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Comparação de métodos de identificação de imunoglobulinas para diagnóstico de toxoplasmose

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O Toxoplasma gondii é um protozoário de grande abrangência, causador da toxoplasmose. Possui grande impacto na saúde pública, pois é preocupante em pacientes Imunodeprimidos, com distúrbios psiquiátricos e principalmente em gestantes, podendo causar sequelas irreversíveis para o feto ou causar aborto. A epidemiologia da toxoplasmose apresenta seroprevalências diversificadas, dependendo de hábitos alimentares e da qualidade da água. A interpretação da sorologia é importante para que os possíveis danos da infecção sejam sanados. Os diferentes métodos de diagnóstico da toxoplasmose existentes no mercado possuem sensibilidade e especificidade variáveis, sendo da responsabilidade dos profissionais de saúde a escolha do melhor método. No entanto, a busca por métodos mais eficazes e com melhor resposta, sendo também economicamente mais viáveis. Assim, esta pesquisa teve como objetivo principal a utilização de duas técnicas espectroscópicas (Raman e FTIR - Fourier Transform infrared) para a detecção de anticorpos antitoxoplasmose no sangue de pacientes, por comparação com o método tradicional de ECLIA (eletroquimioluminescência). Além da comparação dos métodos foi também efetuado um perfil epidemiológico da população de modo a identificar os fatores que são responsáveis pela distribuição da doença na região estudada. Foi também realizado um estudo económico de comparação dos testes. Um total de 400 amostras foram coletadas em um laboratório de análises clínicas da cidade de Natal (Brasil) e estas foram preparadas para posterior análise nos aparelhos e o resultado dicotômico (ausência/presença das imunoglobulinas) foi analisado por estatística multivariada. Nestas metodologias foram obtidos espectros específicos, baseados em mudanças nas bandas através da transformação das moléculas para ambos os anticorpos (IgG/IgM). Foram utilizados métodos estatísticos para avaliar a sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e negativo, índice Kappa, curva ROC, regressão logística binária e verossimilhança positiva e negativa, além da relação custo - efetividade dos métodos espectrofotométricos testados, por comparação com o ECLIA. Analisando os resultados da epidemiologia verificou-se que as variáveis faixa etária, sexo e conhecimento da doença são fatores de risco para a presença de IgG. A curva ROC estimada para o modelo foi de 0,614, indicando que o modelo prediz corretamente o resultado para IgG em 61,4% dos casos. O perfil sorológico, pela medição do ECLIA, dos pacientes analisados permitiu identificar suscetibilidade ao T. gondii de 35%. As amostras detentoras da IgG obtiveram a frequência de 65%. A partir dos resultados dos espectros produzidos por Raman e FTIR, gerou-se um resultado dicotômico (Positivo/Negativo) para as amostras onde foram realizadas as análises estatísticas. Encontraram diferenças espectrais em faixas específicas, evidenciando mudanças estruturais nas moléculas presentes nas amostras, utilizando ambos os métodos. Com relação a detecção de IgG, o Raman apresentou resultado satisfatório em todas as variáveis estatísticas (IC 95%). O desempenho na detecção de IgM apresentou bom resultado na variável especificidade e Valor Preditivo Negativo (VPN). O FTIR apresentou desempenho abaixo do Raman tanto na detecção de IgG, quanto na de IgM. A avaliação econômica das técnicas identificou o Raman como a técnica de melhor custo efetividade, por conta de sua sensibilidade na detecção de IgG e IgM e melhor custo minimização, ou seja, o custo sem levar em consideração o valor efetivo da técnica (custos e detecção de IgG/IgM). De um modo global, os resultados demonstram que a espectroscopia Raman tem maior potencial de ser aplicado in vitro para classificar as imunoglobulinas de interesse, possuindo vantagens em relação ao FTIR. O Raman pode ser usado para complementar ou substituir o teste ECLIA, tornando-se uma ferramenta clínica importante e mais económica que permite atuar na triagem sorológica da população com relação a toxoplasmose.
