Publicação
A Idade do Ferro do litoral norte de Portugal, entre as bacias dos rios Minho e Ave. Materialidades, intercâmbio e traços de identidade
| Resumo: | Este estudo teve como principal objetivo contribuir para o conhecimento de aspetos materiais, tecnológicos e económicos das populações costeiras e estuarinas que viveram no Noroeste português, durante o Iº milénio a.C. Para tal foi efetuada uma análise exaustiva de milhares de fragmentos cerâmicos, entre outros materiais, provenientes de escavações arqueológicas antigas e recentes. Os resultados possibilitaram traçar um novo quadro cronológico-cultural para o litoral, entre os rios Minho e o Onda, e revelaram uma distribuição do povoados que parece refletir interações complexas, influenciadas pela exploração de recursos vários e pela gestão da circulação de pessoas e bens, ao longo dos estuários e da costa. Durante o Bronze Final, foram registadas ocupações em 15 povoados e um contexto sepulcral. Nestes predominou a cerâmica local, mas verificou-se a introdução de novas formas (panela de asa interior), de louça “fina” e de materiais exógenos ou de influência forânea (ornatos brunidos e machados de apêndices) que sugerem contatos irregulares com o sul peninsular e com pouco impacto a nível estrutural e que se verificavam nos estuários. Tal indicia uma economia de oferta, perpetrada pelos fenícios, em viagens, ainda, de reconhecimento. No Ferro Antigo, observaram-se mudanças na distribuição geográfica dos povoados, pouco significativas, mantendo-se ativos muitos povoados anteriores. Na cerâmica local alterou-se o tipo de pasta e absorvem-se influências externas, seletivamente, como a decoração estampilhada, a adoção de engobes e alguns motivos figurativos. Regista-se uma maior presença de materiais exógenos (cerâmicas gregas e púnicas, contas de colar vítreas) e a introdução de novas imagéticas (suásticas, na arte rupestre e bétilos). As populações dos estuários continuam a desempenhar papel importante nas interações, que se verificariam em diferentes povoados e não na lógica da port-of-trade. No Ferro Recente, houve um aumento significativo de povoados. Em termos materiais identificaram-se duas grandes áreas oleiras: uma setentrional e outra meridional que parecem assumir carácter identitário. O intercâmbio local e regional está bem patente, bem como o suprarregional, agora mais intenso e com novos agentes - os romanos. Tal resulta numa maior presença de materiais importados e na “democratização” do consumo de determinados produtos alimentares (vinho e derivados, preparados piscícolas, azeite entre outros). Não se confirma o modelo de port-of-trade no quadro das interações entre indígenas e “mercadores“, sendo nos estuários que estes contactos se verificam preferencialmente. |
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| Autores principais: | Oliveira, Nuno Tiago Correia de |
| Assunto: | Litoral norte de Portugal 1º milénio a.C. Materiais Tecnologias Intercâmbios North coast of Portugal 1st millennium BC Materials Technologies Exchanges |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Este estudo teve como principal objetivo contribuir para o conhecimento de aspetos materiais, tecnológicos e económicos das populações costeiras e estuarinas que viveram no Noroeste português, durante o Iº milénio a.C. Para tal foi efetuada uma análise exaustiva de milhares de fragmentos cerâmicos, entre outros materiais, provenientes de escavações arqueológicas antigas e recentes. Os resultados possibilitaram traçar um novo quadro cronológico-cultural para o litoral, entre os rios Minho e o Onda, e revelaram uma distribuição do povoados que parece refletir interações complexas, influenciadas pela exploração de recursos vários e pela gestão da circulação de pessoas e bens, ao longo dos estuários e da costa. Durante o Bronze Final, foram registadas ocupações em 15 povoados e um contexto sepulcral. Nestes predominou a cerâmica local, mas verificou-se a introdução de novas formas (panela de asa interior), de louça “fina” e de materiais exógenos ou de influência forânea (ornatos brunidos e machados de apêndices) que sugerem contatos irregulares com o sul peninsular e com pouco impacto a nível estrutural e que se verificavam nos estuários. Tal indicia uma economia de oferta, perpetrada pelos fenícios, em viagens, ainda, de reconhecimento. No Ferro Antigo, observaram-se mudanças na distribuição geográfica dos povoados, pouco significativas, mantendo-se ativos muitos povoados anteriores. Na cerâmica local alterou-se o tipo de pasta e absorvem-se influências externas, seletivamente, como a decoração estampilhada, a adoção de engobes e alguns motivos figurativos. Regista-se uma maior presença de materiais exógenos (cerâmicas gregas e púnicas, contas de colar vítreas) e a introdução de novas imagéticas (suásticas, na arte rupestre e bétilos). As populações dos estuários continuam a desempenhar papel importante nas interações, que se verificariam em diferentes povoados e não na lógica da port-of-trade. No Ferro Recente, houve um aumento significativo de povoados. Em termos materiais identificaram-se duas grandes áreas oleiras: uma setentrional e outra meridional que parecem assumir carácter identitário. O intercâmbio local e regional está bem patente, bem como o suprarregional, agora mais intenso e com novos agentes - os romanos. Tal resulta numa maior presença de materiais importados e na “democratização” do consumo de determinados produtos alimentares (vinho e derivados, preparados piscícolas, azeite entre outros). Não se confirma o modelo de port-of-trade no quadro das interações entre indígenas e “mercadores“, sendo nos estuários que estes contactos se verificam preferencialmente. |
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