Publicação

Fatores psicológicos de manutenção da prática de exercício físico

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho procura compreender de forma integradora, o fenómeno de intention-behaviour gap considerando os diferentes momentos de prática de EF (adoção e manutenção) e diferentes perspetivas dos intervenientes neste fenómeno (praticantes e profissionais). Os modelos concetuais sociocognitivos mais populares neste domínio (e.g., Teoria do Comportamento Planeado, Modelo Transteórico, Teoria de Autodeterminação, Teoria Sociocognitiva e Modelo de Ação para a Saúde) não têm sido suficientemente explicativos das reduzidas taxas de frequência de prática de EF e elevadas taxas de abandono da prática de EF seis meses após o seu início (Marcus et al., 2000; Weinberg & Gould, 2008). A este fenómeno de baixa relação entre intenção e o comportamento efetivo de EF designou-se por “intention-behaviour gap” (Armitage, 2005; Courneya, 1995). Assumindo esta complexidade inerente ao estudo do comportamento efetivo de prática de EF e a pertinência em adotar uma abordagem integradora dos diferentes fatores explicativos deste fenómeno (individuais, contextuais e culturais), conduzimos uma investigação combinando metodologias quantitativas e qualitativas. Para tal, foram realizados três estudos. O primeiro estudo, procurou analisar as variáveis preditoras da intenção de prática de EF, da perceção subjetiva de prática de EF e do comportamento efetivo de EF. Nesta investigação participaram 304 sujeitos, com recurso à metodologia quantitativa. Os principais resultados demonstraram que (a) os preditores significativos da intenção foram a idade, o gosto pelo EF, o número de treinos, as normas subjetivas e a perceção de controle; (b) os preditores significativos da perceção subjetiva do comportamento foram, o sexo, o gosto pelo EF, o número de treinos, a intenção da prática e a perceção de controle; (c) os únicos preditores significativos do comportamento, foram a idade, o número de treinos semanais e a perceção de controle. No segundo estudo, sobre os fatores psicológicos da prática de EF participaram quinze praticantes com diferentes níveis de experiência de EF, com recurso a um guião de entrevista e à respetiva análise qualitativa dos dados. Os principais resultados evidenciaram que o comportamento de EF foi explicado por fatores individuais (e.g., psicológicos), contextuais (e.g., local de prática) e culturais (estereótipos) que, por sua vez, apresentaram alterações ao longo do tempo de prática de EF. No último estudo, realizado com dez instrutores de EF acerca dos fatores influenciadores e promotores da prática de EF, com recurso a um guião de entrevista e à respetiva análise qualitativa dos dados, verificou-se que: (a) os fatores psicológicos assumiram uma especial relevância no modo como os instrutores procuram promover a adoção e manutenção da prática de EF dos seus alunos; e (b) existem diferentes estratégias de atuação dos instrutores, variando estas de acordo com as fases de adoção, manutenção ou prevenção do abandono do EF por parte do praticante. No último Capítulo foram discutidos os dados dos três estudos e as respetivas implicações para a teoria, investigação e prática neste domínio.
Autores principais:Morais, Ana Rita Veloso
Assunto:Exercício físico Instrutores de exercício físico Fatores psicológicos Physical exercise Fitness instructers Psychological factors
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este trabalho procura compreender de forma integradora, o fenómeno de intention-behaviour gap considerando os diferentes momentos de prática de EF (adoção e manutenção) e diferentes perspetivas dos intervenientes neste fenómeno (praticantes e profissionais). Os modelos concetuais sociocognitivos mais populares neste domínio (e.g., Teoria do Comportamento Planeado, Modelo Transteórico, Teoria de Autodeterminação, Teoria Sociocognitiva e Modelo de Ação para a Saúde) não têm sido suficientemente explicativos das reduzidas taxas de frequência de prática de EF e elevadas taxas de abandono da prática de EF seis meses após o seu início (Marcus et al., 2000; Weinberg & Gould, 2008). A este fenómeno de baixa relação entre intenção e o comportamento efetivo de EF designou-se por “intention-behaviour gap” (Armitage, 2005; Courneya, 1995). Assumindo esta complexidade inerente ao estudo do comportamento efetivo de prática de EF e a pertinência em adotar uma abordagem integradora dos diferentes fatores explicativos deste fenómeno (individuais, contextuais e culturais), conduzimos uma investigação combinando metodologias quantitativas e qualitativas. Para tal, foram realizados três estudos. O primeiro estudo, procurou analisar as variáveis preditoras da intenção de prática de EF, da perceção subjetiva de prática de EF e do comportamento efetivo de EF. Nesta investigação participaram 304 sujeitos, com recurso à metodologia quantitativa. Os principais resultados demonstraram que (a) os preditores significativos da intenção foram a idade, o gosto pelo EF, o número de treinos, as normas subjetivas e a perceção de controle; (b) os preditores significativos da perceção subjetiva do comportamento foram, o sexo, o gosto pelo EF, o número de treinos, a intenção da prática e a perceção de controle; (c) os únicos preditores significativos do comportamento, foram a idade, o número de treinos semanais e a perceção de controle. No segundo estudo, sobre os fatores psicológicos da prática de EF participaram quinze praticantes com diferentes níveis de experiência de EF, com recurso a um guião de entrevista e à respetiva análise qualitativa dos dados. Os principais resultados evidenciaram que o comportamento de EF foi explicado por fatores individuais (e.g., psicológicos), contextuais (e.g., local de prática) e culturais (estereótipos) que, por sua vez, apresentaram alterações ao longo do tempo de prática de EF. No último estudo, realizado com dez instrutores de EF acerca dos fatores influenciadores e promotores da prática de EF, com recurso a um guião de entrevista e à respetiva análise qualitativa dos dados, verificou-se que: (a) os fatores psicológicos assumiram uma especial relevância no modo como os instrutores procuram promover a adoção e manutenção da prática de EF dos seus alunos; e (b) existem diferentes estratégias de atuação dos instrutores, variando estas de acordo com as fases de adoção, manutenção ou prevenção do abandono do EF por parte do praticante. No último Capítulo foram discutidos os dados dos três estudos e as respetivas implicações para a teoria, investigação e prática neste domínio.