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Perceção dos stakeholders sobre os sistemas de controlo de gestão nas instituições sem fins lucrativos: o caso da Misericórdia de Cabeceiras de Basto

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As Instituições Sem Fins Lucrativos (ISFL) têm vindo a assumir um papel crescente na resposta a necessidades sociais fundamentais, reforçando a importância de compreender os modelos de gestão adotados e a forma como os stakeholders influenciam os processos de decisão. Neste contexto, os Sistemas de Controlo de Gestão (SCG) assumem particular relevância enquanto instrumentos de apoio à gestão, à accountability e à legitimidade organizacional. O presente estudo teve como objetivo compreender as perceções dos stakeholders internos relativamente aos SCG implementados na Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras de Basto (SCMCB), bem como analisar de que forma a relevância dos diferentes stakeholders é construída e hierarquizada no processo de implementação e consolidação desses sistemas. Para o efeito, adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza interpretativa, com base em um estudo de caso único. A recolha de dados baseou-se na realização de entrevistas semiestruturadas a stakeholders internos da SCMCB, complementadas por análise documental e observação direta. A interpretação das perceções recolhidas foi realizada à luz da Teoria da Relevância dos Stakeholders (Mitchell et al., 1997), seguindo a lógica de aplicação adotada no estudo empírico de Conaty e Robbins (2021). Os resultados evidenciam que os SCG são, de um modo geral, percecionados como instrumentos relevantes de apoio à gestão e à tomada de decisão, associados ao reforço da organização interna, da definição de objetivos e da transparência institucional, apesar de se encontrarem ainda numa fase inicial de consolidação. No que respeita à relevância dos stakeholders, os utentes são reconhecidos como centrais do ponto de vista da missão institucional, evidenciando elevada legitimidade, enquanto o poder efetivo de decisão e a capacidade de atribuir urgência às prioridades organizacionais concentram-se nos órgãos sociais. Esta dissociação entre legitimidade, poder e urgência evidencia uma hierarquização dos stakeholders, em linha com a literatura existente sobre ISFL, reforçando a ideia de que a eficácia dos SCG depende não apenas da sua sofisticação técnica, mas, sobretudo, da forma como são interpretados e apropriados no contexto organizacional.
Autores principais:Pereira, António Luís Leite Vasconcelos
Assunto:Accountability Accounting Instituições Sem Fins Lucrativos Sistemas de Controlo de Gestão Stakeholders Management Control Systems Non-Profit Organizations Ciências Sociais::Economia e Gestão
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As Instituições Sem Fins Lucrativos (ISFL) têm vindo a assumir um papel crescente na resposta a necessidades sociais fundamentais, reforçando a importância de compreender os modelos de gestão adotados e a forma como os stakeholders influenciam os processos de decisão. Neste contexto, os Sistemas de Controlo de Gestão (SCG) assumem particular relevância enquanto instrumentos de apoio à gestão, à accountability e à legitimidade organizacional. O presente estudo teve como objetivo compreender as perceções dos stakeholders internos relativamente aos SCG implementados na Santa Casa da Misericórdia de Cabeceiras de Basto (SCMCB), bem como analisar de que forma a relevância dos diferentes stakeholders é construída e hierarquizada no processo de implementação e consolidação desses sistemas. Para o efeito, adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza interpretativa, com base em um estudo de caso único. A recolha de dados baseou-se na realização de entrevistas semiestruturadas a stakeholders internos da SCMCB, complementadas por análise documental e observação direta. A interpretação das perceções recolhidas foi realizada à luz da Teoria da Relevância dos Stakeholders (Mitchell et al., 1997), seguindo a lógica de aplicação adotada no estudo empírico de Conaty e Robbins (2021). Os resultados evidenciam que os SCG são, de um modo geral, percecionados como instrumentos relevantes de apoio à gestão e à tomada de decisão, associados ao reforço da organização interna, da definição de objetivos e da transparência institucional, apesar de se encontrarem ainda numa fase inicial de consolidação. No que respeita à relevância dos stakeholders, os utentes são reconhecidos como centrais do ponto de vista da missão institucional, evidenciando elevada legitimidade, enquanto o poder efetivo de decisão e a capacidade de atribuir urgência às prioridades organizacionais concentram-se nos órgãos sociais. Esta dissociação entre legitimidade, poder e urgência evidencia uma hierarquização dos stakeholders, em linha com a literatura existente sobre ISFL, reforçando a ideia de que a eficácia dos SCG depende não apenas da sua sofisticação técnica, mas, sobretudo, da forma como são interpretados e apropriados no contexto organizacional.