortodoxia. Ao longo do texto desta dissertação serão explicitados os resultados de um trabalho paciente e sistemático de descoberta bibliográfica, arquivística e testemunhal, de aventuroso reconhecimento e registo fotográfico dos edifícios e das cidades no seu estado atual, de tratamento da informação recolhida numa base de dados e de construção de uma tese que põe em relevo o manuseamento da produção arquitetónica moderna e dos seus protagonistas pelos órgãos de poder do regime do Estado Novo. O texto da dissertação está estruturado em quatro capítulos centrais: no primeiro capítulo, "As opostas utopias", caraterizam-se genericamente os projetos ideológicos subjacentes ao tema; no segundo, "Os arquitetos", traçam-se os perfis biográficos dos autores de edifícios incluídos no tema em estudo; no terceiro, "As infraestruturas", estabelece-se um panorama geral da arquitetura infraestrutural moderna; e no quarto, "Os símbolos", analisam-se detalhadamente dez edifícios infraestruturais paradigmáticos. A possível relevância desta pesquisa reside no seu contributo parcelar para o conhecimento de um denso e qualificado património de arquitetura do Movimento Moderno existente em Moçambique, para a compreensão do seu significado político e social e para a construção da história da arquitetura moderna em Portugal e nos diferentes territórios que integraram o império colonial português.