Publicação
Being a police officer and living with them: the impact of job demands from different perspectives
| Resumo: | Devido às exigências da profissão, ser policial é uma das ocupações mais stressantes, frequentemente associada a problemas físicos, psicológicos e impacto nos indivíduos e famílias. Apesar da elevada exposição a fatores de risco e elevada psicopatologia (ex.: Perturbação de Stress Pós-traumático, PSPT), muitos polícias descrevem-se resilientes. Este stresse é cumulativo e pode contaminar o contexto familiar. Esta tese teve como objetivo explorar e compreender o impacto dos desafios profissionais na saúde mental e na conciliação trabalho-família nos polícias através de um design misto sequencial exploratório com integração de perspetivas individuais, diádicas, contextuais e fisiológicas. O Eixo 1 (qualitativo) analisou entrevistas com polícias e cônjuges (Estudos 1–3), revelando sentimentos de culpa, isolamento e supressão emocional. O Eixo 2 (diádico) aplicou o modelo atorparceiro (Estudo 4), evidenciando interdependência emocional e efeitos cruzados entre sintomatologia de PSPT e depressão na díade. O Eixo 3 (quantitativo, Estudos 5–7) validou a escala de flexibilidade cognitiva, mostrou que o medo da Covid-19 intensificou o burnout, mediado por stressores ocupacionais e PSPT e o estudo 7 mostrou que o efeito da exposição traumática nos sintomas de PSPT é atenuado por recursos de resiliência (poly-strengths). O Eixo 4 (fisiológico, Estudo 8) explorou a consistência entre autorrelato e indicadores fisiológicos como a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência cardíaca (FC-VFC), durante a evocação. Os resultados revelaram uma ativação simpática sustentada e uma supressão vagal persistente, sugerindo rigidez autónoma. Este estudo confirmou ainda uma incongruência significativa entre os indicadores fisiológicos e os psicológicos autorreportados, apontando para uma possível subvalorização subjetiva do impacto traumático. Em conjunto, os resultados evidenciam o impacto cumulativo, silencioso e profundo do stresse ocupacional e traumático nos polícias e nas suas famílias. A integração de indicadores de FC-VFC permitiu validar objetivamente a disfunção autónoma associada ao trauma, mesmo quando subvalorizada subjetivamente. A resiliência e o suporte diádico revelam-se pilares de proteção face ao desgaste crónico da profissão. Estes resultados reforçam a urgência de implementar intervenções psicossociais especializadas, culturalmente ajustadas e sistémicas e fomentar culturas organizacionais verdadeiramente trauma-informed, que reconheçam o sofrimento, e promovam o bem-estar e a sustentabilidade da profissão policial. |
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| Autores principais: | Sousa, Bárbara Sofia Freitas |
| Assunto: | Conciliação trabalho-família Indicadores fisiológicos (FC-VFC) Polícias PSPT Resiliência Work–family balance Physiological indicators (HR-HRV) PTSD Resilience Police officers Ciências Sociais::Psicologia |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Devido às exigências da profissão, ser policial é uma das ocupações mais stressantes, frequentemente associada a problemas físicos, psicológicos e impacto nos indivíduos e famílias. Apesar da elevada exposição a fatores de risco e elevada psicopatologia (ex.: Perturbação de Stress Pós-traumático, PSPT), muitos polícias descrevem-se resilientes. Este stresse é cumulativo e pode contaminar o contexto familiar. Esta tese teve como objetivo explorar e compreender o impacto dos desafios profissionais na saúde mental e na conciliação trabalho-família nos polícias através de um design misto sequencial exploratório com integração de perspetivas individuais, diádicas, contextuais e fisiológicas. O Eixo 1 (qualitativo) analisou entrevistas com polícias e cônjuges (Estudos 1–3), revelando sentimentos de culpa, isolamento e supressão emocional. O Eixo 2 (diádico) aplicou o modelo atorparceiro (Estudo 4), evidenciando interdependência emocional e efeitos cruzados entre sintomatologia de PSPT e depressão na díade. O Eixo 3 (quantitativo, Estudos 5–7) validou a escala de flexibilidade cognitiva, mostrou que o medo da Covid-19 intensificou o burnout, mediado por stressores ocupacionais e PSPT e o estudo 7 mostrou que o efeito da exposição traumática nos sintomas de PSPT é atenuado por recursos de resiliência (poly-strengths). O Eixo 4 (fisiológico, Estudo 8) explorou a consistência entre autorrelato e indicadores fisiológicos como a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência cardíaca (FC-VFC), durante a evocação. Os resultados revelaram uma ativação simpática sustentada e uma supressão vagal persistente, sugerindo rigidez autónoma. Este estudo confirmou ainda uma incongruência significativa entre os indicadores fisiológicos e os psicológicos autorreportados, apontando para uma possível subvalorização subjetiva do impacto traumático. Em conjunto, os resultados evidenciam o impacto cumulativo, silencioso e profundo do stresse ocupacional e traumático nos polícias e nas suas famílias. A integração de indicadores de FC-VFC permitiu validar objetivamente a disfunção autónoma associada ao trauma, mesmo quando subvalorizada subjetivamente. A resiliência e o suporte diádico revelam-se pilares de proteção face ao desgaste crónico da profissão. Estes resultados reforçam a urgência de implementar intervenções psicossociais especializadas, culturalmente ajustadas e sistémicas e fomentar culturas organizacionais verdadeiramente trauma-informed, que reconheçam o sofrimento, e promovam o bem-estar e a sustentabilidade da profissão policial. |
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