Autores principais:Oliveira, Carlos Henrique Bezerra de
Assunto:Epidemiologia Espectrofotometria Imunoglobulinas Toxoplasma Epidemiology Immunoglobulins Spectrophotometry Toxoplasmosis
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O Toxoplasma gondii é um protozoário de grande abrangência, causador da toxoplasmose. Possui grande impacto na saúde pública, pois é preocupante em pacientes Imunodeprimidos, com distúrbios psiquiátricos e principalmente em gestantes, podendo causar sequelas irreversíveis para o feto ou causar aborto. A epidemiologia da toxoplasmose apresenta seroprevalências diversificadas, dependendo de hábitos alimentares e da qualidade da água. A interpretação da sorologia é importante para que os possíveis danos da infecção sejam sanados. Os diferentes métodos de diagnóstico da toxoplasmose existentes no mercado possuem sensibilidade e especificidade variáveis, sendo da responsabilidade dos profissionais de saúde a escolha do melhor método. No entanto, a busca por métodos mais eficazes e com melhor resposta, sendo também economicamente mais viáveis. Assim, esta pesquisa teve como objetivo principal a utilização de duas técnicas espectroscópicas (Raman e FTIR - Fourier Transform infrared) para a detecção de anticorpos antitoxoplasmose no sangue de pacientes, por comparação com o método tradicional de ECLIA (eletroquimioluminescência). Além da comparação dos métodos foi também efetuado um perfil epidemiológico da população de modo a identificar os fatores que são responsáveis pela distribuição da doença na região estudada. Foi também realizado um estudo económico de comparação dos testes. Um total de 400 amostras foram coletadas em um laboratório de análises clínicas da cidade de Natal (Brasil) e estas foram preparadas para posterior análise nos aparelhos e o resultado dicotômico (ausência/presença das imunoglobulinas) foi analisado por estatística multivariada. Nestas metodologias foram obtidos espectros específicos, baseados em mudanças nas bandas através da transformação das moléculas para ambos os anticorpos (IgG/IgM). Foram utilizados métodos estatísticos para avaliar a sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e negativo, índice Kappa, curva ROC, regressão logística binária e verossimilhança positiva e negativa, além da relação custo - efetividade dos métodos espectrofotométricos testados, por comparação com o ECLIA. Analisando os resultados da epidemiologia verificou-se que as variáveis faixa etária, sexo e conhecimento da doença são fatores de risco para a presença de IgG. A curva ROC estimada para o modelo foi de 0,614, indicando que o modelo prediz corretamente o resultado para IgG em 61,4% dos casos. O perfil sorológico, pela medição do ECLIA, dos pacientes analisados permitiu identificar suscetibilidade ao T. gondii de 35%. As amostras detentoras da IgG obtiveram a frequência de 65%. A partir dos resultados dos espectros produzidos por Raman e FTIR, gerou-se um resultado dicotômico (Positivo/Negativo) para as amostras onde foram realizadas as análises estatísticas. Encontraram diferenças espectrais em faixas específicas, evidenciando mudanças estruturais nas moléculas presentes nas amostras, utilizando ambos os métodos. Com relação a detecção de IgG, o Raman apresentou resultado satisfatório em todas as variáveis estatísticas (IC 95%). O desempenho na detecção de IgM apresentou bom resultado na variável especificidade e Valor Preditivo Negativo (VPN). O FTIR apresentou desempenho abaixo do Raman tanto na detecção de IgG, quanto na de IgM. A avaliação econômica das técnicas identificou o Raman como a técnica de melhor custo efetividade, por conta de sua sensibilidade na detecção de IgG e IgM e melhor custo minimização, ou seja, o custo sem levar em consideração o valor efetivo da técnica (custos e detecção de IgG/IgM). De um modo global, os resultados demonstram que a espectroscopia Raman tem maior potencial de ser aplicado in vitro para classificar as imunoglobulinas de interesse, possuindo vantagens em relação ao FTIR. O Raman pode ser usado para complementar ou substituir o teste ECLIA, tornando-se uma ferramenta clínica importante e mais económica que permite atuar na triagem sorológica da população com relação a toxoplasmose.